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Posso tomar a pílula contínua? Ginecologista tira todas as dúvidas

Falámos com a ginecologista Mafalda Martinho Simões e explicamos-lhe os riscos, benefícios e condicionantes de tomar a pílula.

A ida ao ginecologista pode ser um momento stressante para muitas mulheres. A incerteza e o medo de ter algum problema de saúde fazem com que muitas vezes tenham receio de ir ao médico, no entanto, isso é exatamente o que não devem fazer. “As visitas ao ginecologista são essenciais, uma vez que podem prevenir doenças e permitir detetar a doença num estado passível de ser curada”, explica Mafalda Martinho Simões, ginecologista da CUF.

A ginecologista aconselha a visita ao consultório uma vez por ano, para que possam ser realizados alguns rastreios de rotina e a observação ginecológica. A partir da menopausa, o tempo entre visitas pode encurtar, caso se justifique. Ainda assim, existem alguns fatores que podem tornar as visitas ao ginecologista mas regulares. É o caro, “por exemplo, de uma mulher com antecedentes de cancro de mama a fazer a terapêutica hormonal, que deverá fazer visitas de rotina de 6 em 6 meses“, continua a especialista.

A prevenção pode mesmo ser a palavra-chave dado que os rastreios do cancro do colo do útero (efetuado através da citologia, o chamado Papa-Nicolau) e do cancro da mama podem fazer cair a taxa de mortalidade por estas doenças. Mafalda Martinho Simões afirma mesmo que se estima que “o rastreio do cancro do colo do útero com a citologia tenha diminuído a incidência e mortalidade deste cancro entre 70% a 80%, nos últimos 50 anos”.

Além das questões diretamente ligadas a problemas de saúde, o planeamento familiar é outro motivo forte pelo qual as mulheres procuram o ginecologista – especialmente quando ainda existem dúvidas e até mesmo reações adversas relacionadas com o uso da pílula ou de outros métodos de contraceção.

 

Métodos contracetivos: A pílula

Em 2018, quando falamos de métodos contracetivos existem dois nomes que surgem de imediato nas nossas cabeças: pílula e preservativo. No entanto, o espetro de soluções para prevenir uma gravidez é bastante mais alargado. Quanto à prevenção das doenças sexualmente transmissíveis, o uso de métodos barreira, como o preservativo, continua a ser a forma mais eficaz e aconselhada.

Se nos focarmos na prevenção de uma possível gravidez, a pílula (toma oral de comprimidos) continua a ser o método mais popular. Na maioria dos casos, tem uma toma contínua durante 21 dias, uma suspensão durante 7 dias e volta-se a tomar ao oitavo dia. A eficácia deste contracetivo oral, que consiste na junção de hormonas que inibem a ovulação da mulher, depende muito da sua toma correta.

Uma das principais desvantagens de pílula é, justamente, o facto de obrigar a uma toma diária e contínua, pelo que um esquecimento pode por em causa a sua eficácia. Além disso, a ingestão continua de bebidas alcoólicas, vomitar ou ter crises de diarreia colocam em causa a eficácia deste fármaco.

 

Como funciona?

Apesar de a sua história ainda recente e de o objetivo principal ser evitar a conceção de um bebé e, em alguns casos, a regulação hormonal, estes comprimidos têm ainda uma série de vantagens adicionais, como o facto de ajudarem a regular os ciclos menstruais ou minorar as dores derivadas da menstruação. A longo prazo, a pílula pode, inclusive, contribuir para proteger a mulher contra o cancro dos ovários e do endométrio, mas, mesmo assim, é um fator de risco para o cancro do colo do útero.

Um estudo recente, que teve como voluntárias mulheres dinamarquesas, chegou à conclusão de que a toma da pílula reduz o risco de cancro dos ovários em 34%. Isto, em mulheres em idade reprodutiva e que em alguma fase da vida usaram este método contracetivo.

“No que diz respeito ao cancro da mama, os estudos não são conclusivos quanto ao facto de a pílula aumentar o risco deste cancro. Em relação às enxaquecas, a pílula tradicional está contraindicada nesta situação particular, sobretudo após os 35 anos, pelo risco trombótico que acarreta”, continua Mafalda Martinho Simões.

Quem toma a pílula tende a saber exatamente quando vai aparecer a menstruação, dado que este método ajuda a regular o ciclo menstrual. Assim, as mulheres, por vezes, optam por fazer a toma contínua de mais de uma cartela, evitando o sangramento.”Fazer a toma contínua é um método perfeitamente seguro e utilizado por muitas mulheres, estando inclusivamente indicado nalgumas patologias”, explica a ginecologista. No entanto, lembre-se de que toda esta gestão deve ser efetuada pelo seu médico e de que não se deve automedicar em casa.

 

Mas nem tudo são boas notícias

É ainda essencial reforçar que, ao falarmos da introdução de hormonas no organismo, falamos de um modelo que acarreta consequências. Nesse sentido é possível identificar dor mamária, náuseas, cefaleias e alterações de humor como algumas das consequências da toma da pílula.

Apesar de os benefícios já anunciados, “existem algumas contraindicações, sobretudo com o avançar da idade”.

Diz a especialista que “a contraindicação mais significativa é o risco aumentado de trombose, especialmente importante quando as pessoas têm alguma doença de base conhecida ou antecedentes familiares de tromboses em idades muito jovens”.

Embora não exista uma idade a partir da qual se possa começar a tomar a pílula, Mafalda Martinho Simões diz “não ser habitual começarmos a pílula antes dos 13 anos”.

 

Outros métodos

“Cada vez mais as mulheres querem deixar a pílula e pensam em métodos alternativos. Também nós, ginecologistas, divulgamos métodos mais saudáveis e mais eficazes. É evidente que a pílula é eficaz e segura desde que seja bem utilizada, mas existem métodos só com progestativo, evitando assim os efeitos adversos dos estrogénios. Podemos escolher um método contracetivo apenas com uma das hormonas”. Ainda assim, algumas mulheres podem ter dificuldades em adaptar-se a esses novos métodos, continuando a preferir a via tradicional.

Mafalda Martinho Simões afirma que, quando o objetivo é prevenir uma gravidez, cada vez mais recomenda a “utilização dos LARCs [métodos contracetivos reversíveis de longa duração] como o DIU (dispositivo intra-uterino), o SIU (Sistema Intra-uterino) ou o implante subcutâneo de progestativo“. Estes são alguns métodos que facilitam a vida das mulheres, no seu dia-a-dia, dado que não requerem a ingestão diária de um comprimido. Além disso, apresentam uma alta eficácia (> 99%) na prevenção da gravidez, podendo ainda ser utilizados por mulheres em todas as faixas etárias.

 

Lembre-se de que a escolha do método contracetivo ideal deve ser feita com o acompanhamento do seu médico ginecologista, mas importa salientar que a pílula é um medicamento de distribuição gratuita nos centros de saúde – o que facilita o seu acesso. Para tal, apenas necessita de marcar uma consulta de planeamento familiar, ser consultada pelo médico e, se chegarem à conclusão de que essa é a melhor solução para si, este medicamento pode ser levantado gratuitamente na farmácia, mediante apresentação da receita.

 

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