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Os riscos do excesso de proteína (seja pela alimentação ou pela suplementação)

É de realçar que uma dieta equilibrada e variada com as quantidades adequadas de macronutrientes e micronutrientes é, em muitos casos, suficiente para suprir as necessidades nutricionais.

Dra. Ana Rita Lopes
proteína

Nos dias de hoje, é cada vez mais demarcada a procura por um corpo ‘esteticamente perfeito’, onde diversas pessoas testam dietas e regimes alimentares de múltiplas caraterísticas, na esperança de atingir um novo nível de bem-estar ou desempenho físico, como é o caso dos atletas.1

Os atletas que se regem por esta procura acabam, em determinadas circunstâncias, por colocar em risco a sua saúde no percurso que o leva à ascensão do seu esperado objetivo, ultrapassando os limites não só nas suas necessidades alimentares, mas também nos exercícios físicos.1

A alimentação de um atleta é diferenciada dos outros indivíduos, na medida em que estes dispõem de um gasto energético relativamente superior e de necessidades de macro e micro nutrientes modeladas ao tipo, intensidade e duração da prática desportiva.2 e 3

A alimentação desempenha, desta forma, um papel fulcral na performance desportiva e no aumento de massa muscular, porém, ainda permanece a dúvida sobre se uma alimentação equilibrada e de qualidade, sem recorrer a suplementação, será suficiente para atingir as necessidades nutricionais dos desportistas, especialmente em atletas de competição.

Os atletas acreditam que a ingestão de proteína adicional aumenta a força e melhora o desempenho, mas estudos comprovam o contrário, observando-se que a pequena quantidade de proteína necessária para o desenvolvimento muscular durante o treino é facilmente atingida através de uma alimentação equilibrada, sem necessitar de recorrer a suplementos.2 e 3

Para este grupo de pessoas interessadas em aumentar a massa muscular, quer sejam atletas profissionais ou não, existe muitas vezes a perceção de uma necessidade proteica intensamente aumentada, podendo chegar a situações em que o consumo atinge valores compreendidos entre 2,5 a 3,5 g de proteína por quilograma de peso corporal por dia e em que grande parte é ingerida na forma de suplementos.2

O objetivo de um atleta de endurance, do ponto de vista proteico, será ingerir uma quantidade suficiente de proteína, que assegure a síntese e regeneração proteicas que decorrem do próprio treino e, compensar a perda de leucina (um aminoácido essencial que é oxidado em quantidades apreciáveis durante exercícios de endurance). As recomendações de ingestão diária de proteína, para um atleta de endurance, são de 1,2 a 2,0 g de proteína/kg de peso corporal, sendo estas recomendações superiores aos valores da população em geral, 0,8 a 1,0 g/kg/dia.2

De uma forma sintetizada, os objetivos da ingestão proteica são:2, 3 e 4

  • Reparar e substituir proteínas danificadas pelo exercício físico ao nível do músculo-esquelético, ossos, tendões e ligamentos;
  • Manter uma função ótima de todas as vias metabólicas que utilizam aminoácidos;
  • Permitir o aumento da massa muscular, através da síntese proteica;
  • Permitir melhorar a função do sistema imunitário;

É importante referir que as recomendações de ingestão proteica em atletas conseguem, de uma forma geral, ser atingidas exclusivamente através da alimentação, ou seja, sem o uso de suplementos de proteínas ou aminoácidos. Devido à elevada ingestão proteica dos praticantes de desporto, muitas vezes de forma indiscriminada e sem acompanhamento por parte de profissionais de saúde, o possível impacto deste comportamento na saúde dos atletas tem sido alvo de estudo, sobretudo ao nível da massa óssea e da função renal3

A ingestão excessiva de proteína pode levar a:3,4 e 5

  • Um aumento de produção de ureia, resultando numa maior necessidade de ingestão de água para a sua excreção pela urina
  • Problemas renais e hepáticos
  • Osteoporose
  • Cálculos renais

Desta forma, antes de adquirir qualquer suplemento é importante considerar os objetivos da prática desportiva, o seu estado de saúde, as exigências da modalidade e o custo-benefício do uso de suplementação. Sobretudo, é importante aconselhar-se com um profissional especializado em nutrição desportiva, que terá em conta todos estes fatores e delineará um plano alimentar adequado aos seus objetivos, sem comprometer o seu estado de saúde e avaliando a necessidade ou não de recorrer a suplementação nutricional.

É de realçar que uma dieta equilibrada e variada com as quantidades adequadas de macronutrientes e micronutrientes é, em muitos casos, suficiente para suprir as necessidades nutricionais, garantir um organismo saudável e um bom desempenho físico.

 

Bibiografia:

  1. Maragon, A. F. C., & Melo, R. A. (2004). Consumo de Proteínas e Ganho de Massa Muscular. Universitas Ciências da Saúde, 2(2), 281-290.
  2. Sousa, M., Teixeira, V., Graça. P. (2016) Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável Nutrição no Desporto. DGS, 15-18
  3. Tarnopolsky, M. (2004). Protein requirements for endurance athletes. Nutrition, 20(7-8): p. 662-668. https://jissn.biomedcentral.com/articles/10.1186/1550-2783-4-8
  4. Paiva, A. D. C., Alfenas, R. D. C., & Bressan, J. (2007). Efeitos da alta ingestão diária de proteínas no metabolismo. Rev Bras Nutr Clin, 22(1), 83-8.
  5. Terada, L. C., de Godoi, M. R., Silva, T. C. V., & Monteiro, T. L. (2009). Efeitos metabólicos da suplementação do Whey Protein em praticantes de exercícios com pesos. Revista Brasileira de Nutrição Esportiva, 3(16), 3.

 

A especialista

ana rita lopes

Ana Rita Lopes, nutricionista e cordenadora da Unidade de Nutrição Clínica do Hospital Lusíadas Lisboa

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