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Manual de meditação para principiantes

Encontre o seu equilíbrio interior.

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Consegue imaginar-se a apreciar uma refeição de forma plena, sem deixar fugir o pensamento para o facto de que, no dia seguinte, vai ter de enfrentar um trânsito infernal para levar os miúdos à ginástica? Se a resposta é não, seja bem-vinda ao mundo da meditação.

Se nunca experimentou, esqueça tudo aquilo que acha que sabe sobre meditação. Aproveite e apague também da sua mente esse cenário descabido em que está rodeada de pessoas em posição de lótus, numa sala meio iluminada com apenas o canto de uma baleia em alto mar como música de fundo. Feito? Vamos lá acabar com as dúvidas.

Começamos por falar de benefícios. Por que motivo é tão importante meditar? Filipa Jardim da Silva, psicóloga clínica da Oficina de Psicologia, em Lisboa, responde à WH: “A meditação permite-nos aprender a gerir as nossas mentes ocupadas, tornando-nos mais conscientes do momento presente e menos presos ao que aconteceu antes ou que pode vir a acontecer depois”.

E não só. Margarida Cardoso, instrutora de meditação e responsável pelo Centro Budista do Porto e do projeto Academia de Mindfulness, revela que “a prática da meditação leva a uma melhor qualidade de vida e a um maior bem-estar mental e físico”.

E acrescenta: “Mais especificamente, a prática de Mindfulness contribui para desenvolver a memória e a concentração, equilibrar níveis de stress, regular o sono, reforçar o sistema imunitário, desenvolver a capacidade de resiliência, regular as emoções e favorecer a empatia e a criatividade nas relações”. Uma lista comprida, não acha?

 

A MEDITAÇÃO SERVE PARA DESLIGAR O CÉREBRO E BLOQUEAR A VOZ INTERIOR QUE TEIMA EM ANALISAR TUDO?

Errado! “Na meditação não se procura desligar. Na meditação, não tentamos bloquear os pensamentos ou as emoções, tentamos sim estabelecer uma relação diferente com estes”, explica Margarida Cardoso. Ou seja, se achava que ia deixar de ter problemas por ter começado a meditar, está enganada.

O que pode acontecer é que vai aprender a lidar com os mesmos de forma diferente e a dedicar-lhes o tempo devido do seu dia para os analisar. E os efeitos não são imediatos.

“Qualquer experiência é transitória, mas também dependente de muitas circunstâncias, por isso, sentarmo-nos para meditar não é garantia de ficarmos imediatamente mais calmos e serenos. Pode parecer estranho, mas a melhor forma de obter resultados da meditação, é não tentar obter algo”, acrescenta a instrutora de meditação. Vá sem expectativas, sim?

 

O QUE ACONTECE NO NOSSO CORPO QUANDO MEDITAMOS?

Vamos fazer uma viagem pelo cérebro. Segundo a psicóloga Filipa Jardim da Silva, há um aumento de atividade no córtex pré-frontal esquerdo, que faz com que as emoções sejam mais agradáveis – há mais entusiasmo, autocontrolo e felicidade.

Além disso, a amígdala tende a ter a sua atividade mais controlada, o que favorece a diminuição de emoções como o medo e a espessura cortical aumenta em áreas relacionadas com a introspeção e a atenção

Por fim, a matéria cinzenta aumenta em áreas relacionadas com a memória e o pensamento e o volume do cérebro aumenta em áreas que regulam as emoções e o autocontrolo.

Tudo isto faz com que a respiração seja mais controlada, os níveis de ansiedade diminuam e o nosso corpo se sinta mais equilibrado. Mas nem todas as viagens são iguais. “Algumas pessoas podem sentir-se mais leves.

Podem sentir um leve baloiçar. Ou podem tornar-se conscientes de uma forma mais intensa de sensações, mas também de sons. Não há uma forma certa de sentir. O que estivermos a sentir está certo, é o que é”, esclarece a instrutora de meditação Margarida Cardoso.

 

E SE EU NÃO SOUBER MEDITAR?

Tal como acontece com muitas experiências, uma primeira e única vez não é suficiente para tirar conclusões. Por ser algo que pode estar a movê-la da sua zona de conforto, o primeiro contacto com a meditação pode parecer estranho e até desconfortável. E a pressa de querer atingir a serenidade, pode deixá-la ainda mais ansiosa. Não se preocupe, tudo isso é normal e expetável!

Vai lá com a prática… E se não for, pode sempre experimentar um tipo de meditação diferente que não exige que fi que parada, como o Chi Kung e o Yoga. Haverá sempre lugar para si.

 

POSSO TRANSFORMAR A MINHA CASA NO MEU CENTRO DE MEDITAÇÃO?

Sim! Não precisa de ter um santuário aromatizado com incenso para o fazer… A menos que a faça sentir melhor! “O espaço de meditação pode ser qualquer um desde que nos sintamos bem.

Podemos criar um recanto em que nos sentimos confortáveis e mais disponíveis a entrar em contacto connosco, com algumas almofadas, num sofá ou até numa varanda. Podemos também meditar no parque, sentados na relva, num banco de jardim ou até a caminhar. E até podemos fazer uma breve meditação no carro antes de iniciarmos o dia.

Dependendo do tipo e duração, podemos ajustar a prática ao contexto”, sugere Filipa Jardim da Silva. E não importa se só tem uns minutos para se dedicar à meditação. Segundo um estudo da Universidade do Wisconsin (EUA), basta meditar entre 5 a 16 minutos por dia para beneficiar dos efeitos positivos da meditação.

Um outro estudo, desta vez da Universidade de Dalian (China), revelou que os participantes que meditaram durante 20 minutos por dia durante 5 semanas, mostraram melhorias na função executiva do cérebro, um aumento numa escala de estados de humor e a diminuição de reações ligadas ao stress.

A posição de lótus ganhou mais encanto, não concorda?

 

https://www.womenshealth.pt/living/domina-bem-respiracao-domina-melhor-os-esforcos-fisicos-mentais/

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