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Sete passos para uma alimentação sem desperdício

O desperdício alimentar continua a ser um dos maiores pecados da humanidade e dos fatores que mais contribui para o mal-estar ambiental.

rótulos alimentos

Produz-se muito, compra-se ainda mais, come-se demasiado e desperdiça-se a uma escala surreal. A alimentação está a ser o calcanhar de Aquiles da saúde ambiental e muito por culpa nossa, que compramos por impulso, comemos por aparências e esquecemos o que realmente nos faz bem.

Segundo o relatório Recomendações de Ação para Prevenção do Desperdício Alimentar, desenvolvido pela Plataforma da União Europeia para as Perdas e o Desperdício Alimentares, “por toda a Europa, estima-se que mais de 50 % do desperdício alimentar (47 milhões de toneladas) provém dos agregados familiares”. A Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) alerta para o facto de um terço da comida produzida estar a ser desperdiçada a nível mundial, revelam os dados de 2011.

Estamos a falar de 1,3 mil milhões de toneladas de comida que é deitada ao lixo todos os anos. Diz a Universidade de Coimbra que, “em Portugal, estima-se que esse desperdício ronde 17% da produção anual de alimentos, equivalendo a cerca de 1 milhão de toneladas”.

A sustentabilidade do planeta depende, em muito, do que colocamos à mesa, do que compramos e, sobretudo, do que é deitado ao lixo. E pequenos gestos diários podem fazer toda a diferença. Sim, não vamos fazer entradas a pé juntos e pedir para que crie já uma horta em casa, que faça compostagem ou que passe apenas a comprar produtos biológicos na mercearia local. Esses são passos a dar a longo prazo e conforme as possibilidades financeiras de cada um. Para já, nada como adotar estratégias simples, econonómicas e eficazes. Para ajudar a fazer a diferença, a nutricionista Daniela Duarte, autora do blogue Agita Kalorias e de um cabaz quinzenal composto por frutas e legumes de produtores locais, dá sete dicas práticas para combater o desperdício alimentar.

1 – “Faça uma sopa em que se coloca quase todas as cascas dos vegetais, como a casca da curgete, da cenoura e até da própria batata. É possível fazer um creme de legumes adicionando todas estas cascas, que é onde existe a maioria da fibra. Se não existir nenhuma doença intestinal, a pessoa pode claramente usar as cascas. Se os alimentos forem cozinhados a alta temperatura não há problema relativamente ao desenvolvimento de microrganismos”.

2 – “Uma vez por semana, dê uma volta ao frigorífico e verifique se há um alimento que se esteja a estragar. Ou seja, verifique os prazos de validade e tente que os primeiros alimentos a utilizar sejam aqueles cujo prazo de validade seja mais curto, vamos até chamar a isto a regra do first in, first out. Uma outra estratégia é colocar uma caixa no frigorífico em que se escreve ‘primeiros alimentos a consumir’, aqueles que se devem usar no prazo de um a dois dias”.

3 – “Pode cortar e congelar abacaxi, pêssego e maçã e usar depois em sumos, smoothies ou bowls. As maçãs ou bananas maduras dão para fazer panquecas ou bolos. Alimentos como tomate, dão para triturar e fazer uma polpa, que pode ser congelada nas cuvetes do gelo e usada apenas quando necessário. O mesmo com as ervas aromáticas, como coentros e manjericão, que podemos triturar e adicionar um pouco de água e colocar nas cuvetes de gelo”.

4 – “Não vá às compras com fome e não compre um alimento só porque está em promoção. Se formos às compras com fome somos aliciados a comprar produtos que, por norma, não estamos habituados a comprar. Acabamos por deixar esquecidos alguns tipos de alimentos e estes acabam por se estragar”.

5 – “Aproveite o caldo de cozer legumes para fazer sopa ou para usar noutras confeções, como para temperar a carne. Para além das várias propriedades e características nutricionais que esse caldo tem, acaba por dar bastante sabor ao que estamos a confecionar”.

6 – “Faça uma caixinha com sobras ou partes de alimentos que não usa, como a casca da cebola, do alho, da abóbora. Coloque-a no frigorífico e quando for cozinhar uma carne pode usar o caldo dessas cascas. Se ferver bem e triturar tudo, tem um caldo de legumes, evitando assim usar os caldos de compra”.

7 – “Deve diminuir o consumo de carne e optar, pelo menos uma vez por semana, por uma refeição à base de vegetais, com leguminosas ou que introduza outro tipos de alimentos. Aqui consegue reduzir um bocadinho a pegada hídrica, reavivar a dieta mediterrânica e consumir mais grão e feijão, que nos últimos anos têm sido esquecidos”.

INFORME-SE, PRATIQUE E AJUDE A MUDAR

Conheça alguns dos projetos que estão a fazer a diferença em Portugal.

FRUTA FEIA (frutafeia.pt)

248 produtores juntaram-se na comercialização de frutas e vegetais que não estão esteticamente apelativos para supermercados, mas que aptos para consumir.

WASTE APP (wasteapp.pt)

Projeto da Quercus que visa facilitar o processo de reciclagem, incluindo excedentes alimentares que possam ser usados em compostagem.

TOO GOOD TO GO (toogoodtogo.pt/pt)

Aplicação que permite comprar a um preço mais baixo alimentos e refeições que sobraram de estabelecimentos comerciais e de restauração.

PHENIX APP (facebook.com/PHENIXPortugal/)

Aplicação para localizar lojas e restaurantes que combatem o desperdício alimentar com a venda de cabazes a preços acessíveis.

ZERO DESPERDÍCIO (zerodesperdicio.pt)

O programa é iniciativa da DARiACORDAR – Associação Para a Recuperação de Desperdício, fundada em 2011 por nove voluntários. Atua na prevenção do desperdício.

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