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Onde andam os meus orgasmos?

Onde andam os meus orgasmos?

A sexualidade feminina é um tema que continua a inquietar a Ciência – e a cabeça de muitos homens.

A procura pelas respostas que nem mesmo as próprias mulheres conseguem dar é o propósito de um sem-fim de estudos que, aos poucos, começam a conseguir apontar o dedo a um ou outro culpado pela azáfama (física e emocional) que é a vida sexual de uma mulher.

E tudo começa com a complexidade do próprio corpo feminino. De acordo com um estudo publicado na Archives of Sexual Behaviour, a resposta física da mulher ao desejo sexual difere da que o homem apresenta. E mais: a mulher pode mesmo responder fisicamente sem estar a sentir desejo (ao contrário do homem, que apresenta uma ereção assim que se sente excitado).

Fatores amorosos, sociais ou ambientais podem comprometer o desejo, mas, no caso das mulheres, o apetite pelo sexo oscila muito à boleia do seu círculo hormonal – tão facilmente afetado de dia para dia.

E quando o tema são hormonas, é impossível escapar a um fator exclusivo da mulher: a pílula.

A pílula é um método contracetivo hormonal de toma diária produzido à base de hormonas sintéticas – estrogénio e progesterona (no caso da contraceção combinada) e somente progesterona – e tem como principal função inibir a ovulação e, com isso, travar uma gravidez indesejada.

Este fármaco tão comum possui ainda outros efeitos: Reduz as dores menstruais e a má disposição associada ao período e pode ainda ajudar a controlar picos de acne e as dores de cabeça. Contudo, a longo prazo, pode ser o prazer sexual feminino o principal alvo da pílula. E isso não é bom.

 

Sob o efeito da pílula

O método contracetivo hormonal “interfere bastante” com o desejo da mulher e, por consequência, com os orgasmos – e toda a vida sexual. “Os médicos agora dizem que interfere menos do que antigamente, porque as dosagens são menores, mas não”, começa por nos dizer a psicóloga e sexóloga Vera Ribeiro.

“Costumo dizer que é a pílula que engana o cérebro para que seja produzida menos hormona [sexual masculina, a testosterona], pois à medida que tomamos a pílula diariamente estamos a induzir que essa será a quantidade certa para o nosso organismo e não há oscilações hormonais, não há mudanças de comportamento durante o ciclo porque estamos doseadas”, diz a também autora do livro Manual de Sedução [Manuscrito].

Mas, em que medida a pílula pode ser um entrave ao desejo sexual e até mesmo ao prazer que a mulher sente?

Segundo um estudo publicado no Journal of Sex Medicine em 2014, a pílula “pode afetar diretamente fatores como a libido ou os orgasmos”. Nesta investigação, as mulheres que tomaram pílula diariamente – como milhões de mulheres em todo o mundo fazem – “experimentaram menos excitação, queda do prazer sexual, menos orgasmos e mais dificuldade com a lubrificação vaginal, mesmo quando estavam controladas caraterísticas sociodemográficos como a idade, o estado da relação, a exclusividade sexual e a presença de crianças em casa”.

Em causa, lê-se numa outra investigação publicada em 2014 (na revista científica Human Reproduction Update), está o facto de “os contracetivos hormonais com estrogénio reduzirem a testosterona livre e total e os níveis de androgénio”.

Além da falta de desejo, quando a quantidade de testosterona está demasiado baixa, a mulher sofre uma redução da secreção vaginal. O que é que isso quer dizer? Fica menos lubrificada e mais propensa à dor durante o ato.

Esta situação não só pode causar desconforto e embaraço, como pode mesmo ser usada como travão para uma vida sexual ativa, pois nada tem de prazerosa para a mulher.

Quando a pílula se assume como uma barreira do prazer e de uma vida sexual ativa, a mulher deve procurar um médico ginecologista para perceber se a dosagem é a mais correta ou se estão em causa outros fatores que – combinados ou não com a pílula – podem estar a interferir com o desejo e com a capacidade de atingir o clímax.

 

Onde andam os meus orgasmos?

As alterações hormonais – com ou sem toma de contracetivo -, como as que acontecem na tiroide ou prolactina, são um dos fatores que mais podem interferir com o desejo sexual feminino.

Contudo, a rotina apressada, o cansaço, o stress, o comodismo amoroso (aquela fase da relação em que já não há qualquer tipo de iniciativa pela mudança) e falta de preliminares – fundamentais para a intimidade do casal e para a excitação de ambos – podem também comprometer a vontade da mulher querer sexo e até mesmo a capacidade de atingir o clímax. (Sabia que os homens também têm um entrave ao desejo?)

“Colocamos em primeiro lugar o nosso trabalho e o sermos bem-sucedidos e deixamos para último a nossa vida íntima, comprometendo o equilíbrio do casal, porque não há investimento, não há qualidade na relação”, conta.

Em consulta, Vera Ribeiro consegue perceber este tipo de problemas e outros que podem ser facilmente resolvidos e que raramente são associados pelo casal à falta de desejo da mulher.

“Pergunto como são as tarefas domésticas em casa, o que é que cada um faz. Tem de haver uma regulação, não se pode querer sobrecarregar a mulher com tarefas e esperar que ela depois esteja disponível para fantasiar, para organizar um jantar diferente ou para estar mais disponível depois do trabalho. Obviamente que não, porque as preocupações e a lista de fazeres são tantos e não sobra tempo para esse bem-estar”, destaca Vera Ribeiro.

Para conseguir mais e melhores orgasmos, a mulher não tem apenas de avançar com uma prática sexual mais frequente. A qualidade do sexo é fundamental, assim como o conhecimento que tem sobre o próprio corpo – e, sim, a masturbação deve fazer parte da rotina!

“A mulher tem de olhar para si, tem de se conhecer, mesmo que tenha alguma idade nunca é tarde para fazer uma investigação sobre si própria, perceber o que gosta, o que não gosta, o que quer e o que não quer, até onde está disposta a ir. Conhecer esses limites e, a partir daí, desenvolver a sua capacidade de melhorar a vida sexual e manter a conquista da cara-metade, é fundamental não deixar que as coisas desvaneçam no tempo”, segure.

 

https://www.womenshealth.pt/sexo/11-coisas-deve-saber-clitoris/

 

Melhorar a vida a dois… e debaixo dos lençóis

“A prática de desporto é fundamental para as mulheres, porque, para além de produzir a testosterona, que temos em menos quantidade do que os homens, também vai fazer um aumento da dopamina, que ajuda na melhoria do desejo sexual, pois faz com que nos sintamos bem, bem-dispostas e alegres e isso interfere na esfera sexual”, revela a especialista, que destaca ainda a importância da mulher cuidar mais de si e do seu bem-estar.

Temos de nos mimar, de nos sentir bem de forma geral. O facto de a mulher se sentir bem de um modo geral é já meio caminho andado para se sentir bem também na sua intimidade”, continua.

Uma das velhas máximas para aumentar o desejo sexual é “alterar rotinas”. “Muitos casais dizem que gostavam de se sentir apaixonados novamente, estão juntos há muitos anos e sentem que a paixão desapareceu. Têm de fazer algo de novo para que a paixão seja reativada, é preciso que se sinta que se está numa experiência nova”.

E a tarefa é bem mais simples do que pode imaginar: “Parar um pouco, fazer uma aula de yoga, meditar, fazer algo que os relaxe. É também muito importante para os casais hoje em dia parar um bocadinho para pensar nas coisas”.

Na hora de procurar mais desejo – e melhor sexo – há que saber dar asas à imaginação (e colocar em prática algumas dicas).

Segundo Vera Ribeiro, “as mulheres portuguesas têm um défice muito grande de fantasiar. E nesse aspeto, a literatura erótica é mais recomendada do que os filmes, pois faz com que o imaginário seja mais rico e apele aos sentidos”.

Através da leitura – veja as nossas sugestões aqui -, a mulher “consegue viver as situações que está a ler, enquanto num filme o estímulo é praticamente visual, o contexto e cenário estão feitos e isso não permite a capacidade de fantasiar. A mulher vai desenvolvendo essa capacidade à medida que vai lendo um livro”.

 

https://www.womenshealth.pt/sexo/proteina-melhorar-vida-sexual-harvard/

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