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Porque devemos deixar de usar expressões autocríticas?

Enfrente o subconsciente feminino repleto de expressões prejudiciais à autoestima.

A importância de nos tratarmos bem parece de senso comum, mas a verdade é que às vezes pecamos por sermos muito intransigentes com as nossas próprias atitudes. Como possível consequência do quadro patriarcal onde crescemos, é frequente que, mesmo sem perceber, usemos expressões autocríticas como ‘és uma exagerada’, ‘não vales nada’, etc.

Apesar de tais comentários surgirem subconscientemente, é necessário perceber que acontecem e começar a mudá-los o mais rápido possível. Precisamente com esse objetivo, a Women’s Health conversou com profissionais de psicologia.

“A autoestima é fundamental para o bem-estar físico e mental”, diz Ana Rita Freitas, psicóloga na Clínica Dr. Celso Oliveira em Ovar e Porto e a dar consultas online. “O surgimento regular de ‘soluções milagrosas’ para a aumentar podem fazer com que se acredite que ter autoestima elevada e estar feliz é algo fácil. Aliás, parece até que toda a gente consegue menos ‘eu’”.

No entanto, o processo de fortalecer o amor-próprio “não abarca em si nenhuma magia. É uma caminhada na qual cada uma de nós deverá estar disposta a refletir sobre si, sair da sua zona de conforto e sentir a dor emocional necessária para que o crescimento ocorra”, refere a psicóloga.

 

Porque devemos deixar de usar frases como “não vales nada”?

O subconsciente feminino está repleto de expressões depreciativas que não facilitam intra-relações. Embora pareça que este discurso em nada afeta o nosso bem-estar, é a longo prazo que causa danos. “Frequentemente, os nossos diálogos internos acabam por reforçar as nossas dúvidas e submergir ainda mais a nossa autoestima através de uma autocrítica destrutiva e hostil”, menciona Ana Rita Freitas.

“Ao reconhecermos essa voz interna damo-nos a oportunidade de a treinarmos e ensinarmos a ser mais empática e compassiva connosco mesmas, permitindo-nos assim avançarmos na direção em que queremos ir”, acrescenta Débora Bento Correia, psicóloga clínica a realizar sessões no espaço Filipa Jardim da Silva e na The Dr. Pure Clinic, bem como consultas online.

“Acontece que, aquilo que escolhemos dizer-nos tem um impacto muito concreto na nossa autoestima e autoconfiança”, diz a especialista. “Saiba que estabelecer um diálogo interno consigo mesma fortalece diferentes áreas do cérebro, o que auxilia na gestão e regulação das emoções, redução de stress, diminuição da ansiedade e promove a autoconfiança. Afeta, por isso, a nossa saúde, tanto física como psicológica”.

Assim, o diálogo interior que mantém consigo própria deve ser saudável e não baseado em autocrítica destrutiva.

 

Como alterar esse discurso?

Ademais de perceber que estamos a usar esse tipo de linguagem, é importante que façamos um exercício de indulgência e nos esforcemos para falar connosco de maneira semelhante a como conversamos com um amigo querido. Dessa forma, aos poucos tornar-nos-emos cientes das mudanças que estamos a criar.

Siga as seguintes dicas, a fim de transformar o discurso até então pejorativo num alicerce à boa autoestima.

 

Procure conhecer-se

“A nossa autoestima é, em grande medida, determinada pelo nosso autoconhecimento requerendo, por isso, uma prática diária de autorreflexão”, afirma Débora Bento Correia.

“Para se poder amar é necessário conhecer-se profundamente. Invista tempo em si e estabeleça momentos para estar na sua companhia”, refere Ana Rita Freitas. Descubra o que a motiva, as forças e fraquezas que tem, os seus valores e crenças, gostos e paixões, e por aí adiante.

 

Questione os próprios pensamentos

“Algumas pessoas habituaram-se a ouvir críticas e é provável que as tenham interiorizado e desenvolvido pensamentos autodestrutivos”, menciona a psicóloga. “Questione-os! Não acredite em tudo aquilo que pensa”.

“Quando a sua voz crítica disser ‘não vais ser capaz’ ou ‘não vai resultar’, substitua-a por ‘estou a dar o meu melhor’ ou ‘mesmo que não consiga pelo menos tentei’”, aconselha Débora Bento Correia.

 

Liste as características positivas e aspetos pelos quais é grata

Não restam dúvidas às profissionais (nem a nós) que é mais fácil apontar as características negativas. Contudo, reconhecer e valorizar tudo aquilo que a diferencia pelo bem, tem um forte impacto na saúde.

Pratique palavras de gratidão a si mesma, agradeça até pelas coisas que considera mais insignificantes, mas que a fazem feliz. E lembre-se, todos os dias, que é uma guerreira.

 

Não queira ser perfeita

‘Ninguém é perfeito’ é uma frase tão presente, porém tão esquecida de pôr em prática. Ame-se com todas as suas imperfeições. Celebre as próprias conquistas e sempre que errar perspetive-o como aprendizagem e não como fracasso. Só assim podemos evoluir.

Ainda assim, se quiser mudar algo em si, e conseguir, pode e deve fazê-lo. Em relação àquilo que não for capaz de mudar, tenha uma postura de aceitação.

 

Acabe com as comparações

“A comparação é destrutiva e injusta”, diz Débora Bento Correia. “Gera frustração, angústia, tristeza e desesperança. ‘Iguala-nos’ ao outro sem considerarmos a nossa história ou circunstâncias, fazendo-nos estabelecer expectativas irrealistas e desajustadas à nossa realidade”.

“Cada uma de nós é única”, salienta Ana Rita Freitas. “É precisamente isso que nos torna tão especiais. Estabeleça as suas próprias metas, valorize cada um dos seus pontos fortes e garanta que hoje está a assumir a sua melhor versão”.

 

Filtre o que vê nas redes sociais

Ambas as especialistas propõem um detox digital. O conteúdo presente na internet tem o poder de influenciar, negativamente, os nossos sentimentos.

Consuma, conscientemente, a informação das redes sociais e opte por seguir páginas e pessoas que a inspiram. Lembre-se que não há vidas perfeitas e foque-se naquilo que pode controlar: o seu comportamento.

 

Mude a sua postura corporal

A psicóloga Ana Rita Freitas chama a atenção para a linguagem corporal, que comunica tanto ou mais que as palavras. “A nossa postura corporal diz muito sobre nós e há uma influência mútua entre ela e a nossa autoestima. Treine a sua postura corporal ao espelho”.

“Além disso, de olhos fechados e a sorrir, pode visualizar momentos agradáveis enquanto inspira e expira profundamente para interiorizar toda a calma e tranquilidade do momento”.

 

Substitua os ‘se’ e os ‘deveria’

“Frequentemente dirigimos o nosso foco para aquilo que fizemos de errado e surge, inevitavelmente, a culpa e o arrependimento”, exprime a profissional. Ora, não podemos mudar o passado, mas o presente é nosso.

“A partir de hoje substitua os ‘se’ por ‘quando’ e os ‘deveria fazer’ por ‘vou fazer’. Estabeleça datas e horas porque tudo o que é importante para nós tem uma data e uma hora”.

 

Inicie a prática de journaling

“Consiste numa prática regular de escrita reflexiva sobre os seus acontecimentos, vivências e emoções do dia-a-dia”, explica Débora Bento Correia.

“Auxilia não só na redução da ansiedade e stress, como melhora a inteligência emocional, promove uma maior organização mental aumentando a sua autoconfiança e autoestima”.

 

Em suma

“Ame-se e cuide de si. Seja a pessoa mais importante da sua vida. Se necessário procure ajuda. Não é um ato de fraqueza, mas sim de sensatez” – Ana Rita Freitas.

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