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O risco das dietas de choque

Mais parada nestes dias e com medo de ganhar peso? Ok, não está sozinha. Mas jamais ‘mergulhe’ numa dieta de choque. Saiba porquê.

O risco das dietas de choque

Na Women’s Health defendemos o conceito de alimentação saudável durante todo o ano. Mas, apesar de todos os argumentos, sabemos que são muitas as que se deixam levar pela fantasiosa ideia de soluções milagrosas. Aquelas que prometem fazer recuperar sem esforço o corpo que tinha antes das jantaradas e todos aqueles copos a mais. Mas já pensou nas consequências destes choques a nível hormonal?

Interprete a informação que aqui lhe damos como um conselho de amiga e deixe de lado aquela réstia de esperança que a faz argumentar que ‘tentar não custa’. O mal que advém das dietas de choque é bem maior do que os possíveis quilos que possa perder (temporariamente).

Um corte drástico

Dieta de choque. Ora sugere aquele boost de que precisamos para voltar à linha, ora sugere perigo. A Women’s Health falou com dois nutricionistas sobre o tema. Mas se colocássemos a questão a todos os especialistas que integram a Ordem dos Nutricionistas, apostamos que a maioria iria inclinar a resposta para a segunda opção. As dietas de choque são de facto perigosas. Em suma, “todas as dietas que prometem resultados simples e rápidos, sem que sejam elaborados planos a curto e a longo prazo, devem ser encaradas com muitas dúvidas”, refere a nutricionista Gabriela Ribeiro, doutoranda na Unidade de Neuropsiquiatria do Centro Clínico Champalimaud, em Lisboa, que generaliza tais dietas como “todas aquelas cujo valor calórico é reduzido drasticamente, geralmente com restrição de grupos específicos de nutrientes ou alimentos”.

O perigo está precisamente aí, no choque que é para o corpo deixar de receber certos nutrientes essenciais.

Ricardo Castro, nutricionista no consultório com o mesmo nome, em Vila Nova de Gaia, reconhece que “tais dietas originam uma grande perda de água corporal e massa muscular, tornando-se difícil manter o peso perdido”. Aí está uma breve apresentação que serve para designar as chamadas dietas de choque como desadequadas a qualquer indivíduo. E os riscos não se ficam por aqui.

Hormonas em desequilíbrio

Uma crítica feita às dietas de choque centra-se nas hormonas da fome – leptina e grelina –, que são desreguladas aquando da mudança alimentar drástica. Diz Gabriela Ribeiro que a leptina é “uma hormona produzida pelos adipócitos, células que armazenam gordura e enviam informação ao cérebro sobre a quantidade de gordura disponível no organismo”. É responsável pela inibição da ingestão alimentar e aumento da termogénese, o que contribui para a manutenção do equilíbrio energético e, consequentemente, do peso corporal. Já a grelina “é uma hormona gastrointestinal que intervém na regulação do balanço energético a curto prazo”. Mas como aponta Ricardo Castro , apesar da sua relevância, “o mecanismo é complexo e não se baseia apenas nestas hormonas”.

Atenção ao stress!

Qualquer mudança brusca por que o organismo passe, seja deixar de comer carne, inibir-se de açúcar ou praticar o jejum intermitente, irá influenciar de forma negativa todo o organismo. Além disso, salienta Ricardo Castro, “levará ao aumento dos níveis de cortisol. Tal pode aumentar o desejo por doces ou hidratos de carbono refinados, o que, por sua vez, pode originar uma situação de stress”. Contra isto, é fácil entender que qualquer mudança deve ser gradual, nunca brusca, e sempre com acompanhamento especializado.

A solução é…

Não há como negar, “mudanças bruscas no padrão alimentar habitual vão, inevitavelmente, gerar um desequilíbrio”, refere Gabriela Ribeiro. A nutricionista sabe que “a resposta mais imediata será no sentido de recuperar o seu padrão habitual”. Ou seja, recuperar o peso ganho, que não poucas vezes é perdido sob a forma de água ou massa muscular. Mas tal não significa que se deva negar qualquer mudança, desde que de forma consciente. Em primeiro lugar, diz a investigadora, a mudança deve focar-se em objetivos realistas. Objetivos estes que devem reduzir ao máximo o risco de doenças associadas ao excesso de peso.

Importa que o foco não esteja só no peso. Deve estar “também na diminuição do perímetro da cintura, aumento da massa magra e redução da massa gorda”,

Idealmente, uma perda de peso adequada e com benefícios clínicos consideráveis varia entre 5% e 10% do peso inicial. Adicionalmente, importa que o foco não esteja só no peso. Deve estar também “na diminuição do perímetro da cintura, aumento da massa magra e redução da massa gorda”, acrescenta. Uma dieta dita aconselhável e não drástica é uma dieta hipocalórica equilibrada, ou seja, aquela que providencie um mínimo de 1.200 calorias por dia. Ainda que o número apontado seja uma generalização, é correto referir que “dietas com aporte energético inferior a 1.200 calorias por dia pode resultar em défices de micronutrientes. Tal compromete a própria gestão de peso”, aponta Gabriela Ribeiro.

Tais casos servem apenas para pacientes específicos, que sigam programas de perda de peso estruturados e sempre com supervisão clínica. Falamos de casos de obesidade severa ou preparação pré-cirúrgica. Nunca de quem “queira apenas perder uns quilos de forma rápida”.

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