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A relação entre (pouco) sexo e menopausa

Estudo recém-publicado associa a pouca frequência de sexo à menopausa precoce. Entenda a ligação e as conclusões dos autores desta investigação.

menopausa

Menopausa… todas as mulheres passam por ela, mas quanto menos nos tivermos de preocupar com a sua chegada, melhor. Certo?

A maioria das mulheres tem a menopausa entre os 45 e os 55 anos de idade; e estima-se que apenas 8% das mulheres tenham menopausa precoce.

Ora, tais casos exclusivos referem-se a mulheres que atingem a menopausa antes dos 45 anos. Um caso que se pode dever a variados fatores.

Alguns deles são causas genéticas, estilo de vida, doenças autoimunes. Ainda, a epilepsia pode também contribuir para tal realidade.

Mas o novo estudo descobriu uma curiosa ligação entre a menopausa precoce e a frequência de atividade sexual.

A descoberta

O estudo, publicado na revista Royal Society Open Science, descobriu que mulheres que tinham uma frequência média de relações sexuais uma vez por semana tinham 28% menos probabilidade ter menopausa precoce do que aquelas que o faziam apenas uma vez por mês.

Nesta pesquisa, a definição de atividade sexual não se referia apenas ao coito. Sexo oral, masturbação (auto estimulação) e toques de cariz sexual foram também considerados. Ainda que os autores do estudo não tenham aprofundado o porquê de tal investigação, acreditam estar relacionado com a ‘hipótese da avó’.

“As conclusões do nosso estudo sugerem que, se uma mulher não pratica sexo e não há hipótese de gravidez, o corpo opta por não investir na ovulação, pois seria inútil”, disse Megan Arnot, autora do estudo, em comunicado.

“Pode haver uma troca energética biológica entre investir energia na ovulação ou investi-la noutros lugares, nomeadamente canalizar tal energia para cuidar dos netos”, continuou.

A especialista explicou ainda que a noção de que as mulheres perdem a capacidade de se reproduzir para dar mais tempo à família é conhecida como ‘Hipótese da Avó’. “Isso prevê que a menopausa evoluiu no sentido de reduzir o conflito reprodutivo entre uma geração diferente de mulheres. Assim, a natureza permiteria que as mulheres aumentassem a sua aptidão inclusiva, investindo nos netos”.

Em poucas palavras, os autores do estudo dizem quanto menos sexo pratica, mais o seu corpo recebe a mensagem de: “Ok, é claro que ela não quer mais ter filhos, vou fechar a porta”.

Como foi feito o estudo?

A pesquisa recentemente publicada analisou uma amostra de quase 3.000 mulheres com idade média de 45 anos. A investigação foi denominada de Estudo dos EUA sobre a Saúde da Mulher na Nação (SWAN).

O estudo inicial concentrou-se apenas na saúde geral das mulheres da meia-idade por um período de 10 anos. O acompanhamento baseou-se em entrevistas de acompanhamento nos anos 90. Tal é considerado um dos maiores e mais diversos estudos observacionais de pesquisa sobre mulheres na transição para a menopausa. De notar que, no início deste estudo, nenhuma das mulheres havia entrado na menopausa.

Na análise levada a cabo pela instituição londrina, os investigadores descartaram fatores externos como IMC, tabagismo ou níveis de estrogénio.

“A menopausa é, obviamente, inevitável para as mulheres, e não há intervenção comportamental que impeça a interrupção da reprodução”, disse Ruth Mace, coautora do estudo, em comunicado. “No entanto, esses resultados são uma indicação de que a chegada da menopausa pode ser adaptável em resposta à probabilidade de se tornar mãe.”

Artigo via Women’s Health África do Sul

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