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Salicórnia? Saiba tudo sobre este aliado na diminuição do sal

Conheça as vantagens desta planta para a sua saúde.

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A salicórnia é uma planta que possui a propriedade de se desenvolver em ambientes com elevada salinidade (planta halófita). Assim, cresce naturalmente em zonas costeiras, lagos, pântanos e rias.

Durante muitos anos foi conhecida como a praga das salinas, sendo considerada uma erva daninha, mas reapareceu como um produto gourmet, principalmente utilizado em saladas, sopas e pratos de peixe. Por ter um aspeto semelhante aos espargos, também é designada “espargo do mar”. Pode ser ingerida desta forma, mais natural, usando os seus caules suculentos. O sabor salgado que os caules apresentam deve-se à absorção direta do sal do meio onde se desenvolve.

O “sal verde”, que resulta da sua desidratação e trituração, é um pó salgado, que tem um teor de cloreto de sódio muito inferior ao que habitualmente se usa na cozinha – a salicórnia tem um teor de sódio 75% mais baixo comparado com o sal comum, sendo que cinco gramas deste produto alimentar contêm um teor de sódio de 50 mg.

Sabemos que o consumo de sal excessivo é uma grande preocupação de saúde pública. Tal leva ao desenvolvimento de doenças crónicas, nomeadamente cardiovasculares, uma das principais causas de morte em Portugal.

Assim, todos no geral e especificamente quem sofre de problemas de hipertensão arterial, tem na salicórnia uma excelente alternativa para diminuir ou até mesmo eliminar a ingestão de sal, mas sem com isso retirar o sabor às suas refeições.

O sódio é um mineral essencial ao organismo, sim, mas não esqueçamos que cinco gramas por pessoa é a quantidade máxima diária recomendada pela Organização Mundial de Saúde. Não esqueçamos ainda que a ingestão excessiva de sal pode resultar em pressão arterial alta, AVC, insuficiência cardíaca, retenção de líquidos, pedras nos rins, entre tantos outros efeitos indesejados.

É importante referir que a relação sódio-potássio, isto é, o controlo dos seus níveis no nosso organismo, é de extrema importância, visto que todo o funcionamento das células, tecidos e órgãos fica comprometido se a concentração destes minerais não se encontrar nos parâmetros normais. Felizmente este controlo é efetuado de uma forma muito eficaz pelos rins.

Tendo em atenção que mais do que 75% do sódio de que necessitamos existe nos próprios alimentos, apenas precisamos de adicionar uma pequena parte para completar as necessidades diárias do nosso organismo.

Quanto aos alimentos, não têm todos a mesma quantidade de sal: as frutas, os cereais e derivados e as leguminosas não têm praticamente este elemento na sua constituição, sendo os laticínios e a carne, o pescado e os ovos, os mais ricos. A maioria dos hortícolas apresenta também reduzidos níveis de sódio, exceto o aipo, os espinafres e outras hortaliças de folha verde que apresentam algum conteúdo. A somar a esta questão há o facto de os alimentos ricos em sódio serem também os mais pobres em potássio, ou seja, o desequilíbrio fica duplamente agravado quando ingerimos em excesso determinados produtos.

Os alimentos mais “interessantes” para o consumo humano são aqueles que não contêm rótulo, ou seja, aqueles que se consomem no seu estado natural, alimentos simples, não processados.

É importante referir que a salicórnia tem um teor interessante de potássio.

Foquemo-nos então na parte nutricional, porque há de facto outras vantagens no uso da salicórnia na cozinha em detrimento do sal convencional. Além da vantagem clara pela redução do teor de sódio na culinária, de que já falámos, a salicórnia parece apresentar benefícios adicionais devido ao seu teor em compostos bioativos (p. ex.: esteróis, ácidos hidroxicinâmicos), ácidos gordos polinsaturados, fibra e minerais (p. ex.: ferro, potássio, cálcio) e em vitaminas como A, B e C.

Voltemos agora à história da salicórnia: se, quando surgiu, estava praticamente confinada à cozinha gourmet, cada vez mais é usada na cozinha de cada um, no dia-a-dia. Quem usa esta planta para temperar a comida diz que se adapta tanto ao peixe como à carne e também melhora pratos vegetarianos, mas não há como experimentar!

A salicórnia surge, assim, cada vez mais como um excelente substituto saudável ao sal tradicional. Quer seja fresca, seca ou moída, é ideal para temperar e condimentar os mais variados pratos, dando-lhes ao mesmo tempo maior valor nutricional.

Já agora, uma curiosidade interessante: os tais cinco gramas de sal correspondem a 1 colher de chá do sal comum, já no que respeita à salicórnia desidratada (através de um processo de secagem patenteado, não em pó), 200g são a quantidade que contém os mesmos cinco gramas de sal. Assim, podemos corrigir o tempero com alguma tranquilidade.

Interessa ainda explicar como se deve usar: espalhando este tempero uniformemente sobre a o tofu, o seitan, a carne ou o pescado, de ambos os lados e de maneira a cobrir a totalidade da superfície. Pode também ser utilizado em marinadas, estufados, caldeiradas e outros pratos de panela. Como não dilui como o sal, podemos ir corrigindo o tempero, provando e adicionando mais caso seja necessário, até estar a gosto. E porque não, para variar, misturar com ervas aromáticas como a salsa ou os coentros?

Termino com uma chamada de atenção: na alimentação o equilíbrio é o mais importante e convém lembrar que, apesar de ter uma menor quantidade de sódio do que o sal, a salicórnia também é uma fonte de sódio. Assim, usemo-la com moderação.

Texto de Ana Bravo, nutricionista

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