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A odisseia da mulher faminta (e os truques para se controlar)

Ser mulher é viver refém das hormonas e isso nem sempre permite silenciar esse canto de sereia que vem da sua cozinha. Saiba como controlar a situação.

A odisseia da mulher faminta (e os truques para se controlar)

Se se levantou em plena noite e arrasou com tudo o que havia na cozinha, deixe de procurar informação sobre pessoas sonâmbulas possuídas, já que, com certeza, o seu desejo noturno se devia aos nervos provocados pela reunião de trabalho complicada que tinha hoje de manhã. Mas o que leva a sua mente a dizer ‘stress’ e o seu corpo a responder ‘nham’? Faça com que ambos estejam na mesma frequência através da técnica de origem budista mindfulness, também conhecida como ‘atenção plena.

Preste atenção à sua alimentação e comece a perceber certos padrões, como por exemplo, que come quando não tem fome, que não tem paciência para preparar uma refeição agradável só para si, ou que por detrás desses padrões estão problemas que precisa de resolver. Quantas vezes comemos demasiado quando nos sentimos mais carentes? Junte-se a esta revolução que defende o mens sana in corpore sano… de forma consciente.

 

O PRAZER DE COMER

Redescubra-o! Em quanto tempo comeu hoje? Quando foi a última vez que saboreou um café? O ritmo frenético do dia-a-dia leva-nos a viver em piloto automático sempre no modo ON. Como se tivéssemos saído de um filme de ficção científica de 1984, de George Orwell. Agimos de forma mecânica até mesmo quando comemos. Mude por completo a sua relação com a comida e adira ao mindful eating!

A dra. Inês Custódio, psicóloga clínica na Oficina da Psicologia em Lisboa, refere que “estar mindful abre espaço para estarmos mais conscientes do que comemos e da forma como o fazemos. Assim, para além de podermos aumentar o nosso prazer ao desfrutar verdadeiramente do processo de comer, notando sabores, cheiros, texturas e sensações, potencia-mos a nossa regulação de apetite e quantidades ingeridas ao nos permitirmos sentir quando temos fome e quando estamos saciados fisicamente”.

Se quer voltar a tirar prazer do momento da refeição, não pense duas vezes. Mas deixamos-lhe um aviso! Como em qualquer mudança, necessitará de tempo para se habituar a este novo lifestyle. Haja paciência e ânimo! Sem dúvida vai valer a pena e o seu corpo e a sua saúde vão agradecer. Segundo um estudo publicado na revista Complementary Therapies in Medicine, seis semanas após o início desta prática reduzirá até 43% os excessos. Vamos a isso? Transforme-se numa autêntica foodie e desfrute de cada pedacinho de comida sem chegar a perder nem um segundo do controlo.

 

DESMASCARE O APETITE

A que nos referimos quando dizemos ‘tenho fome’? Normalmente, falamos da necessidade vital produzida pela ausência de ingestão de alimentos, que – atenção! – desaparece quando comemos alguma coisa.

Mas falemos de fome emocional, que segundo a psicóloga é “uma estratégia de regulação emocional que pode surgir quando nos sentimos incapazes de lidar com emoções sentidas como desagradáveis e/ou intensas. Essa sensação de desconforto cria-nos uma urgência de parar com o que estamos a sentir e aí a comida surge como regulador emocional. A comida (principalmente aquela rica em açúcares e gorduras) é um estímulo positivo para o nosso cérebro, provocando uma sensação de prazer e bem-estar quase imediatos através da produção de serotonina e dopamina no cérebro. Retida esta informação de bem-estar na memória, é possível que na tentativa de evitar emoções experienciadas como negativas, recuperemos esta informação e procuremos um alimento semelhante para nos sentirmos um pouco melhor”.

Comemos não porque queiramos ou precisemos em termos nutricionais, mas porque precisamos de nos sentir melhor, o que por vezes não acontece e aí experienciamos sentimentos de culpa e tristeza.

O mindfulness permite detetar estas sensações observando e analisando o que sucede no seu interior e assim saber como satisfazer essa necessidade, em vez de reagir de forma automática levando comida à boca.

 

ANTIDESEJOS

Sejamos realistas! Por muito que lhe esteja a saber bem o gelado quando está a sofrer de um desgosto de amor, esta dose de gordura não é a cura de que precisa. Vamos ajudá-la a identificar o tipo de fome que sente: Se aparece de forma progressiva (à medida que vão variando os níveis de leptina, a hormona reguladora do apetite), não tem preferência por alimentos específicos e desaparece enquanto come, está perante uma necessidade real de ingerir algo. Se aparece de repente, tem desejo por alimentos com grande carga energética e calórica e não consegue parar de comer, então, está perante um caso claro de apetite emocional.

Pense bem: discutiu com o seu companheiro? “Antes de comer pare e interrogue-se quando foi a última vez que comeu e de 0 até 10 qual a intensidade de fome que está a experienciar, ganhando assim consciência das suas necessidades nutricionais e procurando distingui-las de impulsos/compensações emocionais”, aconselha a psicóloga.

 

SEM DISTRAÇÕES

Um primeiro passo para despertar o seu paladar seria comer. E ponto. Apague a televisão, o telemóvel e todos aqueles gadgets que podem distraí-la das sensações fisiológicas que experimenta enquanto saboreia os pratos. Apesar de isso de ser multitasking ficar muito bem no currículo, à mesa concentre-se unicamente no que leva à boca. Só assim descobrirá os efeitos positivos e negativos que cada alimento tem sobre o seu corpo.

 

ENTRE EM CENA

Imagine que é uma expert em crítica gastronómica e avalie cada detalhe desse tupperware de massa à bolonhesa como se o mesmo tivesse sido preparado pelo melhor chef. Encare o seu momento à mesa como uma espécie de ritual. Respeite um horário e procure um ambiente relaxado. Analise cada alimento com os cinco sentidos. Toque-o, cheire-o e, sobretudo, mastigue-o muito bem, nada de engolir. E faça pausas durante a refeição.

O hipotálamo regula a ingestão de alimentos através dos grupos neuronais (centro da saciedade e da fome). “Este processo faz-se não só através da identificação de sinais externos através dos nossos sentidos (cheiros de comida, visão de certos alimentos, sabores…), mas também de sinais internos, como as hormonas emitidas a partir de diferentes órgãos, como a leptina – produzida a partir do tecido adiposo do intestino que informará que estamos saciados após uma refeição e da grelina – produzida a partir do estômago e que sinaliza a necessidade de comer”.

Toda esta informação é constantemente recebida e processada pelo hipotálamo para depois ser estimulado um comportamento de procura ou inibição em relação à comida. Sem mais interferências emocionais ou desregulações hormonais, este sistema constante seria o suficiente para manter o nosso apetite em equilíbrio, de acordo com as nossas necessidades.

 

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