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“Vivam de forma única. As gravidezes não devem ser comparadas”

No ano passado, Carolina Patrocínio e Catarina Jardim estiveram grávidas ao mesmo tempo e celebraram-no com o primeiro Especial Gravidez da Women’s Health. No Dia da Grávida, recordemos a entrevista.

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A cumplicidade entre Carolina Patrocínio e Catarina (Pimpinha) Jardim é notória à distância. As duas amigas partilham histórias ao longo dos anos. Mas quis o destino – ou uma coincidência – que estivessem grávidas ao mesmo tempo naquela que, dizem, poderá ser a última gravidez de ambas.

Grávida de 32 semanas*, Carolina está pela quarta vez à espera de bebé – e finalmente um rapaz. “Foi uma surpresa enorme, estava um pouco cética, mas [eu e o Gonçalo Uva] ficámos completamente loucos, felizes.” Apesar de viver o momento com naturalidade, a apresentadora de 32 anos diz “pressentir que este seja o meu último filho. Nunca se sabe, mas à partida será”. Passados dez anos desde o nascimento do seu primeiro filho, Pimpinha, grávida de 35 semanas, vê também esta gestação como a última. Aos 35 anos, confessa: “Já tenho dois filhos, sei que não há duas sem três, mas há três sem quatro. Não sei se não vou ficar por aqui. Não sei se vou tentar a menina, tenho de ver, uma coisa de cada vez.”

Alimentação na gravidez

Tanto Carolina como Catarina fazem questão de manter uma alimentação saudável durante a gestação. “Nesta fase, os alimentos a que tento dar prioridade são talvez de origem mais natural. Se muitas vezes uso barritas ou snacks que me ajudam por serem práticos, na gravidez procuro coisas mais nutritivas para o bebé. Opto por fruta, cenouras e alimentos que sei que vão nutrir mais o bebé do que saciar-me. Mas como de tudo”, conta-nos Carolina Patrocínio, acrescentando: “Tento comer de duas em duas horas para me manter saciada e sem enjoos. Tento manter o meu estilo de vida saudável de sempre.”

Pimpinha diz ser igualmente descontraída e “zero extremista”. No princípio da gravidez tentou “fazer uma adaptação na alimentação para ver se não engordava muito”, pois o objetivo sempre foi trabalhar até ao final da gravidez com energia e em boa forma. “No segundo trimestre deram-me umas fomes desgraçadas e a altura do Natal foi o descalabro, mas agora recuperei, estagnei. Escolho os alimentos pelo que sei que me vai fazer bem e sem descurar o cuidado do bebé.” E mostra-se orgulhosa, pois tinha estabelecido engordar 12 quilos e, até agora, engordou 10. “Tenho uma boa margem nesta reta final para não ser demasiado rígida.”

E quanto a desejos, qual a mais gulosa? Ora, Pimpinha não hesitou: “Sou eu a mais gulosa de certeza, quer dizer, não sei, a Carolina às vezes vai a minha casa e, como tenho mais coisas na minha despensa, aproveita.” Mas o certo é que os desejos de ambas são tudo menos pecaminosos. “Tenho o desejo de água com gás, bebo litros”, diz Pimpinha. Já Carolina revela que “tal como nas outras gravidezes, apetece-me sempre citrinos, laranjas, tangerinas, clementinas. Podia ser pior [risos]”.

A importância do treino

Os treinos são presença frequente na vida de Carolina e nem mesmo a gravidez a faz parar. A apresentadora tenta ir quatro a cinco vezes por semana ao ginásio e mantém a rotina habitual, se bem que agora “nunca ultrapasso os alongamentos, que era a coisa que mais saltava antes de estar grávida. Na gravide zsou mais atenta a isso para não fazer nenhuma lesão que me prejudique”. A musculação continua presente, mas Carolina divide os treinos “por grupos musculares, treino de perna e de tronco, mas no treino de perna há alguns exercícios que exercem demasiada pressão na zona onde o bebé está, como o agachamento com peso ou o prensa”, por isso não os faz.

Para se manter em forma e com energia suficiente para esta fase – e para “cuidar de três filhas pequenas”, ressalva –, dá “ouvidos ao corpo” e deixou de “usar cargas elevadas como faria se não estivesse à espera de bebé. Nesta fase, aumento o nível de repetições, mas com cargas mais leves”. Quanto ao cardio, a máquina de escadas é a sua maior aliada. “Antes fazia muitos treinos em sprint na esteira, agora não. Volto a fazer nas últimas duas semanas quando o bebé estiver para nascer, a ver se não se acomoda demasiado [risos].”
Pimpinha também não se acomodou ao sedentarismo e, “nesta fase da gravidez”, treina duas vezes por semana. “Das três gravidezes, nesta tenho praticado mais desporto e tenho tido mais cuidado com a alimentação. Estou mais ativa.” Quanto ao plano de treino, todos os exercícios foram adaptados de modo a respeitar as necessidades e as capacidades do corpo.

“Tento ter cuidado com a alimentação e treinar, mas não sou extremista. Vou ouvindo o meu corpo, fazendo as coisas devagarinho. Acho que estou lindamente, espetacular.”

“No primeiro trimestre treinei normal, fiz cycling, ia para o estúdio, fazia cárdio à vontade, mas sempre um pouco enjoada. O segundo trimestre é sempre o melhor, sinto-me espetacular, cheia de energia. Treinei igual, incluindo as aulas de cycling, mas come-
cei a ser acompanhada por uma PT. No último [trimestre] já me sinto cansada, já não durmo bem de noite e a limitação do sono incomoda-me”, confessa, embora reconheça que o exercício é apenas uma parte de todo um estilo saudável que tem: “Tento ter cuidado com a alimentação e treinar, mas não sou extremista, não vou ao ginásio todos os dias porque isso vai deixar-me cansada, vai afetar a relação com os meus filhos, o meu trabalho. Vou ouvindo o meu corpo, fazendo as coisas devagarinho. Acho que estou lindamente, espetacular, não tenho qualquer razão de queixa. Engordei o normal, mas se tivesse engordado mais estava tudo OK.”

 

Tal como tem mostrado nas redes sociais, Carolina Patrocínio garante que o treino na gravidez “é uma questão de método” e que faz parte das prioridades diárias. “Mantém-me focada, ajuda-me a estabelecer o que é verdadeiramente importante nesta fase. Também mantém-me motivada para que consiga trabalhar até o mais tarde possível. O facto de ter mobilidade ajuda muito”.

Aceitar as mudanças

Mais confiantes, mais seguras, mais poderosas. Tanto Pimpinha como Carolina dizem sentir-se bem nesta fase, mas ambas confessam que o estado nem sempre é de graça. Apesar de assumir que se sente “confiante, invencível e uma supermulher” nas gravidezes (como nos revelou no verão passado), Carolina não esconde que “há várias coisas” de que não gosta quando está grávida. “Não me posso queixar porque faço a minha vida absolutamente normal e sem restrições. Não me permito ser uma mulher queixosa nesse sentido, tenho saúde, não tenho restrições físicas ou de mobilidade. Agora, se adoro estar grávida, não. Até faço bastantes metas mentais para que a gravidez passe mais rapidamente. Apesar de estar diariamente no ginásio, os treinos que faço não têm a mesma intensidade. Não consigo chegar a um pico de forma no ano em que estou grávida.

Não sou propriamente aquela mãe que adora cada minuto e que tem saudades da barriga e deste estado de gravidez. Simplesmente limito-me a viver e a andar para a frente, olhando com naturalidade para esta fase.”

“Treinar mantém-me focada, ajuda-me a priorizar o que é verdadeiramente importante e mantém-me motivada para que consiga trabalhar até o mais tarde possível.”

Quanto às mudanças fisiológicas que ocorrem na gravidez, as duas apresentadoras revelam planos de ação distintos. Pimpinha diz ser a grávida que aplica “muitos cremes e óleos, quase do pescoço aos joelhos, além dos cuidados com o rosto”, revelando ainda que nesta gravidez seguiu os conselhos da amiga Carolina e que se rendeu ao poder das massagens. “Noto diferença nas pernas e na cara, tenho feito massagens do método de Renata França. Estou com uns quilos a mais, é próprio da gravidez, mas não me sinto inchada, não faço grande retenção de líquidos.”

A estas massagens alia ainda um tratamento em clínica “que é super-hidratante e dá elasticidade à pele na zona do peito e da barriga”. Mas se
Pimpinha é a grávida que aplica cremes por todo o corpo, Carolina diz ser “muito preguiçosa. Sou muito básica, uso um creme hidratante após o banho e tento ser mais regrada no que toca às massagens drenantes, que é algo que me dá imenso prazer. Obrigo-me a ter esse momento de descanso e relaxamento, uma vez por semana ou a cada 15 dias tento manter o ritual de ser drenada e massajada”.

Pós-parto fit, pois claro

Uma vez que os dois partos de Pimpinha foram por cesariana, “é provável que este também seja”, por isso conta “voltar [aos treinos] passado um mês. Mas isso não me preocupa, quando regressar terei um PT, um plano alimentar feito pela nutricionista e adequado a essa altura”. Já Carolina diz em tom de brincadeira: “Conheço bem a fórmula de sucesso do meu corpo para o pós-parto. Se este parto também for natural, não terei qualquer restrição física. Passados dois ou três dias poderei fazer cycling, poderei correr”.

Para a apresentadora, a maior dificuldade não vai ser voltar ao ritmo, será “a nível de organização com um bebé em casa. Sei que não posso ser demasiado exigente nos 10-12 primeiros dias. Por vezes, a amamentação demora a regularizar. É mais esse o timing que tenho de ter na cabeça, do bebé começar a mamar bem e a ganhar peso depois da saída da maternidade. A partir daí é ir vendo e gerindo, não serão seguramente treinos de uma hora, mas podem ser de 20 minutos”.

Mensagem às mulheres

Não há duas grávidas iguais, Carolina e Pimpinha são a prova disso. Mesmo com um estilo de vida idêntico e em fases próximas da gravidez, têm corpos diferentes. E isso não poderia ser mais natural. “Ninguém deve ser criticado, nem porque é magro de mais, fit de mais ou engordou de mais. Temos de nos aceitar como somos, e apesar de o women’s empowerment ser já um cliché, acho que isso deve haver. Devemo-nos respeitar mais umas às outras, elogiarmo-nos mais, porque os nossos problemas são os mesmos, quer em aceitação global, quer com nós próprias, quer com os outros. Todas temos corpos diferentes, vamos ter gravidezes diferentes, com problemas e qualidades diferentes”, diz Pimpinha Jardim. Apesar de não sentir na pele as sempre fáceis críticas nas redes sociais, a apresentadora diz que “as pessoas têm de se acalmar um bocadinho. Temos de ser mais positivas”.

Carolina Patrocínio, por seu turno, sofreu na pele duras críticas quando da sua primeira gravidez, há cinco anos. Na altura, o corpo tonificado durante a gestação criou uma onda de indignação nas redes sociais. Algo que, claro, não mata mas mói. E faz crescer. “Ignorar críticas tem sido um processo. E se numa primeira gravidez isso chegou a afetar-me bastante e sentia necessidade de de responder ou de provar algo, tal foi-se desvanecendo. Estou mais calma, não tenho de provar nada a ninguém. Tenho de me manter focada no meu caminho, nas coisas de que eu gosto e nos meus objetivos. Tenho menos essa chama e esse fogo de querer provar que estou certa, e acho que tem resultado. Acho que as pessoas são mais condescendentes, apoiam mais e são mais informadas. Tudo isto faz bastante diferença quando comparado com há cinco anos”.

“Não se comparem! Vivam de uma forma única, porque as gravidezes não são para ser comparadas. Cada uma deve fazer o seu caminho e viver de forma plena.”

Quando pedimos para deixarem uma mensagem às mulheres que estão grávidas ou esperam estar em breve, disseram quase em uníssono:“Não se comparem!” Para Carolina, as mulheres devem viver a gravidez “de uma forma única. Porque as gravidezes não são para ser comparadas. Não se comparem, vivam de forma única e com autenticidade porque vão ter saudades. Cada uma deve fazer o seu caminho e viver isto de forma plena, que é para o bebé vir com saúde e descansadinho”. “Concordo com tudo o que a Carolina disse.

Acho que se deve viver a gravidez como um momento único. A pessoa nunca sabe se vai estar à espera de bebé outra vez. Neste momento já não penso sequer que vou ao quarto, tento viver isto da melhor maneira. É muito importante o que a Carolina disse, as pessoas não se podem comparar. Cada mulher tem um corpo diferente, cada mulher vive a gravidez da sua maneira, cada uma tem as suas restrições. Não me posso comparar à Carolina e a Carolina não se pode comparar a mim. E as pessoas também não nos podem comparar. Estamos numa era de aceitação. E, apesar de cliché, essa é a verdade. Cada um deve ser como quer, cada um deve estar como quer e como consegue.”


*As entrevistas foram realizadas nos dias 10 e 11 de fevereiro de 2020, e foram inicialmente publicadas no primeiro Especial Gravidez da Women’s Health, que integrou a edição 26 da revista (em bancas em março e abril de 2020):

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