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Este é o problema que as mulheres jamais devem ignorar

incontinência urinária

Todas já ouvimos falar em incontinência urinária. Mas, sejamos honestas, associamos quase sempre este problema a pessoas com mais idade. Mas não devíamos!

De acordo com Vanessa Vilas Boas, urologista no Hospital Vila Franca de Xira e CUF Miraflores, a perda de involuntária de urina pode afetar qualquer mulher. E em qualquer momento da vida adulta.

Uma das soluções está no exercício físico

No caso do sexo feminino, diz a especialista, a incontinência urinária surge de três formas distintas. Cabe pois à mulher prestar atenção aos sinais que o corpo dá e adotar hábitos que permitam controlar a situação. E o exercício físico é um dos maiores aliados.

A sensação de vergonha e a procura tardia de ajuda médica são duas constantes. Porém, nada mais fazem do que agravar o impacto que o problema tem na qualidade de vida. E as consequências (incluindo na vida sexual) podem ser maiores do que o esperado.

A especialista explica à Women’s Health tudo o que as mulheres devem saber sobre este problema. Afinal, “esta é a típica situação que não mata, mas mói muitíssimo”.

Quais são as principais causas da incontinência urinária nas mulheres?

Incontinência urinária é a perda involuntária de urina pela uretra. Existem outras situações nas quais também podem ocorrer perdas de urina, mas que não se incluem nesta definição. Falamos de casos como as fístulas urinárias, com mecanismos subjacentes muito diferentes.

Este é um problema frequente que afeta ambos os sexos e que pode ocorrer em qualquer grupo etário. Mas é mais prevalente no sexo feminino. Estima-se que cerca de 33% das mulheres com mais de 40 anos sofra deste problema.

As suas causas são várias, pelo que esta constitui não uma doença em si, mas sim um sintoma de uma patologia que a provoca e que poderá ou não ser acompanhada por outros sintomas. Do mesmo modo, surge num amplo espetro de gravidade, desde as perdas ligeiras e ocasionais a perdas diárias e abundantes.

Os principais tipos de incontinência urinária na mulher são a incontinência de esforço, a incontinência por urgência ou imperiosidade e a incontinência mista.

A mais frequente é incontinência urinária de esforço, na qual as perdas ocorrem durante a atividade física, como correr ou praticar desporto, ou mesmo com esforços menores, tais como rir, tossir ou espirrar.

Tal deve-se ao enfraquecimento dos músculos do pavimento pélvico, que suportam os órgãos urogenitais e auxiliam o encerramento da uretra sob esforços. Mais raramente pode surgir também disfunção do próprio esfíncter uretral.

A incontinência por urgência ou imperiosidade ocorre devido à contração súbita e involuntária do músculo da parede da bexiga, acompanhada por uma vontade urgente de urinar que não se consegue controlar.

A perda de urina ocorre mesmo em repouso e é imprevisível. Existem inclusive situações que a podem precipitar, tais como ouvir ou mexer em água ou no momento de abrir a porta de casa.

Consequências no quotidiano

Este tipo de incontinência compromete gravemente a qualidade de vida. É que o medo que tal ocorra em locais inadequados condiciona as atividades diárias e dita comportamentos específicos, tais como planear o trajeto que se faz consoante o numero de casas de banho que existem.

Em quase 30% das mulheres com incontinência urinária ocorrem simultaneamente estes dois tipos de perdas, designando-se por incontinência mista. Neste caso, as causas subjacentes a cada uma delas coexistem pelo que é das três a que mais prejudica a qualidade de vida.

No sexo feminino, quais os principais grupos de risco?

Os grupos de risco variam consoante o tipo de incontinência urinária, porém globalmente o grupo mais afetado são as mulheres após a menopausa, já que o envelhecimento está associado a ambos os mecanismos fisiopatológicos descritos.

No caso especifico da incontinência de esforço a obesidade, a gravidez e o parto vaginal, sobretudo se múltiplo, são fatores de risco comuns. Alguns tratamentos como radioterapia ou cirurgia pélvica poderão estar associados a ambos os tipos de perdas de urina

Além da perda involuntária de urina, a que outros sintomas devem as mulheres prestar atenção?

A incontinência urinária pode surgir associada a outros sintomas que são sinal de alarme para outras doenças. O ardor miccional ou dor supra-púbica sugere uma infeção urinária concomitante, a qual pode inclusive desencadear a incontinência por urgência que surge de novo.

A presença de sangue na urina também pode ser notada em casos de cistite, porém pode ser sinal de doenças mais graves, como os tumores da bexiga, e obrigam a avaliação complementar.

A sensação de ‘peso’ ou de ‘massa’ na vagina é um sintoma típico de prolapso de órgãos do pavimento pélvico, como o cistocelo, vulgarmente conhecido como ‘bexiga descaída’. A fisiopatologia pode ser comum à das perdas de urina e o seu tratamento complementar.

Outros sintomas a ter em atenção são a obstipação e incontinência fecal, cuja presença aponta para mecanismos fisiopatológicos distintos

Que cuidados devem ter perante este problema de saúde?

As mulheres com incontinência urinária deverão acima de tudo procurar a ajuda do seu médico assistente. Apesar de muito frequente, esta patologia é frequentemente ocultada por quem dela padece e apenas uma minoria procura ajuda médica. Fatores como vergonha, aceitação ou crença de que se trata de algo normal no processo de envelhecimento ou desconhecimento de tratamento são as causas mais comuns.

O tratamento precoce previne danos secundários, tais como as dermatites pelo uso de fraldas. Previne também os danos psicológicos associados à insegurança e deterioração da autoestima e qualidade de vida.

Outros cuidados importantes são manter uma boa hidratação diária, já que há a tendência para reduzir a ingestão de água com o intuito de diminuir as perdas de urina. Tal pode espoletar outros problemas de saúde, assim como manter uma vida ativa e alimentação equilibrada de forma a evitar a obesidade e a obstipação.

No caso da pratica exercício físico, o que deve fazer para prevenir e controlar?

Não existe atualmente evidência de que a prática de exercício físico, mesmo que extenuante, predisponha ao desenvolvimento de incontinência urinária nos anos seguintes.

Na verdade, estudos demonstram que a prática de exercício moderado está associada a taxas mais baixas de incontinência urinária em mulheres de meia-idade ou idosas. Sendo assim, a prática de exercício físico regular é recomendada, até porque ajuda a combater outros fatores de risco como a obesidade e a obstipação.

Os exercícios de fortalecimento do pavimento pélvico ou exercícios de Kegel são habitualmente recomendados às mulheres antes e após o parto como forma de prevenir ou atenuar a incontinência urinária de esforço da puérpera. Estes, também devem ser regularmente realizados por quem pratica desporto.

Outras recomendações são urinar sempre antes da prática do exercício físico. Consoante a duração e intensidade do mesmo, pode eventualmente ser útil reduzir a ingestão de água nas duas horas antecedentes, contando obviamente que se faça a reposição hídrica adequada após o treino

Em que se baseia o tratamento mais comum?

O tratamento dos vários tipos de incontinência urinária tem evoluído muitíssimo. Atualmente, é possível tratar a maioria dos casos, com taxas de sucesso muito elevadas.

Este deve ser individualizado consoante o tipo de incontinência urinária e as características do doente. Contudo existem algumas medidas simples que ajudam a minimizar as perdas de urina a ser implementadas em todos os casos. Manter um peso adequado à estatura e promover o bom funcionamento do intestino são os primeiros passos.

No caso da incontinência urinária de esforço as medidas não invasivas passam pela reabilitação do pavimento pélvico. Tal passa pelo ensino e prática de exercícios especializados cujo objetivo é o fortalecimento dos músculos que o constituem.

Em casos de incontinência ligeira estas medidas podem ser eficazes para resolver ou reduzir as perdas a um nível aceitável.

Em casos mais graves ou na falência das medidas não invasivas, a incontinência urinária de esforço na mulher pode ser tratada com sucesso mediante procedimentos cirúrgicos minimamente invasivos. Falamos da colocação de fita sub-uretral, associada a uma baixa taxa de complicações, rápida recuperação pós-operatória e resultados imediatos.

Na incontinência urinária de urgência, é também importante reconhecer e identificar alimentos que possam ter um efeito irritante na bexiga. Álcool, café ou citrinos, os quais, mediante a suscetibilidade individual do doente, podem precipitar ou agravar as perdas. Este tipo de incontinência tem também tratamento farmacológico. Existe fármacos que induzem o relaxamento ou inibem a contração do músculo da bexiga.

Em caso de falência do tratamento oral, poderá ser necessário a injeção de substâncias na própria parede da bexiga. Em última instância, recorre-se à neuro-modulação, mediante implantes que visam modelar o controlo neural da bexiga.

Em que medida este problema afeta a autoestima da mulher?

Esta é a típica situação que não mata, mas mói muitíssimo. A necessidade do uso de pensos ou mesmo de fraldas, o receio do odor associado e a vergonha afetam a autoimagem. É isto que contribui essencialmente para o isolamento da mulher.

Particularmente no caso da incontinência por urgência e mista, a imprevisibilidade das perdas molda o desempenho individual. Assim, desenvolvem-se comportamentos de evicção de eventos sociais e de outras atividades, como a prática de exercício físico, viagens ou uma ida ao cinema.

Também do ponto de vista profissional pode haver dano. Tal acontece se a atividade implica algum esforço físico ou permanência num posto de trabalho por períodos fixos. O acesso limitado à casa de banho é também um problema.

Todos estes elementos conduzem à deterioração da qualidade de vida da mulher.

A vida sexual pode ficar, de algum modo, penalizada?

A esfera sexual é uma das vertentes da vida da mulher que fica mais precocemente afetada e por vários motivos. Existe o medo de perdas de urina durante a atividade sexual, levando a mulher a evitar a intimidade. Alem disso, a autoestima diminui, a confiança perde-se e o humor depressivo conduz à perda da libido e desinteresse sexual.

Instala-se então um mecanismo de reforço negativo. Neste, a perda da intimidade reduz ainda mais a autoestima criando-se um círculo vicioso que urge reabilitar.

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