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Viveria uma semana sem redes sociais? Leia isto

Fizémos a experiência e contamos-lhe tudo.

Quando era mais nova, só a minha imaginação podia ocupar-me horas a fio. Felizmente, ainda sou da altura em que brincar era sinónimo de ir para a rua e aparecer em casa com os joelhos todos esmurrados. E mesmo quando os computadores apareceram em minha casa, a Internet era limitada o que, para os meus pais, era mais um motivo para eu e o meu irmão não sermos consumidos por um mundo tecnológico em ascensão.

Embora possa ter lamentado sobre a injustiça de tudo isso na época, em retrospetiva, sei que aprender a entreter-me ajudou a fomentar o pensamento criativo que atualmente impulsiona a minha vida e a minha carreira.

E agora? Agora sou como a maioria das pessoas da minha geração de mente tecnológica: viciada em todos os meus dispositivos. Consigo passar horas a ver Netflix, visito várias vezes ao dia o Instagram e não é incomum dar por mim a navegar na internet enquanto vejo televisão. Para ser honesta, acho que a tecnologia é, em muitos aspetos, uma coisa maravilhosa. Adoro que, apesar de passar a maior parte do ano longe da minha família e de muitos dos meus amigos, ainda me sinta ligada a eles diariamente. Acho incrível que, de certa forma, possamos viajar pelo mundo só por estar online.

Falemos do desafio que me foi lançado: Durante uma semana, deixaria todas as redes sociais, ou seja, sem Instagram, Facebook, Whatsapp e Linkedin – que são as únicas que tenho. Comecei no dia 13 de janeiro, dois dias antes de entramos novamente em confinamento. Pensei que ia ser um desafio fácil para mim, uma vez que já tinha feito várias ‘desintoxicações’ das redes sociais. Mas, com o recolhimento obrigatório, foi difícil: não podia sair para estar com os amigos, para ir dar um passeio à praia – como tanto gosto de fazer -, para ir às compras. Enfim, para fazer coisas que me pudessem distrair. Sabia que se começasse a semana com uma mentalidade de ‘simplesmente não entro nas apps’, inevitavelmente falharia. E por isso decidi fazer um plano para conseguir atingir o objetivo.

Dia 1:

Quanto ao meu computador, o problema não foi grande uma vez que aproveitei a semana para o levar para arranjo. Portanto: uma das formas de acesso às redes sociais estava arrumada. A partir daí passei a utilizar o computador do meu pai, única e exclusivamente para trabalhar. Mas faltava a pior parte. Normalmente, quando estou sozinha, verifico o meu telemóvel sempre que recebo uma notificação, e, fora disso, verifico o Instagram a cada 40 minutos, o Facebook a cada hora e meia e o Whatsapp a cada três horas. Uso as redes sociais, principalmente, para contactar as pessoas e ficar a par dos meus amigos e do mundo.

Decidi então apagar todas as aplicações. Mas 40 minutos depois já estava a pensar que precisava de ir ver o Instagram. Sabia que essa era a rede social que me ia fazer mais falta.

É lá que passo mais tempo e é por lá que falo com maior parte dos meus amigos. Felizmente, consigo concentrar-me apenas no trabalho, afinal, naquele momento, isso era o mais importante, ainda assim, sinto a necessidade de voltar a ver o que perdi – uma vez que a minha carreira também se foca no que está nas redes socias.

Quando vou para a cama tenho o mau hábito de estar, pelo menos, uma hora a fazer scroll no Facebook, mas desta vez, troquei o telemóvel para (finalmente!) acabar o livro que ando a ler desde setembro de 2020: Harry Potter e a Ordem da Fénix, o que acabou por se tornar o meu hábito diário durante esta semana e algo que pretendo adotar para uma vida mais saudável.

Dia 2:

Por norma, enquanto estou na minha cidade natal, uso o meu telemóvel como alarme, por isso, assim que o desligo vou instintivamente ver as redes sociais e ver o que aconteceu da noite para o dia. Para contornar isso decidi começar logo a ler os meus e-mails e a ver as notícias. Tornei-me mais consciente da frequência com que as pessoas sentem a necessidade de verificar o telemóvel.

Normalmente, faço 30 minutos de atividade física depois do trabalho. Ajuda-me a relaxar. Mas durante esta semana decidi que ia passar a fazer uma hora de exercício – pelo menos era uma forma de passar o tempo. À noite, decidi ir fazer uma despedida com os meus amigos mais próximos (uma vez que o confinamento ia iniciar no dia seguinte), mas sempre em segurança! Por norma, quando estou com os meus amigos e família, é muito raro pegar no telemóvel pelo que, foi, provavelmente a noite mais fácil para me abstrair da tentação das redes sociais.

Dia 3:

Após mais um dia de trabalho e para dar início à quarentena, decidi ir ao sótão desencantar um dos puzzles que comprei há dois anos e que ainda não tinha feito. Mesmo enquanto estava a construir o puzzle, a tentação de ir às redes sociais estava sempre na minha cabeça. Por isso, a cada dia tornava-se mais óbvio que sou demasiado dependente delas. Mas tirar-me daquele mundo faz-me sentir menos como um drone, mais criativa e focada.

Dia 4:

Sábado é sinónimo de limpezas em quase todas as casas e, por cá, não é exceção. Mas quando isso terminou fiquei com a dúvida de como iria passar a tarde. Decidi aproveitar o sol para ir dar uma corrida com o meu cão. Temos um parque mesmo ao lado de casa o que, em tempos de quarentena, nos dá imenso jeito, nem que seja apenas para espairecer.

Quando voltei para casa, aproveitei para fazer uma limpeza ao meu roupeiro. Descobri roupa que já não usava há anos e que já não me serve, pelo que agarrei em dois sacos e meti tudo o que não precisava lá para dentro. O que vou fazer com a roupa? Assim que for seguro, faço questão de a ir dar a uma instituição de caridade. Sempre tive o hábito de fazer isto e não pretendo mudar.

Dia 5:

Os domingos, para mim, são sagrados. Gosto de dedicar o dia a repor as minhas horas de sono, pelo que, durante a tarde é muito provável encontrarem-me a dormir no sofá ou na cama. Volto a acordar por volta das 18 horas e, depois de um bom banho, é hora de fazer uma maratona pela Netflix. Aos domingos, evito ao máximo pegar no telemóvel para ver emails ou para entrar nas redes sociais. É um hábito que tenho desde que me lembro – e talvez seja por isso que desligar-me das redes sociais não me custa tanto, em situações normais.

Dia 6:

Provavelmente foi o dia em que estive mais ansiosa. A expectativa deixava-me nervosa. No dia seguinte já podia voltar a instalar tudo e a atualizar-me. Queria conversar com os meus amigos, saber o que tinha acontecido na última semana. Felizmente e mais uma vez, o trabalho tirou-me a mente desse foco, pelo que, até às 18 horas estive entretida com assuntos profissionais. Decidi que me ia deitar mais cedo neste dia – talvez isto acabasse mais rápido.

Dia 7:

Estava muito entusiasmada por entrar nas minhas redes sociais e ver o que perdi. Senti que me foi tirado um peso dos ombros, mas prometi a mim mesma usar menos as redes sociais a partir de agora. Reinstalei as aplicações e tinha 26 notificações no Facebook e 13 mensagens não lidas no Instagram. Senti-me menos ansiosa assim que me atualizei, mas depois de ver que não perdi nada importante, pensei no tempo que teria perdido a olhar para as minhas páginas.

E agora?

Gosto de pensar que vou ser capaz de me controlar um pouco mais, mas para ser realista, dentro de algumas semanas, é provável que volte a usar as redes sociais tanto como antes. Antes do desafio, em média, passava cerca de 2h30 no Instagram por dia e cerca de 1h no Facebook. O objetivo é tentar com que a média do Instagram desça para os valores do Facebook. Completar a minha desintoxicação nas redes sociais não foi apenas um sucesso, mas uma mais-valia para o meu bem-estar mental. Uma vez feito, percebo que não é assim tão difícil tirar estas plataformas da minha vida.

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