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O que se deve valorizar num rótulo alimentar?

João Rodrigues
O que se deve valorizar num rótulo alimentar?

Por João Rodrigues, nutricionista, professor universitário e autor do livro Duelos de Alimentos e da página Mundo da Nutrição.

Quando se compra um alimento, há vários aspetos que podem ser valorizados: a marca, a quantidade, o sabor, as recomendações, o preço, a origem, entre outros. Contudo, há algo que deveria ser uma das principais características a valorizar, mas que, para muitos, não tem grande importância, que é a informação que vem nos rótulos. É assustador perceber que a grande maioria das pessoas não lê os rótulos, ou então lê apenas a parte menos interessante, que é aquela que nos colocam mesmo à frente dos olhos – a parte da frente das embalagens.

A parte mais importante do rótulo está normalmente escondida na parte de trás (ou de baixo!) da embalagem, em letras pequenas, e sem cores de destaque, ao contrário do que se passa com o nome da marca, que normalmente tem um design muito apelativo, e com imagens a decorar. Ou, eventualmente uma ou outra propriedade do produto em causa, que muitas vezes serve apenas para mascarar uma composição menos interessante. Por exemplo, é frequente ver frases como “Sem açúcar adicionado” ou “Baixo teor de gordura” em produtos que são nutricionalmente muito questionáveis. Mas como esse produto tem alguma dessas características, ao destacar essa informação acaba por se conseguir desviar a atenção do consumidor… Como se isso não bastasse, apesar de muitas vezes o espaço disponível no rótulo ser considerável, a informação nutricional e a composição aparecem com letras tão pequenas que às vezes quase que parece que é preciso uma lupa para se conseguir ler!

Quando se fala num rótulo alimentar, é importante ter a noção de que há vários elementos que têm que estar obrigatoriamente presentes, nomeadamente a designação do alimento, quantidade do mesmo, data de validade, condições de conservação, empresa responsável, local de proveniência, modo de consumo, composição nutricional, listagem de ingredientes e presença de substâncias/ingredientes para as quais é frequente a existência de intolerância/alergia. Ou seja, como se pode constatar, um “simples” rótulo contém muita informação que pode e deve ser valorizada pelos consumidores.

Na composição nutricional de um alimento deve haver obrigatoriamente referência ao valor energético, quantidade de gordura (lípidos) total e gordura saturada, quantidade de hidratos de carbono total e açúcares, quantidade de proteína e quantidade de sal. Todos os restantes dados que possam aparecer nesta composição, são facultativos, e, por isso, têm tendência a aparecer apenas nos alimentos que apresentam uma composição favorável nos mesmos (elevado teor de fibras ou de determinadas vitaminas, por exemplo).

Em relação à listagem de ingredientes, há, desde logo, uma informação particularmente útil a destacar: a ordem pela qual aparecem os ingredientes reflete a sua abundância (de forma decrescente) no alimento. Além disso, nesta listagem muitas vezes aparecem códigos de 3 números com a letra E antes dos mesmos. Estes ingredientes são aditivos alimentares. Sempre que possível, deve-se valorizar alimentos com uma lista de ingredientes mais curta, pois isso significa que são menos processados e, por isso, teoricamente serão uma escolha mais interessante. Ainda em relação à lista dos ingredientes, há alguns que devem vir destacados (normalmente a negrito), que são os que podem provocar algum tipo de intolerância/alergia (amendoim, trigo ou leite, por exemplo).

É também frequente nos rótulos dos alimentos surgirem diferentes alegações nutricionais. Ao contrário do que se possa pensar, a maior parte dessas alegações está sujeita a regras rigorosas, e por isso muitas vezes os alimentos acabam por ser modificados de forma a irem de encontro às mesmas. De forma a conseguir-se interpretar corretamente um rótulo, é importante perceber o que significa cada uma das seguintes afirmações nutricionais:

Baixo valor energético – Para um alimento apresentar no rótulo este tipo de alegação, tem que ter menos de 40 kcal por 100g, se for sólido, ou menos de 20 kcal por 100mL, se for líquido.

Baixo teor de gordura – Se um rótulo de um alimento contiver esta alegação, significa que o mesmo contém menos de 3g de gordura por 100g se for sólido, ou menos de 1,5g por 100mL se for líquido. No caso do leite meio gordo, este último valor sobe para 1,8g por 100mL.

Baixo teor de açúcar – Esta é uma das alegações nutricionais mais valorizadas pelos consumidores, pelo que as empresas alimentares têm estado cada vez mais atentas à mesma. Para um alimento poder ter no seu rótulo esta informação, deve conter menos de 5g de açúcar por 100g, se for sólido, ou menos de 2,5g por 100mL, se for líquido.

Sem açúcar adicionado – Conforme o próprio nome indica, se no rótulo existir este tipo de informação, significa que durante a produção do alimento não foi adicionado nenhum açúcar. No entanto, isso não significa que o próprio alimento não contenha açúcares, desde que estejam naturalmente presentes no mesmo. Um exemplo desta situação é o que acontece com o leite simples, por exemplo, que apesar de não ter açúcares adicionados, contém lactose (açúcar) na sua composição.

Sem corantes nem conservantes – Neste caso, esta alegação significa que durante a produção do alimento não foram utilizados esses tipos de aditivos alimentares. Contudo, isso não significa que esse alimento é menos processado, ou que não contém aditivos, pois pode conter outros tipos de aditivos.

Fonte de proteínas – Para um alimento possuir no rótulo esta alegação, tem que conter uma quantidade de proteína que corresponde a, no mínimo, 12% do total de calorias do mesmo. Para ter uma ideia, cada grama de proteína fornece 4kcal.

Baixo teor de sal – Esta alegação, que também pode surgir sob a forma de “Baixo teor de sódio”, só pode ser aplicada se o alimento contiver menos de 0,12g de sódio (ou 0,3g de sal) por 100g ou 100mL, consoante se trate de um alimento sólido ou líquido, respetivamente.

A presença deste tipo de alegações nos rótulos é importante para informar os consumidores sobre determinada característica. No entanto, convém ter presente que não é o facto de um alimento ter no seu rótulo uma destas alegações que o torna um alimento saudável, ou melhor do que outro que não tem nenhuma alegação. É o somatório de todas as características que permite perceber quais são as melhores opções alimentares, ou seja, deve-se estar sempre atento a todas as informações que os rótulos fornecem.

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