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Na mulher, “os prejuízos do tabaco são ainda mais significativos”

O tabaco é das principais causas evitáveis de doença, redução da qualidade de vida e de morte prematura. E reflete-se no corpo de formas nem sempre óbvias.

Dra. Margarida Dias
Na mulher,

O hábito de fumar (provavelmente não apenas cigarros mas também dispositivos com nicotina), está associado a riscos graves para a saúde! Relaciona-se com maior ocorrência de cancro de vários orgãos – pulmão e via aérea superior (como a faringe e laringe), digestivo, urinário, doença cardiovascular e, também, doença respiratória crónica. É, por isso, uma das principais causas evitáveis de doença, redução da qualidade de vida e de morte prematura.

O tabagismo associa-se inexoravelmente com a perda de saúde, independentemente do tipo de tabaco e da quantidade de cigarros, da idade do indivíduo e duração do hábito. Tem sempre consequências, a curto, médio e longo prazo e, no caso das mulheres, os prejuízos são ainda mais significativos. Apesar de tal não ser tão reconhecido pelo público em geral, é um problema de saúde pública e uma dimensão de ação específica da Direção Geral de Saúde traduzida no Plano Nacional de Prevenção e Controlo do Tabagismo (PNPCT).

Pela composição do tabaco, que reúne milhares de químicos, o seu consumo provoca danos em quase todos os orgãos do nosso corpo.

As mulheres fumadoras somam a repercussão na sua saúde reprodutiva com:
  • Alterações menstruais com períodos mais irregulares, perdas anormais e dor peri-ovulatória;
  • Dificuldade em engravidar e, mesmo, infertilidade;
  • Sintomas relacionados com a diminuição dos estrogénios, tais como, oscilações de humor, cansaço, secura vaginal, muito condicionadores da qualidade de vida;
  • Menopausa mais cedo na vida e, tendencialmente, mais sintomática.

Também na gravidez, além de poder complicar a gestação (por exemplo, gravidez ectópica), o tabaco tem muitas consequências nefastas para a saúde do bebé, logo a partir do útero. Além de atraso do crescimento fetal, maior ocorrência de parto prematuro e de aborto espontâneo, o tabagismo materno determina maior risco de malformações (como a fenda palatina), interfere com o desenvolvimento cerebral e relaciona-se com aumento da mortalidade neonatal. Depois do parto, as crianças nascidas de mãe fumadoras, tendem a ter mais frequentemente infecções e outros problemas respiratórios.

A mulher, ao longo do seu ciclo de vida, ao utilizar qualquer método hormonal de contracepção ou de compensação pós-menopausa, enfrentam maior risco de doença vascular e possibilidade de formação de coágulos na circulação, enfarte do miocárdio e AVC. A idade actua aqui como exponenciador desse risco, nomeadamente, além dos 35 anos, altura até à qual a cessação tabágica deve ser idealmente conseguida.

O aumento da longevidade do ser humano acrescenta anos à vida assim como coloca-nos desafios novos na preservação da saúde e conservação da nossa condição de bem-estar. A osteoporose, condição que fragiliza a estrutura óssea com aumento do risco de fraturas fáceis, é um deles e contribui ao nível mundial para perda importante da autonomia e independência. O tabagismo aumenta significativamente o risco desta doença e as mulheres que fumam devem ser prontamente reconhecidas dessa forma para o rastreio e tratamento atempados.

Os efeitos tóxicos da nicotina e outros químicos presentes no tabaco estão cientificamente relacionados com a incidência aumentada de muitos tipos de cancros. No feminino, o significado vai ainda mais além, com um aumento, que pode ir até aos 80% do risco de cancro do colo do útero, de maior taxa de mortalidade no cancro da mama e uma incidência maior de cancro da vulva. A boa notícia é que deixar de fumar pode, não apenas contribuir para melhores outcomes no tratamento da doença oncológica, como para reduzir o risco da sua ocorrência.

Quando a decisão de cessar o tabagismo é concretizada com sucesso, o nosso corpo mostra cedo sinais de regeneração e recuperação do nível de saúde. Nesta altura da nossa realidade, em combate à pandemia por Covid-19, muitos aspetos da nossa vida alteraram-se, e a experiência do que é novo expande a nossa consciência. Uma oportunidade para questionarmos crenças, atualizar valores e o compromisso com prioridades emergentes na salvaguarda da nossa saúde, uma das dimensões mais importantes do nosso sucesso pessoal, que tantas vezes fica “para depois”. Para apoiar uma correta avaliação e vigilância da saúde, saiba que as unidades de saúde já retomaram a actividade clínica programada com a segurança adequada, pelo que é seguro procurar o seu médico.

Artigo escrito por Margarida Dias, especialista em medicina Geral e Familiar no Hospital CUF Descobertas e na Clínica CUF Alvalade

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