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Na gravidez, “o importante é não encontrar barreiras ao exercício físico”

Durante a gravidez, podemos treinar? Para umas a resposta é óbvia, mas este é um tema que ainda gera dúvidas a muitas outras. A Women’s Health esclarece.

Na gravidez, “o importante é não encontrar barreiras ao exercício físico”

 

“As mulheres grávidas e saudáveis, sem contraindicações para a práticas de exercício físico, devem ser encorajadas a realizar exercício físico ao longo da gravidez”, quem o diz é o médico obstetra Jorge Lima. O especialista, que é também professor universitário e coordenador da Unidade de Alto Risco Obstétrico do Hospital CUF Descobertas, em Lisboa, refere que esta é uma ideia que podemos afirmar “com clareza e sem receios”, tendo como sustento o grande desenvolvimento que se assiste nesta área a nível de investigação científica.

Assim, a ideia de que o exercício físico na gravidez é não só permitido como aconselhado substitui gradualmente a ideia de alto risco e prática desaconselhada.

De que vantagens falamos ao certo?

Diz o médico obstetra que “as evidências científicas em relação aos benefícios do exercício durante a gravidez estão bem descritas na literatura”. Prevenção do ganho excessivo de peso durante a gestação e da diabetes melitos gestacional são alguns dos exemplos que Jorge Lima aponta e que muitas mães (ou futuras mães) já reconhecem.

Se há histórico de estilo de vida ativo…

Este reconhecimento das vantagens que advêm do treino na gravidez surge à boleia da – saudável – tendência cada vez mais comum que agrega o exercício físico ao quotidiano.

Ora, se uma mulher já treina, é esperado que mantenha a prática durante a gestação. Já no caso contrário, o de mulheres que não pratiquem exercício físico, “dificilmente farão esta alteração nos seus hábitos de vida durante o período de gestação”, reconhece Nuno Ribeiro, especialista em Ensino da Educação Física. Foi ele o responsável pelo workshop para Grávidas e Pais sobre exercícios na gravidez no Hospital CUF Descobertas, e quem esclareceu à Women’s Health as contrastantes progressões no tipo de treino por parte de mulheres que treinam e mulheres que são sedentárias.

Embora a consciencialização sobre a prática de exercício físico e seus benefícios seja cada vez maior, ainda se apontam elevados níveis de sedentarismo por parte dos portugueses.

Contra isto, Nuno Ribeiro aponta as tentativas de mudança através da inclusão de aulas específicas para grávidas em contexto de ginásio, por exemplo. Tal especificidade é essencial, já que “as mulheres grávidas requerem um acompanhamento muito mais especializado e contínuo. O mais importante nestas situações é não encontrar barreiras nem entraves para a prática de exercício físico”, conclui o especialista.

A cada caso, uma diferente adaptação

“Como consideração genética […], mulheres anteriormente inativas devem progredir de 15 minutos por dia até 30 minutos por dia”, numa frequência de três dias por semana” refere Nuno Ribeiro que acrescenta: “o treino poderá envolver uma componente mais musculoesquelética/cardiovascular ou ambas”.

De notar que este é um exemplo bastante genérico e que cada caso deve ser visto de forma bastante particular por especialistas que devem considerar não só a natureza de cada caso como a fase da gravidez em que a mulher se encontra. “Desta forma, as rotinas devem sempre permanecer flexíveis”, conclui.

Igualmente flexível é a noção de risco. Quando questionado sobre se o risco é maior para quem não treina ou para quem treina sem acompanhamento, o especialista em ensino da Educação Física alega ser necessário perceber, em primeiro lugar, “qual o tipo de treino que a mulher realiza, que no que diz respeito às variáveis de volume e intensidade, bem como a execução dos próprios exercícios”. Por outras palavras, o risco – ou falta dele – irá sempre depender do tipo de treino, bem como do conhecimento prévio de treino que se tenha.

Ainda assim, Nuno Ribeiro salienta aquilo que possivelmente já estaria a prever: “A atitude mais correta e sensata seria a mulher procurar um profissional da área do exercício físico, se possível, com especialização na área do exercício físico na gravidez”.

Jorge Lima, que é da mesma opinião, acrescenta ser fundamental que a mulher esteja alerta, de forma a estar salvaguardada quando treinar sozinha.

“É fundamental que as grávidas evitem a realização de algum tipo de desporto de contato e atividades que possam causar a perda de equilíbrio ou traumatismo à mãe ou ao feto”.

O tipo de treino mais aconselhado

Do yoga à natação, são várias as modalidades que especificam aulas a este público em específico. Diz o especialista em Educação Física que, generalizando o caso, “as grávidas procuram ambientes relaxantes e atividades com uma intensidade média mais baixa”. Mas não exclua outro tipo de atividades mais intensas. Também estas podem ser uma opção, desde que se enquadre sempre “aquilo que a mulher gosta de praticar em termos de exercício físico, com as recomendações em termos de intensidade e volume de cada treino”.

Com foco nesta ideia e acompanhamento por parte de especialistas, tanto a mãe como o feto irão beneficiar de cada treino. Ainda assim, e embora tal realidade diga respeito a poucas situações, Jorge Lima reconhece que, do ponto de vista científico, há de facto situações em que o exercício físico possa prejudicar o feto.

Para conhecer cada um destas situações, mencionadas pelo médico obstetra, percorra as imagens da galeria acima apresentada.


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