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Nuno Baltazar: “São os lugares de desconforto que nos levam a dimensões criativas”

Inspirado no documentário Grey Gardens, Nuno Baltazar apresentou a sua coleção primavera-verão, na ModaLisboa, no passado domingo.

Fotografias de Ugo Camera | ModaLisboa

Tons fortes, silhuetas oversized (mas sofisticadas!), folhos, laçadas e franzidos foram alguns dos pormenores que vimos na nova coleção, South Gardens, de Nuno Baltazar para a próxima primavera-verão.

Fomos falar com o designer para saber mais pormenores sobre as peças que tiveram como fonte de inspiração o documentário Grey Gardens (1975) que retrata a história de duas aristocratas americanas, mãe e fila, que viveram em pobreza numa mansão decadente em East Hampton.

Porque é que escolheu este documentário como fonte de inspiração?

Porque eu acho que a inspiração nem sempre tem de vir de um lugar consensual e direitinho. Foi a Ana Rocha que me falou deste documentário, a culpa é dela (risos). Eu às acho que, às vezes, são estes lugares de desconforto, que é o que este documentário provoca, que nos levam a outras dimensões criativas.

Como é que é passar a história de um documentário para uma coleção de roupa?

Eu não tento passar o documentário para a coleção, mas sim passar o documentário para a minha emoção e, a partir daí, é que passo para a coleção. Neste caso, de facto, existia um propósito um pouco diferente. Eu sempre imaginei que estas mulheres ao olharem-se ao espelho teriam uma realidade diferente daquilo que era o nosso real. Portanto, foi projetar uma fantasia que não existia, mas que estava na cabeça delas. As cores, a explosão de geometria e a sofisticação não existia na vida delas, mas nas suas cabeças talvez existisse.

Acha que é uma libertação da mulher?

Eu acho que sim. Uma mulher que viva livremente e despudoradamente a sua condição, a sua sexualidade, o seu visual, é sempre uma mulher empoderada. Portanto, daí acho que sim é uma libertação.

Como é que foi a escolha dos materiais e das cores?

As cores foram o princípio de tudo. Eu queria que esta fosse uma coleção muito colorida e depois intercalada com tons empoeirados que nos remetiam para a casa e um jardim seco, mas regado com novas cores e mais vibrante. Relativamente aos materiais, temos a seda, sarjas de algodão, os muarés – é uma seleção bastante reduzida e há mais cores do que diversidade de tecidos. Os tecidos tanto podem estar numa camisa, como num vestido, pois são versáteis.

Se pudesse definir esta coleção numa palavra, qual seria?

Um espelho daquilo que nós quisermos. Vai ser diferente para mim e para si.

E como será a moda do futuro?

Eu acho que vai ser cada vez mais individual, mas a tendência é existir sempre uma repetição natural de comportamento em padrão. Isto é, há grupos de pessoas que se vestem de certa forma e há outros grupos que se vestem de outra. As coisas vão evoluindo, sempre foi assim… Eu gostava que fosse diferente, no sentido em que as pessoas usassem menos roupa, mas melhor, mais consciente, com mais qualidade e mais ecofriendly.

Fotografia de Ugo Camera / ModaLisboa
Fotografia de Ugo Camera / ModaLisboa
Fotografia de Ugo Camera / ModaLisboa
Fotografia de Ugo Camera / ModaLisboa
Fotografia de Ugo Camera / ModaLisboa
Fotografia de Ugo Camera / ModaLisboa
Fotografia de Ugo Camera / ModaLisboa
Fotografia de Ugo Camera / ModaLisboa
Fotografia de Ugo Camera / ModaLisboa

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