Menu
Inicio Saúde Esta é a chave para uma mente sã

Esta é a chave para uma mente sã

Apesar de o caminho para a consciencialização para as doenças mentais ainda ser longo, cabe a cada uma de nós desmistificar estes problemas.

Esta é a chave para uma mente sã

A saúde é um estado de bem-estar físico, mental e social completo e não meramente a abstenção de doença ou enfermidade“. Esta é a definição de saúde, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

A sensação de bem-estar mostra-nos muitas vezes que estamos bem connosco mesmos e com o mundo que nos rodeia. No entanto, ter uma saúde de ferro nem sempre é fácil. Não nos referimos apenas aos problemas físicos, mas também aos problemas mentais, que se relacionam com o estado psicológico de cada pessoa. Um dos focos da OMS é justamente prevenir as doenças mentais e proteger as pessoas que são afetadas por esses problemas, a nível mundial, através do programa Mental Health Action Plan 2013-2020.

Os problemas ou “perturbações mentais podem afetar qualquer pessoa, independentemente da sua idade, sexo, estatuto social, rendimentos, raça/ etnia, religião, orientação sexual, personalidade ou qualquer outro aspeto relacionado com a identidade cultural”, segundo se pode ler no INFORMEMENTE, um documento da Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental (SPPSM).

Ainda segundo a OMS, cerca de metade dos casos de doenças mentais começa a partir dos 14 anos. Ainda que muitas vezes sigam sem serem detetadas e, por isso, tratadas, estas patologias revelam-se nos jovens que passam por momentos de grande mudança nas suas vidas, seja a mudança de escola, o ingresso na faculdade ou até começar a trabalhar. A fase da adolescência representa um período sensível na vida dos indivíduos.

Para assinalar o dia Mundial da Saúde Mental, que se celebra a 10 de outubro, a OMS reforça a importância da prevenção na área da saúde mental junto das populações mais jovens. Existem já alguns esforços a nível mundial para prevenir as doenças deste tipo, mas o trabalho tem de começar num melhor entendimento deste tipo de patologias. A promoção da saúde destes adolescentes vai levar a que sejam adultos mais resilientes e os resultados vão revelar-se tanto a curto como a médio prazo.

 

Dados mundiais e a preocupação especial com os portugueses

Mundialmente, segundo a SPPSM, 165 milhões de pessoas são afetadas por perturbações mentais, anualmente e apenas 10% dos pacientes recebe o tratamento adequado. Previsões da OMS apontam para que, em 2030, os problemas mentais sejam a principal causa de morte no mundo, com o aumento das taxas de suicídio.

Em Portugal, o primeiro Estudo Epidemiológico Nacional de Saúde Mental, realizado pela faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa, vem provar que um em cada cinco portugueses sofre de algum tipo de perturbação psiquiátrica. Esta é a segunda taxa mais alta da Europa (22,9%), numa lista liderada pela Irlanda do Norte (23,1%). É necessário chamar a atenção das populações para estas questões, que podem surgir em qualquer fase da vida e a qualquer idade.

Cerca de 16% dos portugueses sofre de ansiedade, o principal problema do foro mental no nosso país. São ainda as mulheres, os jovens e as pessoas que se separaram ou enviuvaram quem mais sofre de perturbações depressivas e de ansiedade. Ainda que a mortalidade não apresente valores muito expressivos no nosso país, dados do relatório do Programa Nacional para a Saúde Mental revelam que é mais frequente nos homens. A maior parte das mortes acontece por suicídio, especialmente no Alentejo onde as taxas de mortalidade por doenças mentais são mais elevadas.

Os portugueses cada vez vivem mais tempo com incapacidades mentais, ainda que o número de mortes por doenças deste tipo seja reduzido. Apesar de este relatório denotar que no território nacional existe uma boa adequação das prescrições de medicamentos, é ainda necessário fazer chegar os cuidados desta área da medicina a mais pessoas.

Problemas mentais: Os principais sintomas de que algo não está bem

Quando temos um problema físico, a perceção de que algo está mal pode ser mais fácil, ora porque temos uma dor numa zona específica do corpo, ora porque conseguimos identificar o que sentimos. Esta premissa não é tão simples quando se trata de questões mentais, que, por vezes, podem ser fisicamente indolores. Assim, devemos tomar especial atenção a alguns fatores essenciais.

Ter uma saúde mental frágil está associado a dificuldades em controlar as emoções ou comportamentos, dificuldades nas interações com os outros, exclusão social, um estilo de vida pouco saudável e também a ambientes de trabalho stressantes. A promoção da saúde mental está intimamente ligada ao aumento do bem-estar psicológico e a ambientes que mostram segurança e liberdade.

A luta contra a doença mental, segundo João Marques Teixeira, o atual presidente da Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental, é uma “tarefa que pertence a todos os agentes sociais”, não devendo ficar confinada às paredes dos hospitais. É necessário obter “informação cientificamente correta, clinicamente validada e numa linguagem acessível ao cidadão comum”, para alcançar o principal objetivo: desmistificar as doenças do foro mental.

O papel do exercício físico na promoção da saúde mental

Os motivos para praticar desporto ou, pelo menos, manter um estilo de vida ativo são vários. Desde ajudar a melhorar os níveis de colesterol, até a travar o envelhecimento, a atividade física pode ser a sua melhor amiga para uma vida mais saudável. Se ainda não a convencemos a ir para o ginásio, o melhor é consultar este artigo da Women’s Health. Garantimos que vai já calçar as sapatilhas.

Além de a prática de exercício físico ser boa para a manutenção de um cérebro saudável, como lhe explicamos neste artigo, tem também um papel fundamental para a manutenção da saúde mental. Um estudo da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, que analisou dados de mais de um milhão de pessoas, chegou à conclusão de que o exercício físico ajuda a minorar os sintomas de doenças mentais. Isto, porque os participantes que relataram praticar exercício físico, reportaram ter menos 1.5 dias de saúde mental mais débil, por mês, em comparação com quem não treina.

Apesar de todos os tipos de exercício físico se terem revelado benéficos, foram os desportos em equipa como o ciclismo, a aeróbica e as atividades de ginásio que denotaram valores mais significativos. Quanto à duração, os investigadores de Yale adiantam ainda que deve praticar, pelo menos, 45 minutos de exercício, de cada vez, entre três a cinco vezes por semana.

Se não é especial adepta das idas ao ginásio nem de desportos muito intensos, sugerimos que experimente praticar yoga. Um estudo de 2011 liga esta modalidade a melhorias na saúde mental dos cidadãos, neste caso, do Japão. A investigação provou que a redução do estado de ansiedade foi possibilitado pela prática de yoga, levando a níveis de bem-estar mais elevados.

Já este ano, a Escola de Medicina da Universidade de Harvard veio comprovar esta ligação, ao afirmar que o yoga pode mesmo reduzir o impacto do stress, da ansiedade e da depressão. Esta pesquisa conclui ainda que o yoga diminui a excitação fisiológica, acalmando a respiração e diminuindo os batimentos cardíacos, levando a estados de calma e relaxamento mais intensos.

Além desta modalidade, Harvard aconselha ainda a que pratique meditação, exercícios de relaxamento e até que vá jantar com os seus amigos. Isto, porque todas estas atividades estão ligadas a um aumento da saúde mental.

 

Um longo caminho pela frente

Apesar de o caminho para a consciencialização para as doenças mentais ainda ser longo, cabe a cada um de nós desmistificar estes problemas. É sobretudo importante compreender que a ansiedade, a depressão e outros problemas do foro mental não nos atingem por sermos fracos, mas sim porque existe um desequilíbrio no organismo.

Se não se sente bem, consulte o seu médico, com vista a obter todo o apoio e aconselhamento possíveis. A depressão não significa o fim da linha e é totalmente possível ultrapassar essa sensação de mal-estar.


Leia também

Cancro digestivo, a importância do diagnóstico precoce

Brand Story