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“O desejo de qualquer bastonário é que os profissionais promovam a saúde da população.”

‘Perca 10kg em 10 dias!’ ‘Emagreça um quilo por semana’ e tantas outras promessas cujo caminho passa por seguir uma dieta. Porque é que tal ainda acontece?

Facebook/ordemdosnutricionistas

Quando questionada sobre as dietas milagre, se era esta uma tendência que persistia, Alexandra Bento, Bastonária da Ordem dos Nutricionistas reconhece que “há de facto uma procura rápida pela perda de peso, mas não só. Há a procura de um milagre em torno da alimentação e por isso surgem muitas modas alimentares. Muitas das quais para a perda de peso”.

Apesar disso, a Bastonária reconhece existir também quem se preocupe verdadeiramente com a sua saúde. Estes, “procuram aquilo que é a robustez da evidência científica que sirva de base à alimentação saudável”. “No fundo, são duas fases da mesma moeda: o desejo por ter saúde através de um milagre e a procura do equilíbrio por uma vida saudável e sustentável”, conclui.

Mas foquemo-nos no primeiro caso – o das supostas soluções rápidas e milagrosas para a perda de peso. Para Lara Castro Nunes, psicóloga clínica e psicoterapeuta no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, “vivemos num período em que o aqui e agora está na ordem do dia. No que respeita às dietas, não é diferente”.

A psicóloga, que é especializada em doenças do comportamento alimentar, avança que, embora saibamos que o correto é seguir um plano alimentar equilibrado e praticar exercício físico regular, “ao abrir as redes sociais somos invadidos com receitas milagrosas que resultam num corpo perfeito. São nos prometidos resultados imediatos. E o desejo para que tal aconteça ‘ontem’, leva-nos a cair numa armadilha, da qual resulta uma enorme frustração”.

Nutricionistas apoiam estes milagres?

O certo é que não só de redes sociais se baseiam tais dietas, frequentemente sem fundamento. Muitos são os livros publicados que vendem ‘fórmulas mágicas’ para a perda de peso, sob a forma de dieta ou plano alimentar. ‘Perca a barriga em 7 dias’, ‘Como perder 20 quilos num mês’ ou ‘Perda um quilo por semana’. Estes são exemplos de frases chamativas que se vê em capas de publicações sobre alimentação ‘saudável’.

Mas serão nutricionistas a assinar tais publicações? Aos olhos de Alexandra Bento, “talvez seja uma minoria”. “Acredito que sejam mais capas apelativas, mas que no interior da obra esteja a fundamentação de uma alimentação saudável e equilibrada”, reconhece.

Ainda que não possa “esmiuçar livro por livro”, a representante da Ordem acredita que este é o caso mais geral. “Os nutricionistas, enquanto profissionais de saúde que tenham uma atitude responsável e sigam uma prática profissional baseada em evidências científicas, não podem ter outra postura em termos profissionais.

Caso a tenham, “o correto será debruçarmo-nos em conjunto sobre esta questão. Se por ventura alguém não estiver a ter a melhor postura em termos profissionais, deve ser denunciado à ordem dos nutricionistas”.

Casos levados a tribunal

Aí, a atuação passa por avaliar a situação, e na sequência de uma má pratica profissional, o conselho judicial da Ordem (todas as Ordens tem um conselho destes) analisa se há matéria para um procedimento judicial. Em suma, “o certo seria que um nutricionista, enquanto profissional de saúde, atuasse de acordo com as regras e práticas da profissão. Se não o faz, deverá sofrer uma pena disciplinar”, garante Alexandra Bento.

Este é, portanto, o procedimento a seguir quando um nutricionista se afasta daquilo que são os parâmetros a seguir enquanto profissional de saúde. A transmissão de conteúdo errado e não sustentado leva a consequências de grave impacto para a população não informada.

“O meu desejo, e o de qualquer bastonário, é que os profissionais promovam a saúde da população. Não podemos permitir que um nutricionista acabe por transmitir uma informação confundidora aos desejos de saúde da população.”

“O meu desejo, e o de qualquer bastonário, é que os profissionais promovam a saúde da população.”

Aos olhos da psicóloga Lara Castro Nunes, tais consequências afetam tanto a saúde física como psicológica. A nível físico, “o corpo ressente-se com as perdas repentinas de peso, o que pode levar a carências de determinados nutrientes ou mesmo conduzir a futuros descontrolos alimentares em consequência do período de fome a que foram sujeitos”.

A par disso, a nível psicológico, a especialista acredita que “estas ‘dietas milagre’ levem a que os indivíduos se deixem seduzir, acabando numa gigante frustração e sensação de incapacidade de controlo do seu próprio peso e corpo”. Diz a psicóloga que “esta sensação de insatisfação poderia ser colmatada se as pessoas aprendessem que há formas de perder e manter um peso saudável, que não são imediatas, não são milagrosas, obviamente acarretam sacrifícios e passam por uma alteração dos hábitos do dia-a-dia, mas cujos resultados obtidos são possíveis de se manter no tempo, além de conduzirem a um bem-estar geral”.

A bastonária da Ordem dos Nutricionistas é da mesma opinião e sabe que a solução está no apelo à população a que sigam “uma alimentação equilibrada, adequada, sustentada e baseada naquilo que é a nossa cultura”. Em suma, “comer de forma a que, no final do dia, se garanta a máxima saúde e bem-estar do indivíduo”, remata.

Um deve de todos nós

Tal solução não deve, no entanto, ser uma obrigação exclusiva dos nutricionistas. A mensagem tem de ser reconhecida pela população em geral que tome a iniciativa de procurar um especialista na matéria sempre que sentir necessidade de apoio. E este apoio não é um ‘luxo’ que se restrinja a quem tem mais possibilidades económicas. “Se não tem possibilidade de recorrer a uma clínica privada, faça-o num centro de saúde, por exemplo. “O estado tem a obrigação de apoiar uma alimentação saudável; e a população deve ser reivindicativa neste sentido”, garante Alexandra Bento.

Sem dietas, milagres ou fórmulas mágicas, percorra as imagens da galeria e saiba que alimentos deve incluir na sua alimentação. Ser-lhe-ão a base para uma rotina alimentar completa e sustentável.


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