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Será que ao treinar só musculação perde mamas? Temos a resposta

Desmistifiquemos qualquer réstia de dúvida junto de quem mais sabe.

O testemunho de quem mudou graças ao Crossfit

Longe vai o tempo em que a musculação era vista como uma coisa só para homens. Mas mesmo que a ideia esteja resolvida – há mitos que teimam em permanecer. “As mulheres que querem ver o que é o CrossFit vão à internet ver as mega atletas que treinam 6 ou 8 horas por dia. São atletas profissionais e só vivem para ter resultados desportivos e nada estéticos. Mas a verdade é que os super atletas representam 0,1% daquilo que é a população do CrossFit. A restante população quer condição física geral”, diz-nos Bruno Militão, coach de CrossFit e dono das box CrossFit Alvalade e CrossFit Alvalade Oriente, em Lisboa.

Para defender esta ideia, “é importante esclarecer que a musculação bem feita é a melhor forma de perder peso, mantendo massa magra, e, por vezes, perdendo volume corporal, o que melhora a aparência física da mulher”, garante Bruno Militão.

“É importante conhecer a realidade, a diversidade de uma comunidade que procura um estilo de vida saudável onde o pilar da saúde é muito importante”, acrescenta Luís Bickman, coach na box CrossFit Cais, em Setúbal. “As pessoas informam-se cada vez mais e começam a descobrir o potencial do CrossFit para o bem-estar físico e mental”, diz-nos, certo de que esta mudança de mentalidades tem vindo a afastar tais mitos.

“ESTE EXERCÍCIO É PARA HOMENS”

O ‘medo’ de ficar com um corpo demasiado musculado, perder mamas ou ficar com os ombros muito largos são os receios que mais frequentes.

“Ouço muitas questões algo ‘descabidas’, mas todas são, de facto, uma preocupação genuína e o nosso papel está em garantir que quem nos procura seja corretamente apresentada à modalidade”, esclarece Bickmann.

“É óbvio que há diferenças na composição corporal entre géneros assim como também há diferenças dentro do próprio género”. Esta é a mensagem que Bruno Militão faz por passar às alunas que veem certos exercícios como ‘só para homens’.

“VOU TREINAR NUM GINÁSIO NORMAL E QUANDO ESTIVER EM FORMA VENHO FAZER CROSSFIT”

‘What?!’ é a reação do coach do CrossFit Alvalade quando ouve este argumento por parte de quem receia os treinos de ‘musculação extrema’, digamos assim. Mas porquê? “O CrossFit é uma metodologia de treino e por sinal a mais completa e adaptada de todas”, garante Militão. “Cada pessoa tem as suas características. Mas movemo-nos todos da mesma forma”. Géneros à parte, o corpo muda com o treino. Uma pessoa que corra irá, à partida, ser mais magra, pois perde massa gorda, mas perde também músculo. Pelo contrário, alguém que treine musculação, irá ganhar um corpo mais tonificado, de acordo com os exercícios que pratica. Esta é a visão mais generalizada. Mas sobre o corpo humano e as mudanças que possam advir dos treinos, generalização é uma ideia que deve ser posta de parte.

“Há cada vez mais evidência científica de que o treino aeróbico não é o mais importante para a ‘gestão da gordura corporal’”, começa por apontar Rui Garganta, docente na Faculdade de Desporto da Universidade do Porto, onde se foca, enquanto área de lecionação e investigação, na Avaliação e Prescrição de Exercício Físico, numa perspetiva de saúde.

É certo que um tipo de exercício não pode ser exclusivamente associado a um só resultado, até porque, embora possamos moldar o nosso corpo com base na musculação, “a genética não é democrática, nem todos têm a mesma facilidade em ganhar músculo ou perder gordura”, reconhece Rui Garganta.

“O homem, em média, tem mais músculo que a mulher”, aponta o docente da Universidade do Porto. Vejamos um exemplo prático, baseado numa calculadora que estima a percentagem de massa gorda*. Um homem com 25 anos, 160 cm de altura, 70 kg e um Índice de Massa Corporal de 27,3, terá 22% de massa gorda. Já uma mulher com a mesma idade, peso, altura e IMC, terá 35% de massa gorda.

Em relação à forma do corpo, “uma caraterística que a condiciona é o tipo de deposição preferencial de gordura”, refere Rui Garganta, que aponta a distribuição de gordura ginoide mais comum na mulher (obesidade periférica) e a androide mais comum no homem (obesidade central). Mas se por um lado a perda de gordura é normalmente mais difícil para as mulheres, “é normal vermos mulheres a levantar mais peso do que eles em certos exercícios. É que o CrossFit é muito completo e por norma as mulheres têm mais facilidade no que toca à mobilidade”, ressalva Bruno Militão. De facto, e como acrescenta Luís Bickmann, “a base do CrossFit são os movimentos funcionais e a melhoria da nossa capacidade em realizá-los.

Os treinos são prescritos e orientados nesta base, tornando a modalidade segura e acessível a todos”.

MENOS EXPETATIVAS, MELHORES SURPRESAS

Queremos terminar este artigo a desafiá-la a experimentar uma aula de CrossFit. Sem medo do que tal possa fazer ao seu corpo. “As mulheres entram sempre com menos expectativas, numa postura de ‘vamos lá ver o que é isto’ e ‘será que é para mim?’. Como tal, são normalmente elas que se dão melhor”. É que, “a nível motivacional, a sensação de ‘eu consigo’ acaba por ser muito maior, pois nunca imaginaram serem capazes de fazer certas coisas”, remata Bruno Militão.

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