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Estas fotografias não têm Photoshop para mostrar que a acne é normal

Série de imagens pretende acabar com noções irrealistas de beleza nas redes sociais.

“A perfeição não existe”, lê-se num rosto desconhecido, mas impactante e com acne, que nos aparece no feed de Instagram e faz parar o scroll. Uma imagem que, sem filtros ou retoques, passa a mensagem certa.

A criação é assinada por Peter DeVito, um fotógrafo nova-iorquino, de 20 anos, que criou um projeto cujo objetivo é acabar com noções irrealistas de perfeição, enquanto normaliza a acne. A série de fotografias surgiu como resposta aos atuais movimentos que defendem a necessidade de amor-próprio e aceitação pessoal.

“Apesar de ter visto muitas publicações do género nas redes sociais, poucas incluíam pessoas com acne. Por isso, quis ser eu a tirar essas mesmas fotografias, a mostrá-las ao mundo, com o objetivo de dar poder às pessoas”, explica DeVito em entrevista à WH Portugal.

Acne sem filtros

Borbulhas, pontos negros, cicatrizes e marcas, são protagonistas de fotografias que escolhem gritar ‘viva o amor-próprio’, em vez de ‘preciso esconder a minha pele’. “O meu objetivo principal é ajudar as pessoas a iniciarem um processo de autoaceitação, deixando de se comparar, de forma constante, com as representações irrealistas que veem todos os dias nas redes sociais”, acrescenta.

lido com a minha acne interiorizando que é algo normal. Não gasto toda a minha energia a tentar que desapareça.

 

DeVito sabe do que fala: ele próprio lida com a acne desde a adolescência e, durante muito tempo, sentiu necessidade de retocar as suas próprias fotografias antes de as publicar. Hoje, tem uma opinião diferente sobre a pele na qual vive: “lido com a minha acne interiorizando que é algo normal. Não gasto toda a minha energia a tentar que desapareça. Sim, vou ao dermatologista e, sim, estou a trabalhar para que a minha pele fique saudável, mas não fico obsessivo com isso”, revela.

‘A acne é normal’ ou ‘uso [as borbulhas] como se fossem diamantes’ são algumas das frases que aparecem escritas nos rostos dos modelos que fotografa. Conta-nos que só os conhece no momento de cada sessão, uma escolha que resulta numa experiência de descoberta mútua entre quem fotografa e quem é fotografado.

“O processo de os ir conhecendo, ao longo das sessões, foi muito divertido”, diz. “Pude aprender acerca das experiências de cada um com a acne e a forma como cada um deles, à sua maneira, aprendeu a aceitar a pele em que vivem”.

O impacto das celebridades e redes sociais

Apesar de todas as imagens já se terem tornado virais, há uma fotografia que se tornou especialmente popular. Inclui um excerto da música ‘Humble’ de Kendrick Lamar – ‘estou tão cansado do Photoshop’ – e foi republicada pela modelo internacional Cara Delevingne.

O que para DeVito foi, na altura, surpreendente, assume-se, atualmente, como um meio relevante para a mensagem: “acredito que as celebridades e influencers devem ser vozes ativas no que diz respeito ao amor-próprio”, defende.

As pessoas se devem focar em gostar de si mesmas acima e antes de qualquer outra coisa

Apesar de serem plataformas atualmente relevantes, capazes de inspirar, despertar a criatividade, a comunicação e entreajuda, as redes sociais também podem ter efeitos nefastos. São vários os estudos que provam a existência de uma relação direta entre o uso excessivo destas plataformas e os problemas de autoestima – em grande parte, devido à ideia de que tudo o que se vê é real e de que a vida das outras pessoas é perfeita.

“Quando se passa muito tempo nas redes sociais, a ver as outras pessoas a parecerem ‘perfeitas’, o sentimento com que ficamos é que a nossa vida não é nada de especial. Este tipo de realidade acaba por levar muitas pessoas a desenvolver padrões irrealistas de si próprios e isso não é justo, nem positivo”, defende o fotógrafo.

Normalizar a acne e o conceito de (im)perfeito

O trabalho que faz acaba por contrariar esta ideia, tendo um impacto direto nos outros. Multiplicam-se os comentários de agradecimento: “Estas imagens mantêm-me sã e ajudam-me a gostar de mim nos dias em que me sinto imperfeita” ou “Sofro de acne há mais de 20 anos. Esta fotografia ajuda-me a sentir melhor com a minha pele. Obrigada” são apenas exemplos do efeito positivo do projeto.

“É frequente receber mensagens de pessoas que dizem já não sentir necessidade de ter vergonha das suas imperfeições depois de verem o meu trabalho. Isso é tudo o que posso pedir deste projeto”, revela.

https://www.instagram.com/p/BdVxS5-D8KX/?taken-by=peterdevito

De acordo com a British Skin Foundation, 63% dos indivíduos com acne têm baixa autoestima e 20% já pensou em suicídio. Dados que fazem deste projeto ainda mais relevante – especialmente se tivermos em conta que a acne afeta, de acordo com uma investigação publicada na NCBI, 9,4% da população global, assumindo-se como a oitava doença mais prevalente a nível mundial.

Terminamos a conversa a perguntar-lhe se nos revela o seu próprio lema de amor-próprio. Responde-nos, com sinceridade, que não tem um lema, mas sim uma certeza: “as pessoas se devem focar em gostar de si mesmas acima e antes de qualquer outra coisa”.

Veja algumas das fotografias do projeto de Peter DeVito na galeria, em cima, e siga-o no Instagram em @peterdevito.

 


Ler mais:

https://www.womenshealth.pt/beleza/missao-adeus-acne-diminuir-oleosidade/


 

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