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Patrícia Mamona sobre o seu corpo: “Nem sempre foi uma boa relação”

Entre os vários temas sobre os quais falamos na entrevista para a Women’s Health, abordamos o tema #oMeuCorpo, que a campeã olímpica defende.

Patrícia Mamona

‘O que te motiva a treinar todos os dias?’ Esta é a pergunta que Patrícia Mamona mais ouve, e à qual tem sempre dificuldade em responder. “É isto que eu gosto de fazer!”, diz-nos, justificando que para ela é fácil levantar-se e ir treinar, dia após dia. Ainda assim, não quis terminar a entrevista à Women’s Health (que pode ler na edição de janeiro/fevereiro de 2022, atualmente em bancas), sem deixar às nossas leitoras um conselho sobre como se motivarem a entrar (ou a manter) o ritmo a que se propuseram ao entrar no novo ano.

“Para começar, façam desporto. Aviso que no início custa um bocadinho, mas as regalias que vão sair dali, vão ser bem positivas; Vão se tornar melhores, com mais qualidade de vida, com muito mais energia, que é uma coisa incrível que o desporto faz. No início parece que não tens energia, ficas cansada, mas quando entras no ritmo começas a ter muito mais energia começas a ter mais agilidade para fazeres coisas do próprio dia a dia. Depois, a nível de saúde sabemos que o desporto faz bem, que é uma forma de prevenir possíveis doenças. E claro, ficam fit, com um corpo ali todo jeitoso (risos)”.

A relação com o corpo

Aproveitamos este ponto importante, que é o físico, para perguntar a Mamona se a própria sempre teve uma boa relação com o seu corpo. Hoje, é uma mulher confiante da sua imagem, mas nem sempre foi assim.

“Antigamente no desporto, havia muito o estigma de que quem fazia desporto era uma mulher-homem, não se cuidava. Eu na altura ouvia o que as pessoas diziam e sentia-me mal comigo mesma, houve uma altura que quando o meu professor dizia “agora vamos fazer supinos e pull ups e push ups” eu reagia logo “braços?! Ai, não! vou parecer um homem!” Até ao dia em que ele me disse “mas o que é que tu queres? Queres ter braços de mulher ou queres ganhar a medalha olímpica?” O que eu queria mesmo era a medalha olímpica. E pronto, assim acabei com este estereótipo, porque preferi ver o meu corpo como um instrumento para o meu objetivo”, confessa.

“Sei que tenho de transformar o meu corpo para aquilo que realmente me faz feliz”

Depois daquele choque de realidade, não lhe foi difícil mudar o mindset. “Sei que tenho de transformar o meu corpo para aquilo que realmente me faz feliz, e não tanto na parte estética”. Um facto que, soube mais tarde, é comum a qualquer mulher – atletas de alta competição inclusive.

“Quando comecei a ir a competições, comecei a perceber que cada pessoa, cada mulher, tem um corpo completamente diferente. As raparigas da natação tinham ombros largos. Eu tenho pernas muito compridas, que é uma coisa que se procura na moda mas que eu não gostava nada, porque uso um biquíni e parece que tenho um fato de banho completo, porque não tenho muito tronco, mas depois percebi que este era o corpo ideal para o atletismo, ainda para mais sendo pequena!”, diz-nos.

“Para cada função, o corpo adapta-se. Acho que temos de perceber isso e estar confortáveis. Eu estou confrontável com o meu corpo porque sei que ele está a ser trabalhado para aquilo que realmente me faz feliz. Sei também que tem a ver com a idade, mas acredito que não seja fácil mais os mais novos. A mensagem principal será sempre: aceita o teu corpo, somos todas diferentes e cada uma é linda à sua maneira”, remata.

“A mensagem principal será sempre: aceita o teu corpo, somos todas diferentes e cada uma é linda à sua maneira”.

“…à sua maneira”, realça Patrícia Mamona, indo ao encontro do movimento #oMeuCorpo que a Women’s Health defende. É uma mensagem que ainda precisa de ser trabalhada?

A nossa entrevistada não duvida que sim. “Ainda bem que a Women’s Health defende isso, porque ainda hoje a indústria mantém um físico muito especifico e no caso de jovens de 13 ou 14 anos, que estão a desenvolver-se e tem acesso a tudo, pode tornar-se um bocadinho perigoso. Eu tenho uma prima de 13 anos, que de repente diz que quer meter peito e lábios.

Ela ainda não tem a capacidade de perceber como é que ela é, que ela é uma pessoa diferente,… não esta confortável com o seu corpo e quer imediatamente o físico de outra pessoa. Mas intrinsecamente ela não quer só o corpo, ela quer as regalias que a outra pessoa tem e acha que a forma mais fácil de lá chegar é fazendo exatamente aquilo que a outra pessoa faz ou ser exatamente igual a outra pessoa e não tem de ser assim. Nós como mulheres temos de nos unir mais contra este preconceito, e sermos mais carinhosas connosco mesmas”.

“Gosto de ti assim”

“Uma coisa que gostei muito nos Estados Unidos, quando morei lá, foi o facto de as raparigas se apoiarem muito entre si. Eram muito “You go, girl!”. Eu acho que isso é muito importante para as mulheres, mas em Portugal não sinto muito isto, sinto cada vez mais, mas acho que ainda precisamos de dar um passo para que não haja aquela competição entre mulheres. Não sei me explicar melhor, mas sei que temos de dizer “És linda à tua maneira, gosto de ti assim”. Cada vez mais, acho que isso vai ajudar muito a comunidade feminina”, garante.

Assinamos por baixo!

Para conhecer o resto da conversa que Patrícia Mamona deu à Women’s Health, leia a entrevista completa que encontra na revista atualmente em bancas.

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