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Ir para o trabalho de bicicleta em Lisboa é boa ideia?

Fizemos a experiência. Por uma semana, uma jornalista da Women’s Health usou uma bicicleta como único meio de transporte entre casa e trabalho. Eis o veredicto.

Já passava das 9 da manhã. O autocarro parecia nunca mais chegar e os 20 minutos de espera pareciam intermináveis. Estava bom tempo e não eram poucos os que por ali passavam de bicicleta ou trotinete. Alguns com transporte próprio, e outros com uma das mil e uma redes partilhadas disponíveis por Lisboa. ‘Devia ter ido a pé’, foi o primeiro pensamento. ‘Estou seriamente a ponderar arranjar uma bicicleta para fazer este caminho’, foi o segundo. Afinal, entre casa e trabalho são só 4 ou 5km, e estamos no verão.

O problema era apenas um: saber se me iria dar bem ao fazer este caminho entre estradas e ciclovias – sim, porque este transporte não é para ser usado no passeio. Embora saiba que é cada vez mais comum o uso de bicicleta no quotidiano, para mim este sempre foi um instrumento de lazer. Em São Miguel, onde vivi até aos 22 anos, andava de bicicleta por entre canadas e montes.

Não o fazia para chegar a lado nenhum, mas apenas pelo prazer do passeio. Pela capital, nem penso em voltar a por em prática estes velhos programas de fim-de-semana, aqui a bicicleta tem outro propósito e já estava na altura de ‘reaprender’ a andar, desta vez em ambiente citadino.

Passaram poucos dias até surgir na redação a proposta de se fazer esta mesma experiência: a de usar uma bicicleta para realizar as duas viagens diárias entre casa-trabalho e trabalho-casa. Nem de propósito.

A JUMP foi a companheira deste ‘desafio’

A proposta apresentada veio por parte da Uber, que em fevereiro deste ano ofereceu a Lisboa dezenas de bicicletas elétricas que se distribuem por vários pontos da cidade e podem ser usadas por qualquer um que tenha a app da Uber. Por 15 cêntimos por minuto de viagem, a ideia é que se encontre a JUMP através da app, desbloqueie com o próprio telemóvel, faça a viagem e volte a bloqueá-la trancando o cadeado, evitando apenas as zonas de estacionamento proibido. Fácil.

Confesso que previ que as manhãs poderiam ser algo stressantes com a procura de uma bicicleta a usar. Isto porque, não havendo postos de estacionamento, nada me garantia ter uma bicicleta próximo a casa. Felizmente, quem mora na zona de Alvalade está safo neste sentido. Pelo menos na semana em que usei tal transporte, não tive grande dificuldade em encontrar uma JUMP perto de casa. Sim, não estavam mesmo à minha porta… mas quantas vezes nos vemos obrigados a andar 15 ou mais minutos para chegar ao nosso próprio carro?

Os prós

Comecemos pelo óbvio: esta parte poderia até ter sido escrita antes de começar a experiência (não foi.), mas o certo é que usar uma bicicleta para pequenas viagens como as que faço entre casa e trabalho é melhor do que fazê-lo a pé ou de transportes. Em primeiro lugar, temos a importantíssima questão ecológico. Em segundo, porque não dependemos dos horários de ninguém, garantida a bicicleta a usar, e o tempo demorado até lá chegar, não há contratempos de atrasos do autocarro, acidentes na estrada ou o tão habitual trânsito descomunal.

Mais: fazer estes 4 km numa bicicleta elétrica é bem diferente do que fazê-lo a pé, principalmente se quer chegar apresentável e não ofegante ao escritório. Por último, e embora esta pequena viagem numa bicicleta não substitua de todo um treino, permite gastar pelo menos 120 calorias por viagem – assim me confirmou o fitness watch que usei em cada viagem. A pé gastaria mais calorias? Certamente que sim, estamos a falar de uma bicicleta elétrica. Aqui, o esforço maior é apenas feito nas poucas subidas a que o percurso me obrigava. Mas o argumento de chegar apresentável ao escritório pesa mais do que o segundo.

Os contras

Há que admitir: quando as JUMP chegaram à capital, foram várias vezes em que me deparei com bicicletas mal estacionadas. Mas foi com agrado que me apercebi que, em seis meses, os utilizadores deste serviço mudaram a sua postura. Foram mais os casos de peões a andar na ciclovia do que propriamente bicicletas mal estacionadas. Já agora, fica o apelo: se está a pé POR-FA-VOR não use a ciclovia.

Embora tenha tido ‘sorte’ com as bicicletas encontradas próximo de casa para ir para o trabalho, sei que este é um aspeto que depende muito das zonas da cidade. Se saísse de casa mais tarde, talvez outros moradores me tivessem ‘tirado o lugar’ nas JUMP. Para vir para casa, e tendo em conta que a redação da Women’s Health fica nas Torres de Lisboa, um lugar com vários escritórios onde é comum o uso de bicicleta enquanto meio de transporte, também não me foi difícil encontrar uma para regressar a casa. Em cinco dias, apenas não consegui bicicleta para voltar a casa num dos dias. Ainda bem que estava com tempo.

Veredicto final

Passada a semana de experiência, concluo que valeu mais do que a pena fazer o exercício para perceber que esta é de facto uma possibilidade prática para qualquer um que faça curtas distâncias por Lisboa.

Não fui a correr comprar uma bicicleta própria, mas não descarto a opção de vir a adquirir uma. Para já, fico-me pelo autocarro matinal e ‘passeio’ a pé de regresso a casa.

Falo em comprar uma bicicleta própria e não ficar-me pelas JUMP não só pela garantia de que tenho sempre um transporte ‘à porta’ como pela despesa. É que as curtas viagens de cerca de 4 km em menos de meia hora custavam-me em média 3€. Feitas as contas ao final do mês…

Dito isto, ficam as JUMP para casos excecionais. E o uso de bicicleta como único meio de transporte como ideia seriamente a considerar.


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