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“Maid” é o retrato da violência emocional que ninguém fala

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A primeira cena de Maid prepara-nos logo para o que será o tema central da série: violência doméstica, mais propriamente psicológica e emocional. Alex (Margaret Qualley), uma rapariga de 23 anos cujo sonho é ser escritora sai de casa pelas pontas dos pés, durante a noite, com a sua filha de 2 anos para fugir do seu companheiro Sean (Nick Robinson). Literalmente sem destino, Alex está prestes a ficar sem teto pela primeira vez. Este é o primeiro dos desafios de muitos que virão.

O que se segue é uma história baseada no livro de memórias de Stephanie Land, Superação: Trabalho duro, baixo salário e o dever de uma mãe solo que nos mostra uma mãe solteira que tenta reconstruir a sua vida entre abrigos para mulheres que sofrem de violência doméstica, burocracia para conseguir apoios e um trabalho de empregada de limpeza cujas condições são muito precárias.

Além disto tudo, Alex tem de lidar com a sua mãe Paula (Andie MacDowell), uma artista que é doente bipolar e narcisista, um pai frio e ainda com “amigas neutras”. Sim, aquele tipo de pessoa que entre marido e mulher não mete a colher.

Maid parece ser uma história básica de (mais) uma mulher vítima de maus-tratos, mas é muito mais do que isso. Ao longo dos 10 episódios, a história vai-nos mostrando que embora em situações e momentos distintos, as personagens principais em algum momento foram todas vítimas de violência.

Começando por Paula que foi vítima de violência doméstica do seu marido e pai de Alex e acabando na mãe de Sean que, tal como ele, também tinha um problema com o álcool e drogas, tendo sido por esses motivos uma mãe negligente.

“Alex encontra-se totalmente sozinha e muitas vezes tem de decidir se compra comida, coloca gasolina no carro ou paga a creche da filha.”

A série retrata muito bem e de uma forma até subtil o que é a violência psicológica, mostrando como ela é descredibilizada não só pela sociedade em geral, mas também pela própria justiça americana, pois se não existem marcas físicas não existe qualquer tipo de violência. Aborda também a dificuldade das vítimas de abandonarem o relacionamento abusivo. Em média, estas mulheres regressam 7 vezes ao abrigo.

Retrata ainda problemas de uma sociedade doente que não tem soluções para uma mulher pobre, com uma filha e vítima de maus-tratos. O dilema de dinheiro vs. tempo é muito bem explorado nesta série. Alex encontra-se totalmente sozinha e muitas vezes tem de decidir se compra comida, coloca gasolina no carro ou paga a creche da filha.

Maid é envolvente e muito disso deve-se à própria interpretação das personagens. Ao longo da história são vários os sentimentos que se sentem à flor da pele, como a empatia, a raiva e o desprezo.

Mas acima de tudo esta é uma história sobre sobrevivência que nos vem mostrar que embora frágil o amor é sempre a solução.