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Quanto tempo devo esperar para ter um bebé?

Ninguém deseja esperar eternamente quando decide ter um filho. Na sociedade moderna, o problema da infertilidade atinge cada vez mais mulheres. E homens.

Ninguém deseja esperar eternamente quando decide ter um filho. Esta altura é contagiada pela emoção, pois um bebé muda a nossa vida. Mas querer ter um e não conseguir, muda muito mais! Na sociedade moderna, o problema da infertilidade alastrou e atinge cada vez mais mulheres. E homens.

Variados estudos sustentam que este aumento está relacionado com as mais variadas causas, desde o eterno stress à falta de atividade física, sem falarmos nos eternos erros contínuos em termos de nutrição. Mas há muito mais a descobrir – e a solucionar – por detrás deste problema que afeta inúmeras mulheres portuguesas. A título de curiosidade, e segundo dados do Eurostat, verifica-se que Portugal é o país da União Europeia com a taxa de fertilidade mais baixa e aquele onde mais diminuiu o número de nascimentos nos últimos 15 anos. Para ter uma ideia mais abrangente, em 1990 a idade média de uma mulher ter o primeiro filho era de 27,1 anos.

Duas décadas depois, em 2016, a estatística aumentou para 31,9 anos. E isto é preocupante. Como se não bastasse, em 2017 registaram-se menos 2.702 nascimentos do que em 2016. A comprovar estes dados, um outro estudo feito em 2009 para a caracterização da infertilidade em Portugal, a pedido da Sociedade Portuguesa de Medicina da Reprodução (SPMR), mostrou uma prevalência da doença de 9,7%. Se o tema é sério, está na altura de saber o que fazer. E é disto que este artigo trata…

Um problema que afeta os dois mundos

Há quem tente, tente e volte a tentar. Pelo meio aproveita-se o prazer das relações sexuais, mas quando a gravidez teima em não surgir, instalam-se as dúvidas e inseguranças. De acordo com a Associação Portuguesa de Infertilidade, “considera-se que um casal é infértil quando, ao fim de um ano com relações sexuais regulares e desprotegidas, não conseguiu uma gravidez”. Claro que há causas. E muitas.

Cerca de um terço são femininas, um terço são masculinas e o outro terço é misto. Se no homem a análise do esperma pode detetar logo os problemas que justificam a dificuldade da conceção, na mulher, “qualquer situação no organismo que dificulte a fecundação normal e fisiológica ou que interfira com a implantação do embrião no útero pode causar infertilidade”, explica a Dra. Ana Peixoto, especialista em Ginecologia/Obstetrícia com subespecialidade em Medicina de Reprodução na Clínica Clinimer – Coimbra Fertility Center.

E o rol de possibilidades é vasto: “Alterações do muco cervical; patologia da parede do útero ou do seu interior (cavidade uterina), como cicatrizes, pólipos ou miomas; obstrução das trompas; patologia do ovário, nomeadamente alterações da sua função ou quistos e ainda doenças crónicas ou genéticas que se associam a alterações hormonais ou imunológicas”. Além de tudo isto, ainda existe o mito da idade avançada…

Que idade tem?

A altura ideal para uma mulher engravidar é entre os 25 e os 30 anos, já que a fertilidade começa a baixar aos 30 anos e tem uma quebra acentuada depois dos 35.

Também no homem, a qualidade do esperma diminui com a idade. Claro que à medida que a idade avança, a fertilidade vai diminuindo até que termina quando surge a menopausa, mas a dra. Ana Peixoto explica melhor: “A mulher já nasce com o número de folículos que serão responsáveis por todas as ovulações ao longo da vida. Estes folículos vão se gastando, o que leva a uma diminuição da reserva folicular ovárica e da qualidade dos ovócitos.

Os ovócitos envelhecidos, se fecundados, podem dar origem a embriões com alterações cromossómicas que não são viáveis para que ocorra uma gravidez”. E, com o passar do tempo, existe ainda uma maior probabilidade de aparecimento de doenças que contribuem também para a diminuição da fertilidade feminina. É caso para dizer: se quer ser mãe, não tenha pressa, mas também não perca tempo.

A dura batalha psicológica

A infertilidade é uma dura e dolorosa situação. Uma pesquisa conduzida pela dra. Alice Domar, professora na Harvard Medical School (EUA), sugere que o stress suportado pelos pacientes de infertilidade é comparável ao que é vivido pelas pessoas que estão sob tratamento de cancro e sida.

Assim, “uma boa relação intraconjugal de mútuo apoio e uma atitude positiva perante o problema é o mais importante”, sugere a dra. Ana Peixoto. Precisamente por isto, todos os centros de PMA têm psicólogos experientes nesta área que podem ajudar a reduzir a carga emocional associada ao stress dos tratamentos especialmente quando há insucesso. A dra. Joana Sampaio Nogueira, psicóloga clínica no NEDO saúde, em Lisboa, salienta ainda que “engravidar costuma ser considerado como o símbolo máximo da feminilidade, um poder que só a mulher tem.

E ter dificuldades nessa área pode ser muito destrutivo para uma mulher, já que tem de gerir o sentimento de culpa e fracasso, gerir as expectativas, lidar com o parceiro, a família e, acima de tudo, lidar consigo própria”. Por tudo isto, o mais aconselhável “é recorrer a um acompanhamento médico para excluir causas orgânicas e, em psicoterapia, fazer o luto e encontrar novas opções e ferramentas que ajudem a colmatar o vazio”.

As medicinas alternativas, como a acupuntura ou técnicas de relaxamento, também são uma hipótese, devendo cada mulher / casal encontrar as formas de apoio com as quais se sente mais confortável. E nunca se esqueça: partilhar o problema ou reservar a sua confidencialidade, são duas opções possíveis.

Tratamentos? Comece por aqui

Entrando no campo médico, a dra. Ana Peixoto explica que “os tratamentos cirúrgicos são cada vez menos agressivos e menos dolorosos, uma vez que recorrem à histeroscopia ou laparoscopia, permitindo remover miomas, pólipos ou quistos”. Por outro lado, “o recurso a técnicas de Procriação Medicamente Assistida (PMA) deve reservar-se aos casos em que há indicação específica ou quando os outros tratamentos não resolvem a situação”.

Para ter uma ideia da panóplia de PMA existentes, fique a saber que as técnicas mais comuns são a inseminação intrauterina (IIU); fertilização in vitro (FIV); injeção intracitoplasmática de espermatozoides (ICSI); transferência de embriões, criopreservação de gâmetas ou zigotos e ainda o diagnóstico genético pré-implantação (DGPI). Mas os tratamentos de infertilidade não se limitam aos tratamentos de PMA. A maioria das vezes, a situação resolve-se com terapêuticas médicas adequadas.

A correção de desequilíbrios hormonais, as induções da ovulação ou o tratamento de infeções podem facilmente resolver o problema. E nunca é demais relembrar que a filosofia Women’s Health é um dos segredos para tudo correr bem, já que mudar os hábitos de vida não saudáveis, incentivar a perda de peso, deixar de fumar, abdicar das bebidas alcoólicas e praticar mais exercício físico aumentam a probabilidade de uma gravidez positiva.

Alternativas inovadoras

A investigação nesta área é intensa, principalmente na área da genética e da bioquímica. A aplicação prática tem melhorado muito a eficácia dos tratamentos e a comodidade para os utentes. Um bom exemplo é a introdução na rotina laboratorial da congelação de ovócitos por vitrificação. Soa a ficção científica? A dra. Ana Peixoto desconstrói o tema e explica que “os ovócitos são células muito volumosas que sofrem danos causados pela formação de cristais de gelo na congelação e descongelação clássicas.

Na vitrificação, o arrefecimento rápido a – 196 graus centígrados permite manter a qualidade ovocitária, o que se traduz em boas taxas de fecundação e gravidez”. Ou seja, esta técnica possibilita adiar o potencial reprodutivo trazendo esperança a muitas mulheres que, não tendo condições para engravidarem em determinada fase da sua vida, podem manter o sonho de um dia virem a ser mães.

Outra hipótese a considerar passa pelo recurso à doação de ovócitos. “Isto possibilita às mulheres sem ovócitos de qualidade também poderem ser mães. Para tal, basta transferir para o útero embriões resultantes da fecundação do esperma com os ovócitos de uma dadora”.

A parte mais dolorosa não é o parto. São os preços

Mas calma, tudo depende do tratamento indicado. Os mais dispendiosos são os que recorrem a técnicas laboratoriais (PMA), e os preços variam consoante a técnica utilizada. Nos hospitais públicos, estes tratamentos são comparticipados na totalidade e os utentes só pagam parte do valor dos medicamentos.

Porém, se decidir recorrer a uma clínica privada as coisas mudam de figura e passamos a falar de valores que variam entre 500€ para uma IIU (inseminação intrauterina) até 4.000€ para uma ICSI (injeção intracitoplasmática de espermatozoides). Os custos são mais elevados quando há criopreservação de embriões ou recurso a gâmetas de dador. Aconteça o que acontecer, não se esqueça: a força da maternidade é maior que as leis da natureza!

Onde procurar ajuda

  • Médico de família
  • Clínica de planeamento
  • familiar
  • Clínica de fertilidade
  • Hospital público

Prevenção: Quanto mais cedo melhor

A prevenção da infertilidade deve começar por um rápido e precoce acesso à informação. O ideal seria começar logo nas escolas, nos programas como o “Educar para a Fertilidade”, nas aulas de Educação Sexual ou até nas aulas de Ciências Naturais. Abordar temas como a contraceção, a prevenção de doenças sexualmente transmissíveis, a história natural da fertilidade e ainda hábitos de vida saudáveis com impacto na saúde reprodutiva é uma porta de entrada para este mundo.

Por último, o papel dos profissionais dos centros de saúde também é fundamental na educação ne prevenção, uma vez que devem incentivar o planeamento da gravidez.

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