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O autista que surpreendeu o mundo ao tocar e cantar desta forma!

Por um lado, perturbações no desenvolvimento, por outro, capacidades intelectuaisincríveis. Como explica a ciência estes casos? Fomos perceber o fenómeno.

Podia ser mais uma prova na fase de seleção dos concorrentes do programa American Got Talent, mas a performance de Kodi Lee, de 22 anos, marcou todos os presentes e espetadores de televisão. Não demorou muito até que o vídeo se tornasse viral e chegasse a muitos mais; mesmo por quem não segue o referido programa.

Cego e com claras dificuldades na fala, foi acompanhado pela mãe que o jovem se apresentou perante o júri. A sua interpretação de ‘A Song for you’, de Donny Hathaway, foi acompanhada de piano, tocada e cantada pelo próprio.

A atuação mereceu uma ovação de pé por parte de todos os presentes. E em pouco tempo Kodi provou de que o seu talento não ficava por ali, tendo ganho a 14º edição do programa.

Mas como é que alguém com autismo, doença que se carateriza por perturbações no desenvolvimento desenvolve tais capacidades na música?

A Women’s Health quis perceber o fenómeno e por isso falou sobre este particular caso com o Dr José Carlos Ferreira, neuropediatra no Centro da Criança e do Adolescente do Hospital CUF Descobertas, em Lisboa.

Certo de que dentro da população autista há casos e casos, o especialista começa por esclarecer que se há casos em que as dificuldades na fala e interação social são claras, autistas menos afetados podem apenas ser mais introespetivos, fechados e geralmente “muito bons em determinadas áreas”. Em suma, são aqueles que antes eram diagnosticados como tendo o síndrome de Asperger. “Mas com as investigações atuais, deixou-se de fazer esta diferenciação”. Passou-se então a falar de níveis de espetro do autismo, explica.

Ora, embora seja comum os autistas apresentarem gostos particulares e interesses em determinadas áreas em que se focam insistentemente, “a maioria dos casos não tem estas capacidades tão desenvolvidas como as deste rapaz”, diz José Carlos Ferreira que define Kodi como tendo o síndrome de Savant (génio, em francês). Um síndrome que carateriza um grupo muito restrito que se carateriza pelas suas competências. O neuropediatra sabe que “dentro deste grupo de génios, que se sobressaem numa certa área mas depois têm muita dificuldade noutras, sobressaem aqueles que além de autistas, são cegos. Estes têm normalmente uma competência muito particular para a música e o Kodi é um destes casos. Mas embora isto já seja sabido desde o século XIX, “é evidente que não sabemos porque é que isto acontece”, admite José Carlos Ferreira.

“Aquilo que se passa no cérebro dos autistas é um mistério”

Infelizmente para a ciência, os casos de autismo como o de Kodi não são os únicos inexplicados. “Não é possível explicar o porquê de certas pessoas desenvolverem tais competências. Percebê-lo é um trabalho que ainda está para ser feito”. Para já, “aquilo que se passa no cérebro dos autistas ainda é um mistério, embora já saibamos algumas coisas”, refere o especialista. “Sabemos que os autistas têm mais neurónios do que a população geral. Só que a natureza não teve o trabalho de criar comunicações entre certos neurónios, e é por isso que estes indivíduos sentem certas dificuldades”.

Então, como os apoia a Medicina?

Além de procurar perceber o autismo, a Medicina, focada na psiquiatria, foca-se hoje em acompanhar autistas através de terapia. Uma ajuda que “pode ser útil para treinar certas competências com as quais não nasceram”. Este acompanhamento é para toda a vida, ainda que com o avançar da idade o autista se torne mais adaptado, pois” já teve o seu percurso e as coisas estão mais controladas”, diz José Carlos Ferreiro, que resume ser por isso que a medicina se foque mais nos casos de crianças.

“É como um guia. As pessoas não deixam de ser autistas com o avançar da idade”. Contudo, e embora haja profissionais de saúde especialmente dedicados aos casos de adultos com autismo, a maioria foca-se numa faixa etária mais nova, numa fase mais inicial. É que “quando a criança é mais pequena, a terapia é mais eficaz”. Logo, é aí que o tratamento e acompanhamento deve começar.


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