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Ortorexia Nervosa: Quando o ser saudável vira obsessão

Dra. Ana Rita Lopes

A ortorexia nervosa caracteriza-se por uma obsessão patológica com uma nutrição adequada, por uma dieta restritiva e por uma evicção rígida de alimentos julgados não saudáveis ou impuros. O objetivo é atingir uma saúde ótima, prevenir doenças ou alcançar uma imagem corporal considerada ideal.

O termo ortorexia deriva da palavra grega ‘orthos’, que significa correto, e da palavra ‘orexia’, que significa apetite. É considerado um transtorno alimentar, caracterizado por uma obsessão com a prática de uma alimentação saudável.

Atualmente existe uma maior consciencialização sobre a importância de uma alimentação saudável, porém, surgem casos em que as recomendações alimentares são seguidas com extremismo e em que, ironicamente, a procura por uma alimentação mais saudável e pura acaba por levar a distúrbios psicológicos ou mesmo físicos.

Foi em 1997 que o médico Steven Bratman registou o termo ‘ortorexia nervosa’, após o próprio a ter experienciado. Caracteriza-se por uma obsessão patológica com uma nutrição adequada, por uma dieta restritiva e por uma evicção rígida de alimentos julgados não saudáveis ou impuros, com o objetivo de atingir uma saúde ótima, prevenir doenças ou alcançar uma imagem corporal considerada ideal. Contudo, esta rigidez leva frequentemente a desequilíbrios nutricionais, baixa qualidade de vida e mesmo a complicações clínicas. Esta perturbação ocorre frequentemente em pessoas com uma personalidade obsessivo-compulsiva, ou pode ser resultante das pressões que a sociedade atual vinca sobre a imagem corporal.

Apesar de a ortorexia nervosa não ser ainda considerada uma doença do comportamento alimentar, tal como a anorexia e bulimia nervosas, têm surgido cada vez mais estudos que a aproximam dessas doenças psiquiátricas. Esta preocupação desmesurada com a alimentação leva a que estes indivíduos dediquem cada vez mais tempo a planear as refeições e menos tempo ao lazer, podendo ter um impacto negativo na sua vida social.

Em termos epidemiológicos, estudos recentes sugerem uma prevalência de 6,9% na população em geral e 35 a 57,8% em grupos de alto risco, como profissionais de saúde, do exercício e artistas.

Como se distingue a ortorexia da simples preocupação com a saúde? A grande diferença entre a preocupação com uma alimentação saudável e a ortorexia surge a partir do momento em que esta se torna um motivo de ansiedade, sofrimento e de isolamento, diminuindo a qualidade de vida.

Sinais de alerta: Não se permitir ingerir um alimento julgado ‘menos saudável’; Sentir tristeza ou angústia se consumir um alimento que considere ‘menos saudável’; Ficar ansioso por não poder cumprir as refeições planeadas; Só realizar refeições em casa, onde pode controlar totalmente aquilo que come; Contabilizar todas as calorias e nutrientes ingeridos; Analisar pormenorizadamente os rótulos de tudo o que come; Isolar-se para poder consumir apenas aquilo que sabe ser saudável.

Em conclusão: A responsabilização pela nossa própria saúde é fundamental, porém, se formos demasiado obsessivos com a alimentação e nunca nos permitirmos um alimento menos saudável, é possível que os níveis de ansiedade aumentem a ponto de desenvolver uma perturbação psicológica. Assim, recomenda-se que haja uma alimentação equilibrada e variada, privilegiando os alimentos mais naturais, mas de forma descontraída e aprazível, sem extremismos.

Os estudos mais atuais sugerem que a ortorexia pode ser tratada através de terapia comportamental cognitiva, educação alimentar e medicação. Deste modo, além do apoio de um dietista/nutricionista para desmistificar ideias e orientar em termos alimentares, é fundamental procurar apoio psicológico.

Por

ana rita lopes

 

Ana Rita Lopes, Cédula profissional 0467N, nutricionista e coordenadora da Unidade de Nutrição Clínica do Hospital Lusíadas Lisboa.

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