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“As meninas descobrem o prazer ao acaso”

Sem rodeios, sem falsas esperanças. Marta Crawford revela à Women’s Health a verdade sobre os vibradores e outros brinquedos sexuais. São benéficos? Podem ser. São prejudiciais? Também o podem ser.

 

Reza a história que o primeiro vibrador viu a luz do dia – de forma acidental – em 1880, ano em que o médico Joseph Mortimer Granville criou uma ferramenta para acalmar as dores musculares e o stress das mulheres. Aquilo que seria um mecanismo terapêutico facilmente passou a ser visto como uma ferramenta de prazer. E assim nasce um dos mais icónicos brinquedos sexuais de sempre.

Habitualmente sob a forma de um pénis – mas já disponível em todas as formas possíveis e imaginárias –, o vibrador passou a fazer parte da rotina sexual de muitas pessoas, seja de forma isolada ou no contexto de casal. Segundo a sexóloga Marta Crawford, a introdução de vibradores e brinquedos na rotina sexual “é benéfica” quando o objetivo é conhecer e explorar o próprio corpo ou quando o casal “está bem na sua intimidade e introduz os brinquedos porque ambos acham piada e divertem-se, transformando um momento íntimo em algo mais animado”.

 

Aliados da masturbação

Os vibradores assumem formas, mecanismos e estímulos distintos, capazes de levar a pessoa a atingir o clímax mais facilmente. E isto acontece porque ajudam a mapear o que dá prazer, sendo, por isso, eficaz de conhecer e explorar o próprio corpo. E é aqui que os vibradores e outros brinquedos sexuais podem ser uma mais-valia na vida sexual.

“Os brinquedos sexuais podem estimular o conhecimento sobre o próprio corpo. Ao contrário dos rapazes, que conhecem a masturbação mais cedo e à boleia do hábito de puxar o prepúcio, as meninas descobrem a masturbação ao acaso, no cavalinho, na banheira com o chuveiro, no bidé, nos tremores do carro”, diz a sexóloga.

Quando feita de forma ponderada, a inclusão de um vibrador ou de outro brinquedo sexual ajuda a mulher a perceber o que realmente gosta, o que realmente a excita e como pode otimizar o sexo para obter o máximo prazer.

A sós ou com a cara-metade, a masturbação é uma forma eficaz de desbravar a própria intimidade e obter o máximo prazer. Mas não só: “a masturbação é uma mais-valia, liberta a tensão sexual, promove o prazer sexual, é uma prática sexual que, no fundo, possibilita a gratificação sexual quando não há um parceiro. É uma das modalidades usadas quando não se pode ter uma relação com penetração. Há quem se masturbe para combater a insónia e reduzir o stress. Em alguns casos, é usada mais como fim de ansiolítico do que de prazer”.

 

Quando não se vai além da vibração

Prazer imediato, prazer personalizável, prazer sempre à disposição. Esta é a forma mais certeira de descrever o impacto de um vibrador na rotina sexual, mas nem tudo são ‘boas vibes’.

“Tenho uma opinião muito própria sobre vibradores e outros brinquedos”, mas, “se o objetivo for resolver um problema de intimidade, em que o casal não está a conseguir falar sobre ele, a introdução do brinquedo vai impedir que se fale das necessidades da própria relação. Há muito a ideia de que comprar brinquedos vai resolver os problemas de intimidade, mas os casais que o fazem não vão resolver problema algum. Naquele dia em que estreiam o brinquedo até vão estar animados, porém, provavelmente, isso não se vai repetir muitas vezes e as pilhas vão começar a ‘babar-se’ dentro do vibrador”.

“Os vibradores têm uma vibração própria e, portanto, a mulher habitua-se a um estilo de excitação e obtenção de orgasmo que passa muito por uma estimulação por via de vibração, que em nada tem a ver com uma língua, uma mão ou um pénis”, começa por alertar Marta Crawford, salientando que “se a mulher está muito habituada a tipo de vibração para obter o orgasmo, é natural que, nas primeiras vezes em que tem uma relação com outra pessoa que não estimule exatamente da mesma maneira, com a mesma intensidade e com a mesma vibração, possa ter algum tipo de dificuldade em atingir um alto nível de excitação, pois está muito viciada, entre aspas, naquele estilo de estímulo para obter um determinado prazer”.

E como se faz para que a situação se inverta? Simples: “É deixar de usar esses recursos”, pelo menos, de forma exclusiva.

Para a sexóloga, “se a mulher usou três ou quatro anos o vibrador sempre da mesma forma e no mesmo ritual, quando iniciar uma relação com outra pessoa vai ter de abandonar a sua zona de conforto e o vibrador para não concorrer com o novo estímulo, porque aquele estímulo a que está habituada vai sempre, pelo menos de início, vencer o novo estímulo”. Na prática, durante a fase de transição – que é como quem diz, no recomeço a uma relação carnal a dois –, é importante deixar o vibrador e habituar o corpo a novos estímulos sexuais, menos mecânicos.

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https://www.womenshealth.pt/sexo/guia-comprar-primeiro-vibrador/

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