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Quase 40% das adolescentes portuguesas acha-se “gorda”

Um vasto estudo apresentado pela OMS apresenta a realidade dos jovens europeus em vários aspetos – da alimentação à saúde sexual. Conheça o caso nacional.

adolescentes

A referencia ao peso é apenas uma das conclusões do estudo que analisou vários aspetos da saúde e bem-estar de adolescentes entre os 11 e os 15 anos de idade.

A vasta investigação, levada a cabo pela Organização Mundial de Saúde contou com uma amostra de 227.441 pessoas de 45 países da Europa e Canadá. A investigação decorreu entre 2017 e 2018, mas só agora foi apresentada, sob a forma de um completo relatório.

De referir que este tipo de análise sociológica vem sendo realizada pela OMS há 30 anos. Na análise realizada em 2017/2018, acrescentou-se mais dois itens para avaliação: comunicação por redes sociais e cyberbullying.

Eis as principais conclusões, com foco no caso português em comparação com os restantes. O estudo completo pode ser consultado aqui.

Alimentação e saúde oral

O número de jovens adolescentes que tomam o pequeno-almoço tem vindo a decrescer desde 2014. Na média geral, mais de 4 em cada 10 adolescentes não toma o pequeno-almoço diariamente. A maior prevalência está entre o género feminino.

Em relação ao consumo de frutas e vegetais, 2 em cada 3 adolescentes não come a dose recomendada, pelo contrário, apostam num consumo exagerado de comida processada, sendo que 1 em cada 6 consome um refrigerante açucarado por dia. Em Portugal, 43% da população feminina e 47% da masculina não comem frutas ou vegetais diariamente.

Daqui se conclui que, à medida que os jovens crescem e ganham autonomia em relação à sua alimentação, a preferência por alimentos processados ao invés de frutas e legumes é grande.

Atividade física

Segundo as recomendações da OMS, os jovens devem praticar 60 minutos de atividade física moderada por dia. Algo que menos do que 1 em cada 5 adolescentes analisados garante. Os números permanecem particularmente baixos entre o sexo feminino. Já em relação aos rapazes, a prática de atividade física tem vindo a decrescer desde 2014.

Portugal, juntamente com França e Itália, é apontado como um dos países onde se nota menores níveis de atividade física moderada a intensa.

Excesso de peso, défice de peso e imagem corporal

Excesso de peso e obesidade é um mal que afeta um em cada 5 adolescentes, principalmente rapazes, lê-se no relatório. Do lado oposto, sabe-se que 1 em cada 20 adolescente sofre de défice de peso, uma média que se mantém desde 2014.

São os mais velhos, entre a faixa etária da adolescência, que tendem a ter um peso mais saudável, todavia, são eles que assumem uma imagem corporal mais negativa, principalmente no caso das raparigas: 1 em cada 4 considera ser “demasiado gorda”, uma resposta que advém da influencia pelo meio familiar, aponta o estudo.

A nível nacional, 38% das jovens portuguesas e 24% dos portugueses consideram ter peso a mais. Em 2014, a percentagem era maior: 46% das raparigas consideravam ter excesso de peso. No caso masculino, a percentagem era de 25%.

Comunicação online

São elas quem mais comunica por meios online e nem sempre com amigos e conhecidos, o que torna a sua prática perigosa, mas mesmo entre amigos, a comunicação tem vindo a afastar-se cada vez mais: 1 em cada 7 prefere comunicar online com os amigos, em vez de se relacionar fisicamente.

Saúde mental

À medida que a idade aumenta, a tendência é a de apresentar uma saúde mental cada vez menor, principalmente no caso de jovens que vivem em meios mais desfavorecidos. Mas a tendência estende-se a todas as regiões no caso de jovens raparigas a partir dos 15 anos.

No caso português, e segundo avaliação feita pelos próprios jovens, o apoio familiar reflete-se na saúde dos jovens entre 37 e 49%, no caso masculino, e entre 25 e 39%, no caso feminino.

Saúde sexual

Comportamentos sexuais de risco continua a ser um fator preocupante. 25% dos jovens entrevistados admite não ter usado qualquer método contracetivo na sua última relação sexual – uma prática comum entre 1 em cada 4 rapazes de 15 anos e 1 em cada 7 raparigas da mesma idade. No caso português, a percentagem de prevalência mantém-se igual à geral.

25% dos portugueses com 15 anos já teve relações sexuais

Álcool, tabaco e canábis

Embora o consumo de tais substâncias tenha vindo a decrescer, os números continuam elevados entre jovens de 15 anos, sendo o álcool o mais consumido. No período de 30 dias anterior ao questionário, 37% dos jovens de 15 anos havia consumido álcool; 15% havia fumado cigarros e 7%, canábis: a maioria dos consumidores era do sexo masculino.

O número de portugueses com 15 ou menos anos de idade que já esteve embriagado pelo menos duas vezes decresceu face a 2014, 14% do sexo masculino e 13 para o sexo feminino. Na análise anterior, os valores apontavam 18 e 15% respetivamente.

Bullying e violência

Seja violência física ou online, é o sexo masculino quem mais adota tal comportamento. Já as raparigas são as mais vitimizadas a nível de cyberbullying, especialmente aos 13 anos.

Destaque para o caso nacional neste ponto. 0,3% das jovens adolescentes portuguesas reportaram bullying em contraste com 30% das jovens da mesma idade na Lituânia.

Os jovens adolescentes são particularmente vulneráveis a esta violência. Contudo, não há relação a apontar entre o estatuto social ou comportamento das vítimas.

Bem-estar social

Ainda que a maioria dos adolescentes reconheça ter apoio no meio familiar, as divergências sociais existem em mais de metade das regiões que integraram o estudo.

2 em cada 3 adolescentes considere ser fácil abrir-se para falar com familiares. Mas este apoio tende a diminuir com o avançar da idade. Ainda, enquanto os rapazes se sentem mais apoiados na família, as raparigas procuram apoio principalmente nos amigos.

Experiência escolar

Em comparação com 2014, mais de 30% dos inquiridos tende a sentir-se pressionado na escola e a não gostar do ambiente escolar. Mesmo assim, mais de metade dos adolescentes sente-se apoiado pelos colegas e professores. As diferenças de género em meio escolar tendem a crescer com o avançar de idade, principalmente entre o sexo masculino.

Na análise aos 45 países, Portugal está entre os 10 em que os jovens de 15 anos se sentem altamente pressionados a nível escolar. 73% das raparigas e 49% dos rapazes admite tal pressão. Valores algo superiores aos apontados em 2014, principalmente entre o género feminino (67%).

Portugal está entre os 10 países em que os jovens de 15 anos se sentem pressionados a nível escolar.

Contexto familiar

As circunstâncias e o meio familiar em que as crianças crescem influenciam bastante. Diz o estudo que a maioria dos jovens da amostra vive com o pai e mãe; esta é a realidade de 70% dos adolescentes portugueses. Já 1 em cada 6 vive em contexto monoparental, normalmente com a mãe. Pais desempregados ou em contexto de imigração afetam 1 em cada 20 adolescentes.

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