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O movimento social que pôs Alison Désir a correr

Já faz cinco dois anos, desde que Alison Désir fundou a coletividade Harlem Run com um objetivo simples: encontrar colegas de corrida. Mas o projeto cresceu…

Já faz cinco dois anos, desde que Alison Désir fundou a coletividade Harlem Run. O objetivo era simples: encontrar colegas de corrida. Acabou por dar origem a uma revolução na comunidade de corredores local.

Désir termina a sua primeira maratona em 2012, em São Diego. No regresso a Harlem, começa a correr mais vezes e, a partir das redes sociais, a convidar mais pessoas. “Harlem é um lugar onde todos podem correr.” Foi assim que tudo começou.

A popularidade aumentou e, ao fim de alguns meses, a Harlem Run já tinha 50 participantes. Atualmente conta com o dobro, 100 corredores ativos.

Corridas de vários tipos

Planeiam-se corridas de 5 e 10 km às segundas-feiras, treinos de pista ou de obstáculos às quintas. Participa-se em corridas organizadas perto da zona geográfica. Meses antes da maratona de Nova Iorque, começam os treinos mais longos, aos fins de semana.

Désir, juntamente com mais 10 membros da Harlem Run, participaram nesta prova em 2015.

A filosofia de grupo que mais se destaca nesta associação é a sua globalidade: corredores jovens, idosos, negros, caucasianos, veteranos e principiantes. Muitos deles nasceram no bairro de Harlem, mas do grupo também podem fazer parte pessoas de outros bairros da cidade, e até os turistas que todos os dias visitam a cidade de Nova Iorque. Os treinos começam com um grito de incentivo. De seguida dividem-se em grupos, por ritmos de corrida.

“Existem grupos onde é necessário estar numa determinada forma física para pertencer aos mesmos”, diz Désir. “Eu quero que todos estejam cómodos seja qual for a forma em que se encontrem!” Désir e os seus cinco “capitães” de grupo traçam vários percursos no bairro de Harlem, uma das zonas da cidade nova-iorquina onde residem mais afroamericanos, muito conhecida pelo famoso teatro Apollo.

“Eu quero que todos estejam cómodos seja qual for a forma em que se encontrem!”

“A ideia é ligar as pessoas que têm respeito pela comunidade a compreenderem este espaço histórico”, explica. No bairro, é normal o envolvimento de todos à volta de uma corrida, especialmente os mais pequenos. Désir diz que é habitual os comerciantes e donos dos hotéis convidarem os corredores a descansar nos seus espaços quando uma prova termina. “Harlem é um dos poucos locais em Nova Iorque onde ainda há um grande sentimento de pertença à comunidade”. O bairro de Harlem “é agora um lugar excitante”, afirma.

Ao mesmo tempo, há um certo aburguesamento e desigualdade social. Ela vê este grupo de corredores como uma forma de conservar a identidade do bairro e de ajudar os residentes mais necessitados. No princípio do ano, a Harlem Run associou-se à Harlem United, uma ONG que ajuda doentes com Sida e sem abrigo.

Correr para ajudar

Juntos organizaram uma prova de uma milha no parque Marcus Garvey, em Harlem. O evento conseguiu atrair 150 participantes, juntando 2.500 dólares para serviços de habitação e saúde.

Désir, que é mestre em assistência psicopedagógica pela Universidade de Colúmbia, nos EUA, pretende iniciar workshops de Psicologia. O intuito passa por promover os benefícios para a mente que o exercício físico é capaz de proporcionar.

Durante a Maratona de Nova Iorque, a coletividade ajudou no posto de abastecimento ao km 33, quando a prova passou pelo bairro. “Harlem tem má fama e as questões de segurança despertam receios. É por isto que, com este apoio, pretende-se desmitificar o local e mostrar ao mundo que Harlem é um lugar onde todos podem correr”, concluiu.


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