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Tudo o que deve saber sobre superalimentos

Muito se fala de superalimentos, é um facto, mas a crescente informação (ou falta dela) pode tornar o tema confuso. Aqui irá tirar todas as dúvidas.

Tudo o que deve saber sobre superalimentos
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Muito se fala de superalimentos, é um facto, mas a crescente informação (ou falta dela) pode tornar o tema ainda mais confuso, especialmente quando entram na discussão nomes um tanto ou quanto estranhos.

E se pensa que os superalimentos são apenas aqueles que se comercializam em pó, fique desde já a saber que está enganada. Existem muitos alimentos comuns do dia-a-dia que apresentam ‘poderes’ suficientes para serem classificados como super.

“Os chamados superalimentos como as frutas, legumes ou sementes têm vindo, nos últimos anos, a ganhar terreno e importância na lista de compras dos consumidores”, começa por explicar Patrícia Rufino, nutricionista na PronoKal.

Mas antes de encher o cesto de compras de alimentos que considera serem ‘super’, “é importante ter em conta que a oferta alimentar que nos chega através das vastas prateleiras das superfícies comerciais, é, na maioria das vezes, pobre em nutrientes e vitaminas, com alimentos, cujos princípios nutricionais, não são recomendados como é o caso dos alimentos processados, pré-cozinhados, refinados, etc. Os doces, salsichas, ou açúcares são exemplo disso, onde teor de sal ou gorduras saturadas é aumentado, relativamente aos alimentos frescos”.

Para acabar com todas as dúvidas (ainda) existentes, a nutricionista decidiu responder às questões que continuam a inquietar e que levam muitas pessoas a olhar com ceticismo para os superalimentos.

 

1. O que têm de especial sobre os superalimentos?

“Caracterizados pela presença de princípios nutritivos, como vitaminas, minerais, fibras, antioxidantes e fito nutrientes, os superalimentos vêm da natureza e não passam pelos processos industriais, onde os seus princípios ativos são perdidos. Vários estudos afirmam que, por exemplo, os pigmentos nas frutas e vegetais não só dão cor, como também contêm muitos dos compostos que atuam como antioxidantes, desintoxicantes, fortalecem o sistema imunológico e ajudam na prevenção de certas doenças como o cancro, além da forte contribuição de vitaminas e minerais”.

 

2. Como conseguimos tirar todo o partido destes alimentos?

“O tipo de cozedura de um alimento é um dos fatores mais importantes a reter quando queremos tirar o maior partido nutricional, vitamínico e mineral dele. As altas temperaturas tendem a levar a uma perda de nutrientes maior do que ingestão dos alimentos crus, como é o exemplo da vitamina C que é perdida quando cozinhada ou oxidada se não for ingerida num curto espaço de tempo – o sumo de laranja deve ser bebido logo após as laranjas serem espremidas, caso contrário, perde a sua importância vitamínica. Por isso, recomendo sempre a cozedura a vapor que além de mais saudável, pois que preserva a maioria dos nutrientes, é mais rico em sabor e textura dos alimentos. Cozinhar a vapor é uma alternativa mais económica e ecológica porque utilizamos menos quantidade de água e energia do que a necessária na cozedura tradicional”.

 

3. Os superalimentos curam?

“A ingestão dos alimentos certos são muito importantes na prevenção e controlo da nossa saúde e bem-estar e no fortalecimento dos nossos sistemas (imunológico, respiratório, circulatório, cardiovascular ou digestivo), para um correto funcionamento”.

 

4. Deve-se consumir só superalimentos e abandonar os que não são?

“Todos os alimentos têm propriedades e vantagens. Está comprovado que só com uma dieta variada podemos fornecer ao nosso corpo toda a variedade de macro e micronutrientes necessários e que os alimentos naturais, que são a nossa fonte principal, os contêm, como proteínas, vitaminas, minerais, ácidos gordos etc. Por exemplo, os cítricos, ricos em vitamina C, não têm ferro e as carnes em geral fornecem ferro em quantidade e qualidade adequadas, mas não a vitamina C. Devemos evitar ou controlar o consumo de doces, salgados, comida pré-cozinhada, bebidas gaseificadas, que favorecem problemas como a obesidade, hipertensão, diabetes ou aumento do colesterol”.

 

5. Qual seria o Top 5 dos superalimentos e porquê?

“Destacar apenas cinco 5 alimentos com altas propriedades nutricionais seria errado, estaria a deixar de lado muitos outros, igualmente importantes. Por isso, organizei-os por grupos de alimentos: legumes, frutas, sementes, verduras, peixes e dentro dessa classificação, mencionar alguns”.

  • Frutas e verduras: “Consumir mais frutas e vegetais diminui o risco de doenças cardiovasculares, cancro, hipertensão, obesidade ou diabetes. Escolha aqueles de cor intensa que trarão maiores benefícios”.
  • Brócolos: “é um ótimo antioxidante e anticancerígeno. Este legume contém fibras, o que ajuda a regular o trânsito intestinal, minerais e vitaminas Grupo B, como o ácido fólico”.
  • Alho/Cebola: “têm uma ação diurética, bactericida e fungicida.
  • Frutos vermelhos: ricos em antioxidantes que neutralizam os radicais livres. Também possui propriedades anti-inflamatórias”.
  • Abacate: “contém gorduras monoinsaturadas, especialmente ácido oleico, também presentes no azeite, amendoins ou nozes, que ajudam a aumentar o colesterol bom e prevenir a aterosclerose (doença vascular crónica). Além disso, este fruto possui um forte antioxidante – vitamina E, ideal para a pele e o cabelo. Atenção que o abacate contém mais calorias do que as restantes frutas, por isso, deve moderar a sua ingestão”.
  • Nozes: “considerado um fruto seco, a noz contém as chamadas gorduras boas, como o Ómega 3, que ajuda a regular o colesterol e tem efeito anti-inflamatório. Contudo, não devemos abusar do seu consumo por causa das calorias, sendo que o seu consumo ideal é o de um punhado de nozes (ou frutos secos variados), por dia”.
  • Sementes de Chia: “contêm fibra solúvel para reduzir o colesterol e regular a glicose no sangue e fibras insolúveis, ambos ajudam a regular a função intestinal”.
    Peixe azul: “com múltiplos benefícios pelo tipo de gordura que possuem, Ómega 3, benéfico para regular a pressão arterial e aumentar o bom colesterol. Um excelente anti-inflamatório e ótimo na circulação sanguínea”.
  • Algas: “a Spirulina apresenta um perfil nutricional bastante rico que a torna num superalimento. Apesar da sua utilização seja milenar, é considerado como um alimento do futuro. É muito utilizado como um suplemento dietético e a ONU e OMS recomendam que esta seja a solução para aliviar a deficiência nutricional do mundo”.
  • Leite: “não podemos deixar de falar deste superalimento, vital nos primeiros meses de nossa vida, embora não seja considerado tão importante quanto começamos a comer os restantes alimentos sólidos. Vamos pensar sobre o desenvolvimento físico, emocional e psicológico que ocorre nesta primeira fase da vida. Durante os primeiros meses, o leite materno ou leite preparado representa a base nutricional para o desenvolvimento, é o único alimento que pode ser processado no sistema digestivo de uma criança. Após 6 meses, aquando a introdução gradual dos alimentos sólidos pode reduzir-se o seu consumo, porém o leite é a principal fonte nutricional no primeiro ano de vida de um ser humano”.
  • Azeite extra virgem: “é considerado o melhor óleo para ser consumido, pelo seu conteúdo de ácidos gordos essenciais (Ómega 3 e Ómega 6, com alto teor de antioxidantes, como a vitamina E, polifenóis com poder anti-inflamatório, o que o torna um alimento benéfico para a prevenção de doenças cardiovasculares. Para a sua ingestão calórica, são recomendadas 3-4 colheres de sopa por dia, tanto para temperar como para cozinhar”.

 

6. Porque é que só agora estamos a revelar alguns alimentos qualificados como superalimentos, quando sempre estiveram ao nosso alcance?

“O termo superalimento é uma definição mais trendy que científica. Possivelmente esta valorização e o retorno às origens, devem-se por causa do aumento do consumo de alimentos processados e do fast-food e todas as consequências negativas que isso tem trazido para a saúde mundial”.

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