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Quem corre maior risco no solário?

Quem corre maior risco no solário?

Admitimos: queremos ser morenas o ano inteiro. E há formas e formas de o conseguir – mesmo sem sol – embora nem todas sejam as mais indicadas.

Para evitar grandes males (das queimaduras ao desenvolvimento de melanoma), a Women’s Health juntou neste artigo tudo o que deve saber sobre as cabines de bronzeamento e os riscos de fazer solário.

Sabemos que são muitas as que preferem trocar o areal pela cabine de bronzeamento num centro de estética. E há mesmo quem defenda que esta é uma forma mais saudável de bronzear a pele. Será?

A melhor forma de acabar com qualquer mito é através desta vasta pesquisa que se foca em vários estudos e é sustentada pela opinião de diversos especialistas que garantem que mostrar o tom de pele que tanto deseja pode não ser assim tão saudável.

Da cabine de bronzeamento para a cama do hospital

Leu bem. Ainda que possa parecer, ficar com um tom de pele alaranjado não é, de todo, o pior cenário possível quando se recorre ao bronzeado artificial. Segundo o dr. João Maria Silva, dermatologista no Hospital CUF Descobertas, em Lisboa, os efeitos mais imediatos são as queimaduras e as reações tóxicas causadas pela exposição à radiação ultravioleta. Quando combinadas com a toma de determinados medicamentos (como antibióticos ou antidepressivos), podem ser verdadeiramente intensas e levar a internamentos em Unidades Hospitalares de Queimados.

Depois, entre o envelhecimento precoce da pele, o aparecimento de rugas, manchas e pele baça e sem elasticidade, está o maior perigo: o cancro de pele. E, ainda que ele possa não se manifestar imediatamente, o risco perdura no tempo. “A pele tem memória para os danos causados pela radiação ultravioleta (RUV), que se vão acumulando e provocando mutações genéticas até degenerar em cancro”. Assim explica Ana Filipa Duarte, dermatologista da Associação Portuguesa do Cancro Cutâneo e do Centro de Dermatologia Epidermis, do Instituto CUF, no Porto.

Se isso não chega para a assustar, atente neste número: fazer solário aumenta em 75% as probabilidades de vir a ter melanoma, o mais perigoso tipo de cancro da pele.

Inimigos artificiais

Mas o que torna estas cabines de luz solar artificial tão perigosas? Em poucas palavras, elas representam toda a parte má do sol. Estes raios têm o poder de nos deixar com uma pele bronzeada, e fazem-no estimulando umas células chamadas melanócitos, que estão encarregues de produzir melanina e conferem pigmentação à pele.

Mas, para além de nos darem o tão cobiçado tom dourado ‘mais saudável’, têm também o poder de provocar danos no ADN das células. Dependendo do seu tipo de pele e da quantidade de radiação que receber, este efeito provoca tudo aquilo para o que já a alertámos anteriormente, com o cancro a liderar o top das mais preocupantes. Mas não só.

A radiação solar artificial pode provocar lesões oculares (como queratites e conjuntivites) e, segundo a OMS, pode mesmo ter efeitos negativos na eficácia do sistema imunitário, aumentando o risco de infeções. O dermatologista João Maria Silva explica o porquê: “O solário emite radiação ultravioleta com uma intensidade 10 a 15 vezes superior à radiação ultravioleta que atinge a superfícieterrestre ao meio-dia. Num dia de verão de elevado risco de queimadura solar, o índice de radiação ultravioleta varia de 8 a 10. Se classificarmos o solário pela mesma escala, o seu índice ultravioleta variará entre 13 e 15”. É uma grande diferença, não acha?

Espelho meu, espelho meu

Ainda que os dados sejam preocupantes, para muitos não são novidade. Mas ainda que conheçamos os riscos de colocar um biquíni e recorrer ao bronzeado artificial, continuamos também a fazê-lo. Porquê? Para além de persistir a ideia de que só acontece aos outros, “há uma imagem pessoal, onde não só a pessoa se vê como mais bonita com uma pele bronzeada, como muitas vezes também os outros à sua volta valorizam e elogiam essa imagem, levando a que sinta o reforço por esse comportamento e um medo de o perder se não mantiver essa imagem”, esclarece Inês Custódio, psicóloga da Oficina da Psicologia, em Lisboa.

Para além disso, segundo a psicóloga, os raios RUV podem ter um efeito de prazer momentâneo, já que estimulam a produção de endorfinas, como a serotonina, aumentando a sensação de bem-estar e de relaxamento. Só que estas consequências ditas ‘positivas’ dos raios ultravioleta são efémeras, enquanto as lesões podem não o ser…

Verdadeiro ou falso

Por outro lado, também existem os mitos. Aqueles que dizem que o solário pode ter efeitos positivos na produção de Vitamina D e que a dermatologista da APCC, Ana Filipa Duarte, desmente rapidamente. “A produção do precursor da vitamina D faz-se na pele mediante exposição de RUV tipo B e não do tipo A (que é emitida nos solários)”, explica a especialista, que sugere ainda uma solução mais fácil e barata para o problema: “Cerca de 10-15 minutos de exposição solar nos braços, nas mãos e na face ao início e final do dia são suficientes para a produção de vitamina D”. E, se isso não chegar, existem os suplementos naturais. Fácil, não é?

Mas os mitos não se ficam por aí. “Um dos principais é a preparação da pele para o sol. Após a exposição aos raios ultravioleta, a pele torna-se ligeiramente mais espessa e mais escura. Mas estes fenómenos fisiológicos conferem uma proteção não superior a um índice de proteção 4, o que é praticamente nada”, esclarece a dra. Ana Filipa Duarte.

Ou seja, esqueça a ideia de que o solário a vai deixar mais preparada para o bronze seguinte! E em relação ao mito da psoríase? A especialista é direta: “Não há nenhum benefício na utilização de solários, nem mesmo no controlo de doenças dermatológicas como a psoríase!”. “Nesses casos pode recorrer-se à RUV (radiação ultravioleta) terapêutica sob a forma de fototerapia, mas com RUV de diferentes comprimentos de onda e sob controlo médico”, acrescenta.

Penso rápido

Seja a exposição solar natural ou artificial, a verdade é que todo o cuidado é pouco. Mas quando o bronzeado desejado é alcançado dentro de um centro de estética, é preciso estar especialmente atenta ao aparecimento de alguns sintomas, como sinais que se tornam anormalmente grandes ou que mudam de cor, tamanho e forma, e começam a sangrar; feridas, que curam muito lentamente; bolhas de sangue que surgem sob as unhas e não tenham resultado de nenhuma agressão; novos sinais com formas irregulares ou cor anormal, principalmente após os 40 anos; e comichões ou ardores.

“Quando já existem sinais de exposição excessiva, em que começam a aparecer lentigos solares (sardas grandes, principalmente nas zonas de maior exposição, como os ombros e o peito), claramente é tarde demais para reparar a pele”, alerta a dra. Ana Filipa Duarte. Ainda assim, a especialista em dermatologia da APCC recorda que nunca é tarde para mudar hábitos e comportamentos e abraçar uma exposição solar mais segura.

Em conclusão, esteja bem na sua pele

Vivemos numa sociedade que nos diz que as peles morenas são as mais bonitas. É indiscutível: um bronzeado dourado, para além de nos dar um ar mais saudável, ajuda a disfarçar a celulite; favorece os músculos e dá mais brilho a uma barriga tonificada.

Face a tudo isto, sabemos que pode ser difícil pensar a longo prazo em todos os problemas que podem vir a surgir. Mas será que um bronzeado vale a perda de uma parte do corpo? Sim, um sinal grave numa orelha pode fazer com que vá à faca, por exemplo.

É que, quando o melanoma penetra na pele a um milímetro de profundidade, a probabilidade de ter passado para os gânglios linfáticos ou outros órgãos aumenta em 10% e isso significa mais 85% de hipóteses de não vencer a batalha contra o cancro. Vai sempre a tempo de mudar de hábitos! O primeiro passo é aceitar a sua tonalidade tal como ela é. Se precisa de inspiração, meta os olhos em mulheres de sucesso de Hollywood, como Anne Hathaway, Emma Stone ou Nicole Kidman. Qualquer uma delas sempre se mostrou orgulhosa da sua pele mais clara.

Vamos lá, só precisa de aprender a gostar de si. Da tonalidade chocolate ao brilho da branca de neve, não importa. O lema é: ame e vista a sua pele, seja qual for a tonalidade.

Percorra as imagens da galeria e saiba quem são aqueles que correm maior risco de sofrer com este tratamento estético.


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