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Sara Pinto sobre o Crossfit: “Venham experimentar e não tenham medo”

A atleta de Crossfit falou com a WH sobre o seu percurso na modalidade e a relação com o seu corpo.

Santa Maria da Feira, 29/09/2021 - Sara Pinto, desportista de crossfit. (Maria João Gala/Global Imagens)

O percurso de Sara Pinto no Crossfit começou há alguns anos, mesmo antes de existirem boxes em Portugal. “Treinava num ginásio, onde fazia musculação e aulas de grupo. Eu achava que estava bem fisicamente, vi que ia acontecer uma competição em Catanhede e eu e outra rapariga decidimos inscrever-nos. No dia a seguir acordei toda partida. Mas é o facto de ter exercícios diferentes e também diferentes métodos de treino que faz com que seja apaixonada pelo Crossfit”, diz.

Sara sempre gostou do lado competitivo e diz que treinar por treinar é algo que não lhe dá gozo. Ao longo do seu percurso tem conquistado vários títulos, a maior parte deles nacionais. “Não existe uma entidade que organize estas competições. Existem grupos que se juntam e organizam uma prova. A maior parte das provas em que participo vou como individual, esporadicamente vou em equipa. A maior competição internacional é o Crossfit Games, onde a atleta entrevistada já participou em várias edições.

Além do Crossfit, Sara é militar da GNR e é mestre em Educação Física. No seu dia-a-dia tem de ajustar os treinos em relação ao seu trabalho. “Em dia de folga, assim que acordo tomo o meu pequeno-almoço que tem de ser os meus ovos mexidos, porque se comer outra coisa passado uma hora já estou com fome. Depois venho para a Box e treino entre uma a duas horas, vou almoçar e regresso às quatro e treino durante mais uma ou duas horas. Em média treino três a quatro horas por dia entre aquecimentos”, explica acrescentado que tem sempre um dia de descanso que normalmente é ao domingo.

A motivação e o fascínio por esta modalidade vêm do espírito competitivo e do facto de se conseguir evoluir rápido. É como se fosse uma sensação de superação e de “olhar para trás e pensar que há uns meses não conseguia fazer isto, mas agora já consigo”, diz. Além disso, Sara refere que o ambiente da comunidade é muito diferente dos outros. “Não é apenas ir para o ginásio, fazer o meu treino e ir-me embora. Existe amizade dentro desta comunidade”, explica.

O equilíbrio necessário

Sara diz não seguir nenhum ritual antes das competições. “Existem pessoas que ficam preocupadas com a alimentação e eu acho que esta deve ser aquilo que é nos outros dias, porque numa competição já existe o nervosismo típico e se formos alterar a rotina ainda vai ser pior. Eu quero é aproveitar e divertir-me”, explica. No que toca à alimentação Sara escolhe a simplicidade, porque a sua preocupação não é com o físico, mas sim com a performance. “Não tenho aquela preocupação em cortar nos hidratos, eu preciso deles para ter energia. Eu como de tudo, mas claro que não exagero – não vou comer uma francesinha para depois ir treinar, porque sei que depois vou gastar tudo”, conta.

Santa Maria da Feira, 29/09/2021 – Sara Pinto, desportista de crossfit.
(Maria João Gala/Global Imagens)

Crossfit e o corpo feminino

Apesar de ser uma modalidade onde se vê mais homens, Sara diz nunca ter sentido qualquer tipo de discriminação. “Levo determinados comentários na brincadeira. Muitas vezes entram mulheres aqui de outros ginásios que dizem que querem experimentar Crossfit, mas depois apontam para mim e dizem que não gostavam de ficar com um corpo igual ao meu”, refere.

Apesar destes comentários, Sara diz ter lidado bem com as transformações do seu corpo, pois considera a ideia de que esta modalidade não deixa o corpo feminino totalmente errada. “Esta questão depende dos gostos de cada um. Para mim isto é um corpo feminino bonito. Aliás, o que é que é um corpo feminino?”, questiona. “Às vezes até fico chateada quando entro na Box e me dizem que estou mais magra, porque é muito fácil perder massa muscular”, acrescenta.

Por isso, o conselho para todas as mulheres que têm curiosidade nesta modalidade é que “venham experimentar e não tenham medo. Muitas pessoas chegam aqui com receio e depois acabam por gostar. E não vão ficar super musculadas, isto não funciona assim! Este tipo de corpo exige muitos anos de dedicação, não se clica num botão e ficamos enormes”, afirma.

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