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Sumo de aipo? Calorias? Acabaram-se os mitos da alimentação

Na alimentação, nada deve ser seguido cegamente. Por via das dúvidas, reunimos aqui vários mitose explicamos se são assim tão verdadeiros.

Sumo de aipo? Calorias? Acabaram-se os mitos da alimentação

Verdades aparentemente irrefutáveis, conceitos que são transversais a todos sem espaço para adaptação, ideias ‘aprendidas’ em publicações de Instagram e tantas outra fontes de onde nascem os mitos da alimentação. Onde estão os casos particulares? E o espaço para redefinir o conceito a cada cenário? Na alimentação, nada deve ser seguido cegamente sem se conhecer a situação em causa. Por via das dúvidas, reunimos aqui várias ideias que, afinal, não são assim tão verdadeiras.

O mito

Sumo de aipo resolve problemas intestinais

A teoria

O sumo de aipo tem adquirido cada vez mais fãs enquanto bebida promissora, mas importa perceber que esta não é uma fórmula milagrosa. Assim o diz Joana da Silva Costa, nutricionista na Clínica Médica do Cruzeiro, em Aveiro, que atenta na necessidade de se entender que “nenhum alimento isolado nos vai salvar e curar de qualquer problema”.

Mariana Abecasis, nutricionista na clínica com o mesmo nome, em Lisboa, acrescenta que “há uma série de problemas intestinais com diferentes causas, sintomas e origens”, logo, também a solução será específica para cada caso, “nenhum alimento por si só resolve o problema”, seja o aipo ou outro, aponta a nutricionista.

Na prática

Não menosprezemos este vegetal: o aipo é rico em fibras, vitamina K, vitamina C e potássio. Tais características fazem deste, de facto, um bom alimento, mas não o salvador. Em vez de limitara escolha a apenas um alimento, conjugue o seu consumo com o de outros alimentos como brócolos, kiwi ou laranja, “de onde podemos também retirar benefícios para o bom funcionamento intestinal”, diz Joana da Silva Costa.

O mito

A gordura saturada não é tão má quanto se pensa

A teoria

Estudos recentes provaram que “a relação entre carne vermelha e carne branca pode afinal não ser tão dramática quanto se pensava”, lembra Joana da Silva Costa. Ainda assim, sabe-se que o consumo em excesso de carne vermelha, manteiga, queijos gordos e produtos de charcutaria, por exemplo (todos ricos em gordura saturada), associa-se ao aumento do risco de doenças cardíacas e do aparelho circulatório, pelo que deve ser limitado.

Em suma, esta gordura tende sempre a ser mais prejudicial quando em comparação com a insaturada, remata a nutricionista Mariana Abecasis, que esclarece que “dentro das gorduras saturadas, nem todas são iguais nem têm o mesmo impacto no nosso organismo”.

Na prática

Como foi referido, o consumo de gordura saturada deve sempre ser limitado. Dê preferência à gordura insaturada como a que encontra no abacate, no salmão ou nos frutos secos e faça por conhecer as várias opções por que deve optar e variar.

O mito

Uma dieta baixa em calorias é saudável

A teoria

‘Dieta baixa em calorias’ é um termo demasiado vago por si só. Como esclarece a nutricionista Mariana Abecasis, “num processo de perda de peso é necessário criar um défice calórico entre o consumo e o gasto. Neste sentido, uma dieta baixa em calorias é de facto necessária à perda de peso”. No entanto, tal só é saudável enquanto moderado, já que os casos de restrições calóricas severas podem levar a carência de nutrientes e energia.

Mais do que o número de calorias a ingerir ou a cortar, importa saber em que alimentos devemos ou não focar-nos. Numa perda de peso, “o que queremos é perder massa gorda, não massa muscular”, para isso, há que saber equilibrar o prato a nível dos três macronutrientes essenciais: proteína, hidratos de carbono e gordura.

Na prática

Esqueça as dietas e foque-se na reeducação alimentar. Não se restrinja a nível nutricional e aprenda a escolher melhor os grupos alimentares. Para tal, o melhor será sempre procurar aconselhamento nutricional onde irá encontrar a orientação certa para o seu caso.

O mito

Fruta em excesso faz mal por ser rica em açúcares

A teoria

Este ‘mito’ tem duas faces. Fruta em excesso não é de facto aconselhada, por ser rica em frutose. “A fruta pode e deve fazer parte de uma alimentação saudável, mas a sua dose determina em muito o impacto que estes alimentos têm no nosso organismo”, explica a nutricionista Mariana Abecasis.

Mas como alerta Joana da Silva Costa, o maior problema não se cinge à ingestão de fruta fresca em excesso mas sim às versões ‘mascaradas’ destes alimentos como sumos de fruta ou mesmo refrigerantes, por exemplo. “Se partirmos do princípio de que os refrigerantes contêm características semelhantes às da fruta, porque não deixar de parte os refrigerantes e aproveitar o que a fruta tem de melhor?”, questiona a nutricionista.

Na prática

A recomendação diária é de duas a três peças de fruta fresca por dia, aponta Mariana Abecasis. Mas isto não é o que se verifica em Portugal, segundo os dados estatísticos recolhidos pela Associação Portuguesa da Nutrição, que aponta que a média nacional consome entre duas e seis peças por semana.

O mito

Os melhores hidratos são sempre os castanhos

A teoria

A teoria é esta, mas na prática importa dar mais destaque a outros aspetos, nomeadamente a porção que come e o tipo de hidrato em questão. Esqueça a cor e defina se o hidrato de carbono é simples ou complexo. Como hidratos de carbono simples, a nutricionista Mariana Abecasis dá como exemplo os açúcares, farinhas refinadas ou guloseimas. Já os complexos passam por farinhas integrais, aveia, leguminosas ou batata. Estes últimos, explica a nutricionista, são mais lentamente digeridos pelo organismo, logo, “favorecem uma maior sensação de saciedade e levam a um menor pico de açúcar no sangue”.

Na prática

“Não é por ser pão escuro que é menos calórico. A dose faz o veneno e por isso nunca se deixe enganar pela cor, mas tenha em atenção o seu tamanho”, remata Joana da Silva Costa, certa de que podemos rapidamente duplicar o valor calórico de um pão conforme a dose ingerida (sem esquecer aquilo que escolhemos para barrar o pão).

O mito

A proteína deve ser tomada 45 minutos antes do treino

A teoria

Mariana Abecasis refuta por completo esta ideia ao alegar que “a alimentação deve ser equilibrada o suficiente para que não seja preciso recorrer à suplementação, que deve ser apenas tomada em casos particulares e só quando há critério e objetivos específicos. O equilíbrio alimentar faz-se num todo e não 45 minutos antes ou depois de um treino”.

A suplementação não merece o grande destaque que muitos lhe dão, e é pela falta de informação que daí nasce que leva a que, frequentemente, a toma de proteína enquanto suplementação resulte em efeito contrário àquilo que a pessoa procura.A par disso, seja sob a forma de suplementação ou alimentos, Joana da Silva Costa acrescenta que “um aporte proteico adequado é um bom ponto de partida para qualquer regime, seja ele para perder ou aumentar peso”.

Na prática

Voltemos à questão já aqui referida: a proteína é, a par dos hidratos de carbono e da gordura, um dos macronutrientes essenciais a qualquer organismo. Se pelo seu treino, estilo de vida ou objetivos carece de mais proteína, adapte a sua alimentação e não parta logo para os suplementos.

O mito

A mulheres devem focar-se nas 2.000 calorias por dia

A teoria

Mais do que o género, aspetos como idade, estado de saúde, prática de atividade física e composição corporal determinam as necessidades calóricas de cada um. É o que garante Mariana Abecasis que sabe que cada pessoa tem as suas próprias necessidades calóricas. Para umas, 2.000 calorias pode ser pouco, para outras pode ser excessivo, uma noção que parece estar a perder-se por culpa da força das redes sociais.

“Vale sempre a pena reforçar a individualidade de cada uma de nós e não seguir o plano que aquela blogger faz e que resulta lindamente. Resulta com ela? Perfeito! Mas para mim pode resultar numa grande trapalhada”, assume a nutricionista da Clínica Médica do Cruzeiro.

Na prática

A contagem de calorias é de facto um método eficaz para certos casos de quem precisa de perder peso, mas para que seja segura e eficaz esta contagem tem de ser acompanhada por um nutricionista que irá determinar o número de calorias diárias por que se deve orientar. Para os casos mais comuns – não de dieta mas de regime alimentar que se quer saudável – nada como esquecer o número e apontar o foco a porções e alimentos escolhidos.

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