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Será que toda a carne processada aumenta o risco de cancro?

Novo estudo afirma que nem todos os tipos de carne processada estão ligados a um aumento do risco de cancro. Mas é preciso conhecer o que diferencia cada alimento.

A ligação entre o que comemos e a nossa saúde tem vindo a ser amplamente debatida na comunidade científica. Os estudos sobre a influência da alimentação continuam a multiplicar-se e ainda que existam algumas diretrizes nacionais (no caso português, consulte o Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável) e mundiais sobre aquele que deve ser o estilo de alimentação que mais privilegia a saúde, a verdade é que a multiplicidade de informação e estudos científicos que têm sido lançados recentemente pode tornar a questão um tanto confusa.

Quando pensamos especialmente no caso do cancro, a já considerada epidemia do século XXI, é possível identificar numa curta pesquisa online que a carne (especialmente vermelha) tem vindo a ser conectada ao aumento de taxas na doença. De facto, para tal contribuiu um comunicado emitido para Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2015, que rotulava a ligação intrínseca entre o consumo de carne vermelha processada e uma maior probabilidade de ter cancro. Como carne processada pode então, entender-se “toda a carne que tenha sido transformada através do processo de cura, de salga, fermentação, fumeiro ou outros processos que aumentem o sabor ou a preservação”, segundo se pode ler no site da OMS, definição que serviu como linha guia para uma série de outros estudos académicos.

No entanto, investigadores da Queen’s University em Belfast, na Irlanda, sentiram a necessidade de categorizar os tipos de carne e o seu consequente risco cancerígeno para a saúde humana. A conclusão entre cancro e carne? Que tudo depende da presença de nitratos na carne processada, sendo esse o elemento que define o risco de desenvolver cancro, mais concretamente cancro colorretal (De acordo com a Liga Portuguesa Contra o Cancro, o cancro colorretal é um dos mais comuns, tanto nos homens como nas mulheres, não havendo ainda certezas quanto à sua causa).

O que são nitratos?

Para iniciar esta pesquisa, os investigadores estudaram todas as outras publicações sobre a questão cancerígena e com o consumo de carne vermelha. Foi assim que entenderam que os resultados eram inconclusivos, uma vez que cerca de metade dos estudos evidenciavam a relação entre estes alimentos e uma maior prevalência de cancro colorretal. Para os investigadores, o facto de não haver um consenso na comunidade científica explica a dificuldade em transmitir uma mensagem fidedigna às populações.

Os investigadores precisavam, então, de entender qual seria o elemento diferenciador e o principal culpado por maiores taxas de cancro. Por isso, decidiram estudar apenas carnes processadas que contivessem nitrato de sódio, um composto químico cuja finalidade é aumentar a validade dos alimentos, realçando a sua cor. E aqui a relação entre as carnes processadas e o risco de cancro colo retal demonstrou-se em cerca de 65%.

Assim, foi dado o primeiro passo para provar que nem todas as carnes processadas representam o mesmo tipo de risco para a saúde. “Quando analisámos as carnes que continham nitrato de sódio, isoladamente – o que aconteceu pela primeira vez num estudo -, os resultados foram muito mais claros. Quase dois terços dos estudos mostraram uma ligação com cancro”, afirmou William Crowe, um dos investigadores responsáveis por esta pesquisa num comunicado enviado à redação da WH.

Note, então, que nem todas as carnes processadas contêm nitratos de sódio o que, à luz desta pesquisa, define o facto de nem todas representarem o mesmo risco de desenvolvimento de cancro colo retal em seres humanos. Ainda que seja necessário desenvolver mais estudos sobre a questão, os investigadores acreditam ter encontrado dados fortes o suficiente para afirmar que as carnes processadas com nitrato de sódio são o tipo mais perigoso.

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