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Saúde Íntima e Infeções Vaginais – O que preciso saber?

Com o verão à porta, também as infeções vaginais se tornam mais frequentes, pelo que é importante a adoção dos cuidados base!

POR: Dr.ª Patrícia Isidro Amaral, Ginecologista no Hospital da Luz com especialidade em Ginecologia-Obstetrícia


Será que uma correta higiene íntima pode reduzir o risco de algumas infeções vaginais? A resposta é SIM. Apesar de este tema das infeções vaginais e higiene íntima ser cada vez mais abordado, ainda existem vários mitos e más práticas que podem ser corrigidas, prevenindo a ocorrência de infeções ou sintomas vulvovaginais não infeciosos, mas que causam incómodo e impacto na qualidade de vida da mulher.

E sobre a higiene íntima feminina o que devemos saber? As boas práticas em relação à higiene devem ser iniciadas logo desde pequeninas sendo transmitidas pelos pais/avós/ cuidadores ou familiares próximos. São estes hábitos enraizados que se irão perpetuar ao longo da vida, e depois ensinados às gerações seguintes.

A higiene íntima refere-se à limpeza da vulva, vagina e região perianal, que apresenta um pH mais baixo que a restante pele do corpo. No entanto, e dependente dos níveis hormonais, existem alterações de pH ao longo da vida da mulher. Mantermos um pH estável e adaptado à fase da vida da mulher vai permitir evitar alguns desconfortos dos genitais e mesmo algumas infeções. As queixas mais habituais são o prurido ou comichão, a sensação de ardor e irritação, muitas vezes acompanhadas por corrimento vaginal, que poderá ter um cheiro desagradável.

“A higiene deve ser realizada em média duas vezes ao dia, sendo prejudicial “lavar demais ou de menos”!

Deve ser realizada externamente com a mão, fazendo movimentos da frente para trás, com água corrente e um produto de higiene íntima em gel, adaptado à fase da vida da mulher. É recomendado a utilização de um produto específico com ácido láctico para permitir regular o pH da zona íntima, e manter uma flora vaginal saudável e equilibrada. O gel de banho não apresenta as características adequadas à higiene da zona íntima.

Também importante para a saúde íntima é a utilização de roupa interior de algodão já que o algodão apresenta um maior poder de absorção, e é menos alergénico. É normal a mulher ter corrimento, sendo a quantidade muito variável de mulher para mulher. Desde que o corrimento não apresente um cheiro intenso e desagradável, e não cause sintomas como comichão ou ardor, o corrimento é considerado fisiológico.

E será que as nossas avós tinham razão quando nos diziam para dormir sem roupa interior?

SIM… está recomendado dormir sem roupa interior e utilizar no dia-a-dia roupa larga, de forma à zona íntima poder estar mais “arejada”. A utilização de pensinhos diários por rotina também deve ser evitada, podendo ser usados, por exemplo, nos últimos dias da menstruação. Durante a menstruação, a substituição do penso/tampão ou copo menstrual deve ser realizada várias vezes ao longo do dia. O fato de banho molhado, também deve ser trocado por um seco, já que os fungos aumentam o seu crescimento em ambientes quentes e húmidos, aumentando o risco de infeção.

E quais as infeções vaginais mais frequentes? A Candidíase vulvovaginal, a Vaginose Bacteriana e a Tricomoníase são as três infeções vaginais mais frequentes.

A Candidíase trata-se de uma infeção causada por um fungo cujos sintomas mais frequentes são a comichão intensa, a sensação de ardor e dor nas relações sexuais

A Candidíase trata-se de uma infeção causada por um fungo cujos sintomas mais frequentes são a comichão intensa, a sensação de ardor e dor nas relações sexuais, vermelhidão e eventual inchaço da vulva, habitualmente acompanhados por um corrimento branco espesso. O pH vaginal nesta infeção é tipicamente inferior a 4,5. E porque é importante esta característica? Porque existe no mercado esta ferramenta, que em caso de não ser possível ser observada pelo médico, puoer orientar o diagnóstico. O tratamento de primeira linha na Candidíase que surge em mulheres sem fatores de risco e de forma esporádica é realizado por aplicação local com um creme ou óvulos antifúngicos ou por via oral com comprimidos. No caso das Candídiases Vulvovaginais em mulheres com fatores de risco ou recorrentes, os tratamentos já são mais prolongados.

A Vaginose Bacteriana é a segunda infeção vaginal mais frequente. Está associada a uma alteração do equilíbrio da flora vaginal, sendo o principal sintoma a presença de um corrimento vaginal branco/acinzentado, aquoso com mau cheiro, muitas vezes sendo descrito como “cheiro a peixe”, que habitualmente fica mais intenso após a menstruação e as relações sexuais, não sendo acompanhado de comichão vulvar. Neste caso o pH vaginal é superior a 4,5. O tratamento da Vaginose pode ser feito localmente com óvulos ou creme vaginal, ou com comprimidos por via oral, com fármacos direcionados ao tratamento desta infeção. A utilização de formulações de ácido lático e glicogénio que reequilibram a flora vaginal com a reposição do pH fisiológico, podem também ajudar, abreviando o controlo dos sintomas, nomeadamente do corrimento com cheiro fétido.”

A Tricomoníase é uma infeção sexualmente transmissível, causada por um parasita

Por último, a Tricomoníase, trata-se de infeção causada por um parasita, e ao contrário da Candidíase e da Vaginose Bacteriana, esta infeção é sexualmente transmissível, sendo, portanto, obrigatório que o parceiro sexual também seja tratado. Os sintomas principais são a presença de um corrimento vaginal abundante com mau cheiro, podendo ser acompanhado de comichão, dor e ardor a urinar. Poderá também estar presente vermelhidão da vulva. Nesta infeção, o pH vaginal é superior a 5. O tratamento é feito por comprimidos por via oral, com efeito antiparasitário.

Com o verão à porta, também as infeções vaginais se tornam mais frequentes, pelo que é importante a adoção dos cuidados base!

Artigo escrito por Patrícia Isidro Amaral, Ginecologista no Hospital da Luz

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