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Podem as pastilhas dentífricas substituir a escova e a pasta?

Uma boca saudável e dentes limpos implicam que use pasta e escova depois de cada refeição. Mas, será que as pastilhas dentífricas podem fazer o mesmo?

Mostrar sempre o melhor de si não implica apenas que a roupa esteja na moda e que a maquilhagem pareça saída de um filme. De facto, um aspeto cuidado também se verifica muito no estado de saúde geral. No caso da saúde oral a questão é ainda mais preocupante dado que, uma boca pouco saudável é fácil de identificar.

José Silva Marques, médico dentista e professor auxiliar de Cirurgia e Medicina Oral na Cooperativa de Ensino Superior Egas Moniz, afirma que são os mais jovens que se revelam mais preocupados com a sua saúde oral, dado que já não “aceitam pacificamente a existência de cáries extensas ou de perdas dentárias como faziam as gerações anteriores”. O especialista diz ainda que nota uma preocupação com o lado mais estético da saúde oral no que toca à harmonia do sorriso, o que pode obrigar a alguns tratamentos ortodônticos.

Dentes limpos em dois tempos

Escovagem + flúor = boca saudável. O cuidado diário com os dentes e com a saúde oral de uma forma geral deve, então, implicar que escove os dentes depois de cada refeição – sim, leu bem. “Os resíduos alimentares, se persistirem, vão sofrer a ação da flora bacteriana e a sua degeneração permitirá a degradação da estrutura dentária e a proliferação bacteriana capaz de causar agressão aos tecidos moles da boca”, pelo que José Silva Marques reforça a necessidade de escovar os dentes logo após cada refeição.

No que toca à escolha da pasta dentífrica, a situação também não parece muito simples. É preciso ter em conta se a marca que escolhe é certificada e se tem licenças que garantam a segurança do uso. E é aqui que alguns produtos alternativos podem surgir como uma ameaça.

Sabe escolher uma pasta de dentes?

De acordo com o especialista em medicina oral, as pastas devem conter “água, um detergente, componentes abrasivos, um ligante, pelo menos um agente humectante, neutralizadores de pH, conservantes e modificadores de gosto”. Está confusa? Mas não fica por aqui. O flúor está também presente nestes produtos que usamos várias vezes por dia para limpar a boca, mas apesar de ser um composto importante – e sobre o qual existe evidência cientifica – pode tornar-se tóxico.

É por isso que deve evitar ingerir pasta de dentes quando escova, dado que pode causar algum tipo de alterações metabólicas ao nível do fígado. “A concentração média potencial do ião Flúor numa pasta dentífrica comercial moderna ronda as 1500ppm, sendo admissível concentrações até 2800/3000ppm. Concentrações superiores devem ser evitadas”, adverte o especialista em medicina oral.

Agora já sabe tudo o que deve procurar numa pasta de dentes, a frequência com que deve escovar e os cuidados essenciais para uma boca saudável. Mas nem sempre é muito fácil andar com a escova e a pasta atrás. Certo?

É aqui que surgem novas alternativas como as pastilhas dentífricas, quase como uma solução para os dias em que está presa no escritório e onde não se sente muito à vontade para escovar os dentes ou até para quando vai de férias e não consegue ter uma pasta e escova sempre à mão. A ideia é que coloque uma destas pastilhas na boca e que, sem recurso à pasta de dentes, consiga fazer a higiene da sua boca. “Com agentes emulsionantes e abrasivos capazes de estimular a salivação, contribuem sem dúvida para a neutralização do pH oral e para a remoção da maior parte dos resíduos alimentares persistentes”, explica José Silva Marques.

Quem é que não quer estar hoje a 100% no look, odor, hálito, ou seja, com os padrõezinhos bem altos“, questiona Helena Fernandes Vaz, médica dentista do Hospital Luz-Setúbal. E é justamente para atingir e manter esse padrão bem alto que as pastilhas dentífricas ganham espaço no mercado.

Helena Vaz destaca que este tipo de produtos se escuda no facto de serem mais amigos do ambiente, mais naturais e até veganos, deixando de lado alguns componentes como o flúor ou a glicerina. O problema, segundo a especialista, é a falta de estudos e dados que digam sem margem para erro que estas são alternativas viáveis ao clássico escova mais flúor.

O Guia para uma boa saúde Oral da Ordem dos Médicos Dentistas explica que, caso a pessoa não tenha acesso a pasta e escova de dentes deve, então, optar por mascar uma pastilha elástica sem açúcar. E, para Helena Vaz, é aqui que as pastilhas dentífricas podem ganhar terreno, face às elásticas.

Em comum os dois especialistas que falaram à Women’s Health têm também a ideia de que estes produtos se tratam de um sucesso de marketing. Isto, porque, no caso de algumas destas pastilhas dentífricas, “até o conservante (mal afamado) benzoato de sódio está presente e não há nada de natural neste sal, é um químico industrial”, explica José Silva Marques. No caso de opções com carvão ativado, por exemplo, “contêm o agente abrasivo, mas não o flúor que tanto se mostrou eficaz no combate à cárie dentária”, continua o médico dentista.

Assim, estes produtos são uma boa opção para garantir a higienização da boca em situações em que o recurso aos métodos tradicionais não é possível.

Veja na galeria acima algumas pastilhas dentífricas


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