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Alerta! Os filtros das fotos estão a deixar os cirurgiões plásticos em pânico

Impacto das redes sociais na autoestima volta a ser discutido

Aplicações como o Snapchat ou Facetune tornam-se, nos últimos anos, as favoritas de uma série de utilizadores. Adicionar um filtro ou ‘limpar’ a pele e acabar com as olheiras assumem-se, atualmente e para muitos, como um dos passos obrigatórios a dar antes de publicar uma fotografia nas redes sociais.

Contudo, e apesar de parecerem inofensivos, filtros que nos dão um brilho especial e nos colocam flores digitais no cabelo podem ter um impacto muito mais nefasto. O mesmo se poderá dizer de apps que permitem alterar características físicas, do rosto ou corpo, dizem os profissionais de saúde.

É neste sentido que os especialistas colocam os holofotes numa nova tendência preocupante, à qual chamam de ‘dismorfia do Snapchat’. De acordo com três dermatologistas da Boston University School of Medicine and Boston Medical Center, há um número cada vez maior de pacientes a procurar a cirurgia plástica com base naquilo que veem em aplicações deste género.

“Um novo fenómeno, ao qual chamamos de ‘Dismorfia do Snapchat’, está a levar pacientes a procurar a cirurgia estética para ficarem mais parecidos com versões alteradas [via filtro] de si próprios, com lábios mais carnudos, olhos maiores e um nariz mais fino”, escrevem os especialistas no JAMA Facial Plastic Surgery. “Esta tendência é alarmante, uma vez que esse tipo de selfies representa, na generalidade, um aspeto impossível de atingir e estão a apagar a linha entre realidade e fantasia”, continuam.

Esta nova tendência contrasta com as anteriores: até aqui, a maioria dos pacientes procurava alterar o rosto ou corpo com base em imagens de celebridades, dizem os dermatologistas. Adicionalmente, parece haver um número significativo de pessoas em busca de conseguir uma simetria facial, por oposição a mudar pequenos aspetos do rosto.

O que é a ‘Dismorfia do Snapchat’

“Os aplicativos de edição de fotografia estão a proporcionar uma nova realidade de beleza, gerando um novo ciclo de opressão que pode chegar à chamada ‘dismorfia do Snapchat’”, explica à WH a psicoterapeuta e especialista em psicologia clínica e da saúde, Mariagrazia Marini Luwisch.

De acordo com a especialista, este termo, derivado do Transtorno Dismórfico Corporal (TDC), “caracteriza-se pela obsessão sobre falhas físicas percebidas, mesmo aquelas que podem ser invisíveis para outros”. Uma condição que poderá surgir quando as pessoas deixam de tolerar as suas versões reais e passam a querer parecer-se, cada vez mais, com as suas versões ‘filtradas’, continua a psicoterapeuta.

De acordo com a American Academy of Facial Plastic and Reconstructive Surgery, mais de 50% das operações plásticas são de pacientes que pretendem ficar melhor nas selfies – contudo, e curiosamente, esta pode ser um tarefa impossível: vários estudos demonstram que este tipo de fotografia faz com que o nariz pareça 30% maior do que é na realidade.

Adolescentes são quem mais sofre

Na demanda por alcançar um ideal de beleza irreal, a frustração e insatisfação são constantes. Como resultado, revela Luwisch, podem ser provocados efeitos desastrosos na autoestima e criada uma compulsão obsessiva para melhorar a imagem – especialmente nos mais novos.

“São os adolescentes os que mais sofrem com a dismorfia. A insatisfação com a autoimagem pode levar ao isolamento social e até a depressão”, revela a especialista que recomenda, nestes casos, a intervenção psicológica.

Ainda assim, estes efeitos não são exclusivos desta camada populacional, nem tampouco resultantes apenas das selfies. Uma investigação recente descobriu, por exemplo, que ver conteúdos de fitness nas redes sociais – sim aquela fotografia da amiga ou influencer no ginásio – pode provocar preocupações com o peso, que podem afetar a autoestima.

Um novo ideal de beleza

Há um consenso geral de que as redes sociais e filtros estão a mudar o paradigma da beleza.

“No geral, as aplicações de redes sociais, como é caso do Snapchat e Facetune, estão a criar uma nova imagem de beleza na sociedade atual”, afirma os autores do estudo da universidade de Boston. “Poderemos inclusivamente afirmar que este tipo de apps estão a fazer com que percamos a noção da realidade, uma vez que esperamos parecer perfeitos, e com filtro, na vida real”, concluem.

Também Luwisch concorda com esta ideia: “Podemos argumentar que a penetração dessas imagens filtradas pode alterar a perceção da realidade pelo facto das pessoas criarem uma expectativa de que devem parecer perfeitamente preparadas e filtradas também na vida real”.

Será que está na altura de popularizar a hashtag #nofilter?


Ler mais:

https://www.womenshealth.pt/living/detox-digital-estrategias/


 

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