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O que é o Melanoma Maligno e como pode ser evitado?

Segundo a OMS no ano 2020 contabilizaram-se cerca de 15 milhões de novos casos de cancro no mundo, sendo a segunda causa de morte por doença.

Melanoma

POR: Maria Olímpia Cid, cirurgiã geral na CUF Oncologia – Hospital CUF Tejo

Segundo a Organização Mundial da Saúde no ano 2020 contabilizaram-se cerca de 15 milhões de novos casos de cancro no mundo, sendo a segunda causa de morte por doença. Estima-se que o número de doentes afetados cresça cerca de 52% até 2040.

A deteção precoce do cancro é uma das principais prioridades das autoridades de saúde de cada país. Neste sentido, os governos têm vindo a Investir no diagnóstico precoce através de campanhas de rastreio das populações em risco de modo a diminuir a taxa de mortalidade associada.

O Melanoma Maligno Cutâneo (MM) é o terceiro tumor mais diagnosticado nos Estados Unidos sendo, apenas, ultrapassado pelo cancro da mama e do pulmão. A incidência tem vindo a aumentar nas últimas décadas estimando-se que seja, agora, 6 vezes superior às taxas conhecidas há 40 anos. Não é claro se, realmente, existe uma verdadeira “epidemia” ou se estes valores representam o aumento da capacidade diagnóstica relacionada com o rastreio da população. Esta dúvida é suportada pela elevada taxa de diagnóstico do Melanoma in situ, ou seja, quando o tumor está na fase inicial de desenvolvimento (atualmente é 50 vezes mais elevada do que em 1975).

Contudo, nos Estados Unidos verificou-se o aumento transversal da incidência em todos os tipos de MM independentemente da sua espessura. Em contrapartida, o MM das mucosas (olhos, boca, nariz, ânus, vagina e vulva) tem apresentado uma taxa de incidência estável.

No nosso país diagnosticam-se anualmente cerca de 1000 novos casos de Melanoma Maligno Cutâneo, o que equivale a 10 casos/ano por cada 100.000 habitantes. Embora represente um número reduzido de casos, é o maior responsável pela taxa de mortalidade relacionada com o grupo dos tumores malignos da pele.

Os estudos publicados apontam para que a exposição excessiva à radiação solar (raios ultravioleta A e B) seja responsável por cerca 60 mil mortes/ano, destas 48 mil por MM e 12 mil por outros tumores malignos da pele.

Como aparece o Melanoma Maligno?

Este tumor tem origem nos melanócitos existentes na pele e nas mucosas, células produtoras de melanina, que é responsável pela pigmentação da pele e nos protege da radiação ultravioleta.

Surge mais frequentemente a partir de um sinal pré-existente, mas pode manifestar-se com o aparecimento “de novo” de uma mancha, placa ou nódulo que pode ser castanho-escuro ou negro e de crescimento rápido.

Podemos evitar o Melanoma Maligno?

Não é conhecido um método seguro para evitar este tumor. Embora haja fatores de risco que não podemos controlar, como a raça, olhos claros, o tipo de pele clara e com sardas, a presença de sinais da pele (nevos) displásicos e em número elevado, a idade e a história pessoal e/ou familiar de MM ou outros tumores da pele e a existência de imunossupressão, há outros que dependem do nosso comportamento.

Quais são os fatores de risco que podemos evitar?
  • Abuso da exposição solar, quer de forma cumulativa ao longo da vida, quer episódica e intensa com queimadura solar
  • Queimaduras solares graves sobretudo na infância, na adolescência e na juventude
  • Exposição em solários
Qual é a importância do diagnóstico precoce?

O Melanoma Maligno quando detetado nas fases iniciais de crescimento tem uma taxa de cura superior a 95%.

Se deixado sem tratamento, tem um crescimento rápido e agressivo, com eventual aparecimento de ulceração, hemorragia e prurido, podendo atingir outros órgãos, quer próximos, quer à distância (metástases).

O autoexame da pele deve ser realizado regularmente e é um fator determinante na identificação precoce de lesões suspeitas e na implementação de um tratamento potencialmente curativo.

Quais são as alterações dos sinais da pele a que devemos estar atentos?

Existe uma escala designada por “ABCDE” que fornece pistas:

  • Assimetria: contornos assimétricos
  • Bordo: irregular
  • Cor: mais de uma tonalidade ou cor
  • Diâmetro: mais de 6 mm
  • Evolução: crescimento rápido

Esteja atento aos sinais de alerta e em caso de dúvida consulte um especialista. Mesmo em tempos de pandemia, não adie uma consulta, exame ou tratamento por receio de contágio. As unidades de saúde seguem procedimentos de segurança para que o possam receber e tratar.

Importa ainda saber que a abordagem do MM é obrigatoriamente multidisciplinar em centros de referência reconhecidamente experientes nesta área.

O tratamento é cirúrgico para os tumores de espessura fina, podendo haver necessidade de outros tipos de tratamentos nos tumores avançados.

Que recomendações devemos ter em conta?
  • É errada a ideia de que nos devemos proteger apenas quando estamos na praia ou na piscina
  • A exposição ao sol faz-se sempre que estamos fora de casa
  • A água, a areia e a neve refletem a luz solar aumentando a exposição aos raios ultravioleta
  • A radiação ultravioleta existe mesmo nos dias nublados
  • Não devemos evitar fazer exercício físico ao ar livre com a proteção adequada e fora das horas maior risco de exposição aos raios ultravioletas (horário de elevado risco de exposição: entre as 11 e as 17 horas)
  • As crianças devem ser informadas desde cedo sobre os riscos da exposição solar e incentivadas a respeitarem os procedimentos de segurança
  • As crianças com idade inferior a um ano não devem ser expostas ao sol independentemente da hora e da estação do ano
O que devemos saber sobre os protetores solares?

Os protetores solares apenas filtram a radiação solar e não a bloqueiam e, por esta razão, não devem ser usados com o objetivo de prolongar a exposição ao sol.

  • Escolha um protetor solar que proteja contra as radiações ultravioleta A e B (50+)
  • Nenhum produto protege completamente do sol e é resistente à água e ao suor
  • Aplique-o abundantemente em toda a área exposta e com especial cuidado nas áreas não cobertas com roupa, como a face, lábios, orelhas, pescoço, braços, pernas e plantas dos pés
  • Reforce a aplicação 2/2 horas e sempre que transpirar ou molhar a pele
  • Devem ser usados em conjunto com outras medidas de proteção contra o cancro da pele
  • Não devem ser aplicados protetores solares nas crianças até aos dois anos
Quais são as medidas de proteção que não devemos esquecer?
  • Sempre que saia à rua deve aplicar o protetor solar em toda a área exposta
  • Diminua o tempo de exposição aos raios ultravioletas entre as 11 e as 17 horas
  • Neste período do dia de maior risco, use camisola com mangas, calças, chapéu e óculos com filtros para a radiação ultravioleta
  • Use roupas de cores escuras porque não refletem a luz solar
  • Permanecer na sombra é uma das medidas mais eficientes na prevenção do Melanoma Maligno
  • Não use solários ou lâmpadas de bronzeamento

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