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Bárbara Timo: “Não consigo imaginar uma outra versão minha sem o Judo”

A atleta de Judo falou com a WH sobre o seu caminho na modalidade e a relação com o seu corpo.

Coimbra, 04/01/2022 - atleta de Judo Bárbara Timo. (Maria João Gala/Global Imagens)

Bárbara Timo é natural do Brasil, tem 30 anos e aos 8 anos já ‘brincava’ ao judo. Ao dia de hoje já ganhou uma medalha de prata no Campeonato Mundial de Judo de 2019, competiu nos jogos Olímpicos de 2020 no Japão e é campeã da categoria -63kg no Grand Slam de Paris. Tem sido uma longa jornada num desporto que à partida acabou por ser uma ferramenta que mantinha a pequena Bárbara (que se dizia ser muito tímida) social. Além de que esta foi uma forma de se encontrar no mundo da competição.

“Tenho um espírito muito competitivo e sempre fui a menina que gostava de disputar todos os jogos com os rapazes”, diz. A partir dos 12 anos foi quando começou a levar o Judo mais a sério e quando se federou pelo Flamengo, no Brasil. Hoje afirma que esta modalidade é a sua vida. “Não consigo imaginar uma outra versão minha sem o Judo. Desde que eu assumi o compromisso com o desporto que este abriu-me portas que eu não tinha outras maneiras de conseguir, como por exemplo, viajar, tive a oportunidade de ir aos Jogos Olímpicos, de vir para cá, e de conhecer pessoas incríveis e culturas”, conta Bárbara.

Em 2018 mudou-se do Brasil para Portugal com o objetivo principal de representar este país nos Jogos Olímpicos, diz ter cumprido mais uma meta na sua vida: morar no estrangeiro. Fora esta grande paixão que é o Judo, Bárbara é formada em Marketing, profissão que diz gostar muito, mas se tivesse que escolher outro caminho muito provavelmente escolheria outro desporto. Se não pudesse ser desporto, “seria alguma área de desenvolvimento humano como, por exemplo, psicologia ou qualquer outra área de comportamento”, explica.

Da brincadeira ao desafio

Bárbara diz à Women’s Health que o Judo a fascina de formas diferentes, dependendo da fase em que se encontra. “Hoje o que me faz estar no Judo acho que é a possibilidade de conseguir sempre me superar e ter diferentes formas de alcançar os objetivos que são estar preparada e ganhar”, explica acrescentando que o que a incentiva muito é a evolução e ver quais são os objetivos que pode ultrapassar.

A judoca dá o exemplo de quando decidiu mudar para a categoria inferior e teve de perder peso. “Mudar de categoria foi um desafio que começou com uma brincadeira comigo própria. Eu cheguei a pesar 75 kg, perdi cerca de 12 kg”, diz. Sobre este desafio, Bárbara diz ter sido um processo de autoconhecimento com novas rotinas e hábitos. “Quando estamos motivados e colocamos desafios no processo e não propriamente no objetivo final torna-se mais fácil, porque o meu objetivo último não era ganhar uma medalha, era ver até onde conseguia ir”, explica.

A relação com o seu corpo

“O meu corpo desenvolveu-se muito cedo, tinha muita vergonha dele e comecei a ter estrias muito cedo. As minhas amigas ainda não tinham desenvolvido o seu corpo e eu já tinha estrias. A maioria dos adolescentes tem um problema com a imagem, eu tive bastante”, explica. No entanto, Bárbara diz que aprendeu a amar o seu corpo e a não deixar de gostar dele. “Claro que, às vezes, tenho inseguranças, mas acho essa vulnerabilidade também me ajuda num processo de desenvolvimento, porque eu pego nessas partes mais frágeis e tento desafiar-me a ser mais vulnerável”, diz. Durante este processo de aceitação, Bárbara diz que o Judo ajudou-a muito. “Quando comecei a ganhar mais massa muscular nos braços, para mim foi uma forma de segurança. Nunca liguei ao facto de ficar muito forte, sempre achei que quanto mais forte ficasse maior seria a probabilidade de ganhar medalhas”, diz rindo-se.

Coimbra, 04/01/2022 – atleta de Judo Bárbara Timo.
(Maria João Gala/Global Imagens)

O poder de uma arte marcial

Para o futuro, Bárbara diz ter muitos objetivos, mas o maior é ver o quão longe pode chegar em três anos e ver aquilo que está a montar na sua cabeça realizado. “Eu tenho muitas medalhas para conquistar neste ciclo, quero fazer a minha história e deixar uma marca aqui em Portugal e para as próximas gerações”, diz.

Para as mulheres que gostariam de praticar este tipo de desporto, a atleta diz considerar ser muito importante uma mulher conhecer uma arte marcial por esta oferecer consciência corporal e empoderamento. Além de que é importante para “se conhecer e saber quão fortes nós mulheres somos, aguentamos muita carga de treino e somos capazes de muitas coisas. Acho que é muito importante para uma mulher experimentar uma arte marcial não só para a sua segurança, mas também para se sentir empoderada”, explica.

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