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“Comentários sexistas de outras mulheres é o que mais me magoa”

Cada mulher é única e tem de se amar, sem medos. Quem o diz é Júlia Palha, com quem conversamos no âmbito da apresentação da nova coleção da Intimissimi.

Júlia Palha

‘Sentes-te bem com o teu corpo?’. No final de 2019, quando Júlia Palha foi capa da Women’s Health de inverno, fizemos-lhe esta questão. ‘Sim. E basta’ foi a sua resposta. E não podia ter sido mais assertiva.

Meses mais tarde, na apresentação da linha Vera da Intimissimi, a que a atriz dá a cara, Júlia já não se lembrava da resposta que nos havia dado. Mas a postura confiante, de quem se ama a si e ao seu corpo, era exatamente a mesma. “É uma boa resposta… vou decorar!” brincou.

Foi ao final da tarde, em plena baixa do Chiado, que nos encontramos com Júlia Palha para conhecer a nova linha da italiana marca de lingerie e perceber o que levou Júlia Palha a aceitar o convite de representar aquela coleção.

O representar uma marca ou coleção de roupa interior ainda hoje é alvo de certas críticas ao corpo da mulher. Achas importante dares a cara a uma marca como esta para defenderes a ideia contrária?

Acho que sim. Aliás, eu própria muitas vezes sinto isso na pele. Às vezes nem é criticar, mas esses comentários sexistas ou machistas, por vezes por parte de outras mulheres, que é o que mais me magoa. Acho que nós, mulheres, temos de respeitar-nos mais umas às outras. Coisas do género ‘é só corpo’, ‘só se quer expor’, ‘esta miúda está sempre despida’… não caem bem, porque não é verdade. Não é por fazeres uma campanha que podes ser alvo de críticas, principalmente com as fotografias que eu mostro, que são sempre a apelar a que te sintas confiante e a não ter medo de mostrar o teu corpo.

Não é inveja. As pessoas estão mal com elas próprias. E nós não podemos dar ouvidos a quem não está bem consigo.

Porque é que uma rapariga, com menos peito, põe uma fotografia em biquíni na praia e eu se puser a mesma fotografia, com o mesmo biquíni, na mesma praia, com a mesma pose, vou receber críticas e ela não? Porque eu tenho mais curvas, sou eu a ordinária, sou eu que me quero expor, sou eu que estou a armar-me em boa… e não é! É só o meu corpo. E eu acho que as pessoas fazem estas críticas por achar que … nem sei. Por vezes diz-se que é inveja, mas eu nem acho que seja isto. As pessoas estão mal com elas próprias. E nós não podemos dar ouvidos a quem não está bem consigo.

As mulheres que a Intimissi escolhe para representar a marca têm corpos muito diferentes, que provam que não temos de ser todas iguais. Por exemplo, em Itália, Chiara Ferragni é uma das embaixadoras da marca, e ela tem muito pouco peito. É importante apelar a esta diferença de corpos?

Sim, sem dúvida. E esta coleção prova isto mesmo. A Intimissimi já era uma marca para mulheres com pouco peito e esta coleção vem alargar a gama a mais copas. É que tanto há críticas e cyberbullying para mulheres com muito peito como para mulheres com pouco peito. Portanto o importante é aceitarem-se. Com muito, pouco, médio, o que for. O que importa é estarmos bem, e é isso que é giro. Era uma chatice se fossemos todas iguais.

Sentes a responsabilidade de passar esta mensagem?

Acho que sim, principalmente por ter um publico tão jovem e feminino. Eu sinto mesmo este carinho e esta responsabilidade de não deixar as pessoas mais novas acreditar que o mundo real é o que elas veem nas revistas e nas redes sociais.

“Esta nova coleção da Intimissimi quer ser um espaço onde tu podes mudar qualquer coisa que te ajude a gostar ainda mais de ti, que te deixe mais confortável”

Li uma frase o outro dia que achei muito interessante: ‘A indústria precisa que nós não gostemos de nós. A indústria precisa que tu aches que só ficas bem com maquilhagem; precisa que tu aches que estás gorda e que precisas de tomar o comprimido X para emagrecer, ou comprar certas roupas que te façam parecer isto ou aquilo. A indústria precisa que não gostemos de nós. E esta nova coleção da Intimissimi quer ser um espaço onde tu podes gostar de ti e mudar qualquer coisa que te ajude a gostar ainda mais de ti, que te deixe mais confortável. E por isso é que aceitei associar-me a esta nova campanha, porque acho que faz todo o sentido.

Outro aspeto que distingue as vendas na Intimissimi é o serviço personalizado. É muito grande a percentagem de mulheres que não usa o tamanho de sutiã certo…

Sim, muito grande mesmo! Fiz há pouco um direto em que falava deste problema. É que não adianta fazerem perguntas, não adianta quererem saber o meu tamanho. Eu tentei ajudar ao máximo, mas não há nada como vir a uma loja e usufruir do serviço personalizado, que é gratuito. Porque há certos tamanhos, certos modelos, que assentam de uma forma, outros de outra. É mesmo só experimentando e pedindo ajuda que vão saber qual o seu tamanho. As funcionárias daqui sabem, estão ensinadas para perceber o que funciona melhor com cada corpo.

E já sofreste com esta dificuldade em encontrar o tamanho certo?

Sim. Aqui há uns anos, mesmo nesta marca, só havia sutiãs até à copa C. No ano passado tinham até à copa E, este ano até à F. Quem sabe para o ano não haja uma copa… M, sei lá!

Tamanhos à parte, o que não pode faltar num bom sutiã?

Tem de ter um bom suporte, é essencial, principalmente para pessoas com mais peito, e elegância. A Intimissimi consegue conjugar os dois na perfeição.

Sabemos que fizeste um poema para esta campanha…

Sim, pediram-me um poema e eu tinha escrito um há pouco tempo sobre aceitar-me como sou e achei que era indicado, era perfeito para a linha Vera. Foi giro ter acontecido assim, porque eu já o tinha escrito, não o criei prepositadamente para a campanha. Foi uma forma de dar um toque meu à campanha: acho que é a primeira vez que a Intimissimi tem alguém a dizer um texto seu. É uma honra terem me dado esta oportunidade.

Escrever e partilhar as tuas palavras é algo que fazes muito…

Acho que as palavras são uma forma muito bonita de chegar às outras pessoas. Cada artista fá-lo à sua maneira. A música chega a muitas pessoas, a representação também, mas neste caso, faço-o com as palavras. Eu até gosto de as partilhar no Instagram, porque as pessoas estão a fazer scroll, a ver só fotografias e de repente deparam-se com um texto, uma coisa positiva, real. E é bom, para que as pessoas não se sintam sozinhas no mundo, para que sintam que há mais pessoas a passar pelas mesmas situações e a sentir as mesmas coisas.


Tu

não tem de ser clichê que és perfeita por aquilo que és,

não tem de passar de moda que a beleza vem do interior

e não são precisos estudos científicos para provar que uma mulher confiante consegue tudo o que quer

És única e cada insegurança tua

tem de fazer de ti mais forte,

tens que saber abraçar

cada traço que o teu corpo te der

e não gostares do que mudou é desaprender.

Tens de gostar de tudo em ti, sem medos,

porque isso sim faz te ti mulher, uma mulher Intimissimi

 

Júlia Palha

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