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Gravidez e zona pélvica: o que ninguém lhe diz

SOS Pavimento pélvico? Incontinência, falta de tonicidade e disfunção sexual podem advir de uma má saúde desta zona. Saiba como prevenir ou dizer adeus a estes problemas.

Após o parto ou resultante de uma má prática desportiva, a sua musculatura mais íntima pode ressentir-se. Sete em cada 10 mulheres sofre de incontinência urinária devido ao esforço na zona pélvica. Mas esta é apenas uma das patologias que podem afetar o pavimento pélvico. E, lamentamos informar… mas os abdominais e os desportos com impacto aumentam as possibilidades de fragilizar o períneo. Para garantir que a zona formada por músculos e tecido conjuntivo funciona bem, há que a trabalhá-la, para que aguente com as pressões a que está sujeita.

Vou ser mãe… Socorro?

A gravidez é um período especialmente delicado para o seu períneo, uma vez que o aumento do peso do útero, juntamente com as alterações hormonais, fazem com que o tecido conjuntivo se torne mais flexível e o períneo ceda. Já para não falar do parto. O esforço realizado para a expulsão, a postura, o uso dos instrumentos, o perímetro da cabeça do bebé…

A solução? Fazer uma avaliação do pavimento pélvico funcional a 12 semanas do parto e evitar o excesso de peso durante e após a gravidez. Ainda, há que assegurar o aporte de proteínas e oligoelementos que facilitem a reparação dos tecidos.

Fora a maternidade, que outros problemas há lá em baixo?

A principal patologia do pavimento pélvico é a incontinência: a que é provocada pelo esforço (exercício, tossir ou rir-se…), pela urgência (associada a um forte impulso de micção) e por ambos. Mesmo tratando-se de umas gotas, já é um problema, pelo que é determinante o diagnóstico. De acordo com o fisioterapeuta Carlos Guerreiro, da Clínica Lisboa Physio ,“deve-se determinar a etiologia da incontinência, detectar a existência de patologia urinária associada, avaliar o estado mental e físico, a coexistência de outras patologias e de medicação”.

É importante saber que existem soluções e começar a cuidar dos seus músculos mais íntimos. Deste modo, estará a prevenir eventuais problemas ou evitar que os existentes se tornem mais graves.

O pavimento pélvico também pode sofrer de incontinência anal por hipotonia, incontinência de gases, prolapsos (perda da capacidade de sustentação dos órgãos pélvicos da bexiga, reto, útero ou uretra), disfunções sexuais, varizes vaginais, contraturas musculares, infeções… “As causas da fragilização do pavimento pélvico são várias”, refere o fi sioterapeuta. As gravidezes, o pós-parto (com o abdómen hipotónico o pavimento pélvico trabalha por dois), a obstipação (fazer força pode deteriorar a musculatura), a herança genética (pela proporção de elastina e colagénio), a menopausa (a diminuição dos estrógenos), os desportos de impacto ou uma cirurgia abdominal ou perineal (as cicatrizes levam o tecido a perder a capacidade de amortecimento das pressões). Tocar instrumentos de sopro, tosse crónica e obesidade também o fragilizam.

Hiperpressão, a sua maior inimiga!

A sua parede abdominal é como um fato de banho que rodeia o abdómen e as costas. O problema é que, como os tecidos podem “dar de si”. Consequentemente, fazem com que o pavimento pélvico assuma as funções desta.

Marcelo Caufriez, especialista em reeducação uroginecológica, foi pioneiro na abordagem do tema das pressões intra-abdominais. É ele quem aborda a questão sobre como estas podem provocar a descida dos órgãos internos, a distensão do sistema músculo-aponeurótico do pavimento pélvico e ocasionar lesões nos discos intervertebrais. Todos os fatores dos quais já falámos produzem pressões intraabdominais que, por falta de preparação do corpo, podem fragilizar seriamente o pavimento pélvico e as suas costas.

Contra isto, Piti Pinsach, autor de técnicas hipopressivas, aconselha a avaliar e treinar a parede abdominal e o pavimento pélvico. Tal treino deve ser garantido antes de se comprometer com outros exercícios:

Com uma não basta

Os especialistas são unânimes em afirmar que há que combinar várias técnicas para solucionar os problemas do pavimento pélvico.

A ginástica abdominal hipopressiva ajuda a prevenir patologias do períneo, mas por si só não cura problemas de incontinência. Sónia Campra enfatiza que “mesmo que se submeta a cirurgia, se não mudar a postura, o problema pode regressar”. Em conclusão, se sofre de alguma das patologias referidas, o melhor é não sofrer em silêncio e consultar rapidamente um profissional. Se o que pretende é prevenir, pode ser suficiente participar em aulas específicas ou treinos pessoais dos métodos de que lhe falamos.

Fica apenas a dúvida: Abdominais, sim ou não?

Quer saber o que acontece quando faz um crunch? Experimente fazê-lo com uma mão no ventre. Ao subir, sentirá como se os intestinos saltassem para fora.

O que você não nota é que, em simultâneo, o pavimento pélvico e os órgãos descem. Entre estes, estão a bexiga e a vagina, que são empurrados para fora. Se a sua parede abdominal não estiver forte, pode ser uma desgraça para o períneo. “Apenas 20% da parede abdominal é tecido muscular. Daí ser muito difícil trabalhá-la com abdominais (como fazemos com os bicípites ou os tricípites); o resto é tecido aponeurético”, explica Sónia Campra, especialista em Inteligência Corporal. “Do que precisa é de tonicidade (firmeza elástica), não de força.

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