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Qual o impacto da dieta mediterrânica na microbiota intestinal?

Conceição Calhau
Qual o impacto da dieta mediterrânica na microbiota intestinal?

Uma dieta rica em gordura saturada e proteína animal, do tipo dieta ocidental, tem um impacto negativo na população de micro-organismos intestinal. Por seu turno, o padrão alimentar mediterrânico está associado a menos doenças e a mais saúde.

Alterações de estilos de vida, em particular a nível da dieta, trazem impacto na microbiota intestinal. Em concreto, alterações do sono, não respeitar o ritmo circadiano, níveis elevados de stress e ainda uma alimentação pobre em fibras (em hortícolas), que de forma crónica modifica a microbiota intestinal com impacto na saúde.

Sabe-se que uma dieta rica em gordura saturada, proteína animal, do tipo dieta ocidental, tem um impacto negativo na população de micro-organismos intestinal, microbiota. Assim, uma das razões para que o padrão alimentar mediterrânico seja associado a menos doenças e a mais saúde deve-se também a um benefício na microbiota intestinal, fornecendo prebióticos, ou seja, alimento para as boas bactérias, como é o caso dos hortícolas. Estas boas bactérias produzem, entre outros compostos, ácidos gordos de cadeia curta como o butirato, conhecido protetor do cancro do colon e ainda modulador da expressão de genes humanos em comando benéfico da saúde.

Outra razão para se encontrar benefício da dieta mediterrânica é o aporte diário de fontes de ácidos gordos ómega 3, tais como o EPA e o DHA, presentes de forma natural na gordura do peixe. Aqui reforça-se não só a importância da ingestão de peixe na semana alimentar, mas também alerta para a gastronomia mediterrânica usando métodos de confeção que preservam esta gordura, ou seja, os ensopados, as caldeiradas.

Outro do importante benefício da dieta mediterrânica está na prática diária do consumo de hortícolas e de fruta, que além de alimentarem as boas bactérias, como prebióticos, são também importantes para fazerem baixar a razão sódio-potássio da alimentação, que idealmente deveria ser por volta de 0,35 e estamos, em Portugal, a consumir dietas com uma razão ainda superior a 1,5. Ou seja, na prática, quer dizer que ainda adicionamos muito sal na confeção dos alimentos, e não seguimos as práticas mediterrânicas de ervas aromáticas e especiarias, ou mesmo as marinadas para dar sabor sem ser necessária a adição de sal. Quer dizer ainda que optamos por produtos processados muitas vezes fontes de sódio. Em suma, menos sal e mais hortícolas e fruta temos menos sódio e mais potássio, logo mais saúde cardiovascular.

Voltando de novo à microbiota intestinal, a prática de consumo de muita carne, sobretudo a vermelha e a processada, traz risco cardiovascular, entre outros fatores, porque são fontes de carnitina e de colina que originam metabolito de risco cardiovascular, o óxido de trimetilamina (TMAO). Mais uma razão para a dieta mediterrânica se associar à proteção cardiovascular, pois remete para o consumo frequente de peixe e baixo de carnes vermelhas.

Por

 

 

 

 

 

 

 

Conceição Calhau, Professora Associada com Agregação NOVA Medical School | Faculdade de Ciências Médicas Universidade Nova de Lisboa

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