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Que linha separa uns quilos ‘a mais’ da falta de saúde?

Especialista explica e explica o que é a pré-obesidade.

Que linha separa uns quilos ‘a mais’ da falta de saúde?

A diversidade de corpos é uma realidade cada vez mais aceite. Caem os limites de medidas exatas e ideia de corpos perfeitos que todas temos de seguir, para dar lugar à aceitação do próprio corpo. O movimento #oMeuCorpo, lançado pela Women’s Health defende isso mesmo; que cada uma tem o corpo que tem e o foco deve estar em amá-lo e cuidá-lo da melhor forma por um bem-estar interior e exterior.

Além deste nosso movimento, a mesma ideia é defendida por muitos outros. A indústria da moda cada vez mais arrisca em não esconder estrias, celulite ou barrigas e coxas reais. Em publicações partilhadas nas redes sociais, também os verdadeiros corpos são cada vez mais defendidos e até aplaudidos o que é positivo… quando não se passa a ténue linha entre o que é e o que deixa de ser saudável.

Seguindo a mesma linha de aceitação de corpos que fujam aos parâmetros que a própria sociedade anteriormente impôs, há casos de quem indiscutivelmente sofre de obesidade. Mostrar o corpo e assumir uma mudança por questões de saúde é de facto um exemplo a ser aplaudido e partilhado. Já aceitar aquele corpo e não fazer nada para o mudar é um risco que camufla inúmeros outros problemas, sejam eles psicológicos ou físicos e que contraria tudo o que até agora foi referido sobre aceitar o corpo ao cuidá-lo por dentro e por fora.

Como é a questão vista em Portugal?

Foi Selma Souto quem respondeu à questão. A endocrinologista do Hospital de Braga e secretária-geral da Sociedade Portuguesa para o Estudo da Obesidade começa por alertar que esta é uma realidade bem mais dramática do que se acredita e que afeta mais de metade da população nacional. Assim comprovam os mais recentes dados do Inquérito Nacional da Alimentação e do Exercício Físico realizado entre 2015 e 2017. Lá, a percentagem de quase 60% respeitante aos casos de obesidade ou pré-obesidade refletem a dimensão do problema.

Na teoria, solucionar este problema não seria difícil. Alguém que sofra de obesidade ‘só’ tem de mudar de hábitos, priorizando uma alimentação saudável e prática de exercício físico. Mas sendo esta uma doença crónica, é sabido que a ajuda tem de ir mais além. Em Portugal, “existem alguns medicamentos eficazes na perda de peso e aprovados para o tratamento da obesidade e pré-obesidade” refere Selma Souto que acrescenta que “nos casos mais graves de obesidade, pode-se recorrer à cirurgia bariátrica”.

Onde começa a cura

Antes de qualquer mudança alimentar, treino ou medicação, há que reconhecer o problema e não há dúvida de que quando mais cedo tal acontecer, maior a taxa de sucesso no seu combate. Como refere a endocrinologista, “Se nada for feito, a maioria dos pré-obesos irá evoluir para obesos!”

Contra isto, o dever passa por alertar que a obesidade pode ser uma porta para incontáveis outras doenças, além de limitar desde logo a qualidade de vida da pessoa. Diabetes, hipertensão, doenças cardiovasculares, apneia obstrutiva do sono, potencial desenvolvimento de certos cancros ou problemas osteoarticulares são apenas alguns dos males que surgem à boleia da obesidade e que levam à irrefutável informação: um indivíduo obeso ou pré-obeso não é um indivíduo saudável.

“Há doentes que encaram a obesidade ou a pré-obesidade como um problema estético e ficam surpreendidos quando são informados que têm uma doença. Nesses doentes a procura de ajuda prende-se por vezes com a questão do aspecto físico e não propriamente com a prevenção de doenças associadas” reconhece a especialista.

Um passo de cada vez

Como diz a secretária-geral da Sociedade Portuguesa para o Estudo da Obesidade, define-se alguém como obeso quando o seu índice de massa corporal é igual ou superior a 30kg/m2. No que respeita ao tratamento, “o objetivo inicial passa por perder pelo menos 5 a 10% do peso corporal”, explica. Para a maioria, perder aqueles 10% não é suficiente para que se atinja um peso normal para a sua estatura, contudo, está demonstrado que é o primeiro passo para se começar a reduzir certos riscos a nível de pressão arterial, cardiovascular ou sono.

Assim que o doente começar a sentir melhorias e a constatar que é possível mudar, ganhará certamente o ânimo necessário à mudança por um corpo melhor. Em suma, há que dizer não aos extremismos. “A obesidade mata, mas o baixo peso também”, alega a endocrinologista. Refutar a noção de ‘corpos perfeitos’ mas também a aceitação de qualquer corpo, sem limites que tenham em conta as questões de saúde, é por isso um dever de todos nós que justifica que haja um dia como o de hoje que marque a luta contra a obesidade.


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