Menu
Inicio Sexo Será que o seu parceiro tem dismorfia sexual?

Será que o seu parceiro tem dismorfia sexual?

Existe uma nova doença que leva os homens a verem o seu pénis de forma diferente da realidade. Esta dismorfia pode mesmo levar a problemas entre lençóis.

Em média, o pénis ereto mede cerca de 14 cm, tamanho que está a baixo daquele que os homens consideram ser o seu (e só precisam de medir). Num inquérito online que remonta a 2006, mais de 25 mil homens foram questionados e, mais de metade dos participantes revelaram estar insatisfeitos com o tamanho do seu pénis. 45% dos inquiridos afirmaram mesmo que desejavam ter um órgão maior, mesmo estando dentro dos valores médios.

Estas conclusões não são necessariamente surpreendentes. Querer ter um pénis maior é apenas um dos efeitos secundários de viver num mundo que coloca expectativas estranhas sobre as pessoas e no qual os homens devem ter um determinado perfil.

Por vezes, a fixação com o tamanho do pénis e a obsessão com a vontade de o ter maior chega a um ponto em que esse pensamento deixa de ser saudável. Num caso mais extremo, essa preocupação pode mesmo colocar a vida sexual e amorosa do homem em causa.

Já ouviu falar de dismorfia peniana?

Este é um fenómeno relativamente recente e pode ser encarado como qualquer outra dismorfia ao longo do corpo, com a diferença de que este é localizado numa região muito específica do corpo, o pénis. Um homem que olhe para si próprio e tenha um pénis perfeitamente normal e saudável vê o órgão como se fosse totalmente diferente.

Essa dismorfia causa ansiedade, angústia e até depressão, gerando problemas a todos os níveis. Os estudos sobre este problema ainda são poucos e não se trata de um distúrbio que os profissionais de saúde reconheçam, explica Justin Lehmiller, médico e investigador do Kinsey Institute. Um estudo de 2015, publicado na revista científica Archives of Sexual Behaviour foi o primeiro a estabelecer linhas guia que identificam a dismorfia peniana e a diferem do simples desejo de ter um pénis maior.

 

Pénis maior Vs. doença diagnosticada

Para o desejo de ter um pénis maior ser considerado uma doença, esse desejo tem de estar a causar ansiedade “e impactar de forma negativa a função sexual”, explica Lehmiller. Alguns exemplos são a dificuldade em ter uma ereção ou mantê-la.

Ter esta doença pode mesmo impedir um homem de procurar parceiros românticos e, numa segunda fase, pode ser responsável por causar problemas de performance. “Falamos de pessoas cujas preocupações fogem ao seu controlo”, continua o especialista.

A chave deste problema é a perceção. Um homem com um pénis normal deve olhar para esse órgão e entender essa ‘normalidade’. “Uma grande parte do problema está na pornografia, onde recebemos constantemente mensagens sobre tamanhos cada vez maiores e o tamanho do pénis definir a masculinidade. Todas estas questões criam pressão cultural nos homens”.

Estas imagens de homens com pénis de tamanhos totalmente irrealísticos expressas nos filmes pornográficos podem levar a estes transtornos. Dado que a noção de que falamos de uma doença ser um fenómeno recente, ainda não existem estudos nem dados fidedignos sobre o quão comum é este problema e quem tem maior probabilidade para sofrer dele.

“No entanto, suspeito que possa ser mais prevalente em populações mais jovens que tenham sido expostas a pornografia”, comenta Lehmiller. Não estamos, deste modo, a dizer que a pornografia é um mal e que está a fazer com que os homens se virem contra os seus próprios pénis. Mas, acreditar naquilo que os filmes para adultos preconizam – estilo tromba de elefante que mantém uma ereção durante mais de uma hora – é parte do problema.
Diagnóstico e causas prováveis

Se esta questão for deixada por tratar e por diagnosticar, a ansiedade tende a aumentar e a saúde de um homem, até à data, saudável pode estar em risco, especialmente a sua saúde sexual. Este problema pode também levar a tratamentos perigosos e drásticos, muitas vezes ainda em fase experimental, como a cirurgia de aumento peniano que, na grande maioria das vezes, deixa os homens a sentirem-se ainda piores.

Se acha que o seu parceiro pode estar a debater-se com esta questão, relembre-o de que não se importa com o tamanho do ‘material’. Se o problema se mantiver, o melhor é consultar um médico ou um terapeuta sexual.

Artigo via Cosmopolitan

Brand Story