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#EstudoEmCasa: Como a Educação Física é adaptada à telescola

Do ginásio da escola para os estudos da RTP, de turmas de 20 alunos para o país inteiro. Tudo é novidade para os professores, que rapidamente se adaptaram.

EstudoemCasa

De segunda a sexta-feira, entre as 9 e as 18 horas, a programação da RTP memória dedica-se por completo ao ensino básico, através do programa #EstudoEmCasa.

Os horários intercalam as aulas do 1º ao 3º ciclo e nem as aulas de educação física ficam de fora.

Cada aula é dada por um ou dois professores, mas por trás há uma equipa de colegas que os ajudam através da preparação do guião, orientação das aulas e feedback àqueles que dão a cara pelas aulas de educação física em telescola, vista por todo o país.

“Estamos a expor-nos, não só a nível das nossas fragilidades como das nossas competências”

Tal exposição, que fica gravada e pode ser reproduzida vezes sem conta é, para os professores de Educação Física, um dos maiores desafios. “Uma coisa é passar estes conteúdos de aprendizagem aos nossos alunos. Outra bem diferente é passar a todo o país. Estamos a expor-nos, não só a nível das nossas fragilidades como das nossas competências” refere Anabela Ruivo, que dá a aula de Educação Física em telescola para o 7º e 8º ano.

Fá-lo em conjunto com Elisabete Neves, que partilha da mesma opinião. “Aqui, tudo é interpretado ao pormenor. Até a terminologia que usamos normalmente parece que não funciona tão bem em televisão, não é tão correta”, admite a professora. “Acho que o maior desafio é o de isto não ser passageiro. Qualquer pessoa que nos está a ver pode por para trás para ver e ouvir as vezes que quiser”.

 

Após quatro aulas gravadas, “já conhecemos a casa”

A Women’s Health falou com as professoras do 7º e 8º ano no dia em que gravaram a terceira e quarta aula do programa #EstudoEmCasa. Ainda que a realidade seja bem diferente de tudo o que estavam habituadas, Elisabete admite-se mais à vontade naquele cenário que já não lhe é tão estranho. “Já conhecemos as caras e conseguimos olhar ligeiramente para o botãozinho vermelho da câmara que nos está a gravar. Já correu um bocadinho melhor”, admite, sem no entanto esconder a dificuldade que é gravar uma aula inteira num só take, que não deixa margem para repetições nem pós-produção. Quando os erros acontecem, tal como numa aula dita normal, “voltamos atrás, acertamos e continuamos a seguir o guião”, resume Anabela Ruivo.

 

O importante é que se mexam!

Se as aulas de Educação Física são uma peça essencial ao ensino básico, o seu valor acresce numa altura de confinamento por parte de todos. E os professores entrevistados não têm dúvidas sobre o seu papel nesta missão.

“Eu só me dou a este trabalho porque é mesmo fundamental que eles se mexam, no meio de tanto tempo que passam sentados. É esta a minha função”, garante Elisabete Neves, que tinha acabado de dar uma aula online aos seus alunos do 10º ano, minutos antes de falar com a Women’s Health. “Não há descanso!”, diz-nos a professora, que para já, por não ser obrigatório, se tem resguardado de dar aulas por videoconferência aos seus alunos, até porque no secundários os adolescentes já têm alguma autonomia. Mas nem por isso as turmas de Elisabete Neves deixam de ser acompanhadas.

 

“Eu só me dou a este trabalho porque é fundamental que eles se mexam. É esta a minha função”

 

“O que faço é mandar-lhes o plano de treino, na 2ª feira de manhã, com a explicação do que têm de fazer em cada exercício. Depois, até ao final do dia da nossa aula, eles enviam-me a prova de como a realizaram”. Tal leva à inevitável questão: estarão mesmo a cumprir com a aula?’. A professora de Educação Física garante ter turmas aplicadas. Além disso, conhece o perfil de cada aluno, pelo que sabe quando estão a mentir.

Professor André Miranda, na primeira aula dada ao 1º e 2º ano

Já no caso de Anabela Ruivo, que dá aulas ao 5º ano, sabe que os alunos carecem de um acompanhamento mais próximo. “Eu trabalho com os meus alunos através de três plataformas. Mandamos fichas para o Moodle, agora vamos ter acesso a Team, estamos em videoconferência – com a autorização dos pais – no zoom, e no WhatsApp temos conversas como ‘já fiz professora, quantas vezes tenho de repetir?’, enumera a professora, que não esconde o reconhecimento que sente receber por parte dos seus alunos. “É muito giro ver a adesão dos mais novos a este tipo de trabalho, e dos mais velhos também, embora nem sempre sejam sinceros. Isto depende da consciência de cada um. Com os mais pequenos é mais fácil trabalhar, sem dúvida nenhuma”.

 

Necessidades adaptadas a cada idade

André Miranda, também professor de Educação Física, tem uma missão algo diferente das suas colegas Elisabete e Anabela, já que leciona em telescola para o 1º e 2º ano. Mas apesar de os seus alunos serem crianças entre os 6 e os 8 anos, a prática de atividade física tem a mesma importância. Uma noção que tem vindo a ganhar destaque, principalmente aquando da quarentena.

“A atividade física para o 1º ciclo está prevista no programa escolar há anos, mas a sensação mais geral, a nível de todo o país, é a de que esta disciplina não é muito abordada nas escolas. Sinto que isto está aos poucos a mudar. E agora, com as crianças em casa, acho que todos se estão a aperceber da necessidade de se manterem ativos. Não só para melhorar a saúde física como também a psicológica”, assume o professor.

 

“Estamos a trabalhar para crianças que não têm computador em casa”

Gravações da telescola, preparação das aulas, acompanhamento online de várias turmas. Em quarentena, não falta trabalho para estes professores, que assumem a missão sem questionar. “Estamos a trabalhar para crianças que não têm possibilidade de ter um computador. É por eles que fazemos isto”. Assim garante Anabela, sem esconder a dificuldade que está a ser para todos os professores, não só os que integram o programa #EstudoEmCasa.

“A adaptação foi difícil. Para eles e para nós. Foi tudo muito a correr, tivemos todos de mudar a perspetiva que tínhamos do ensino, toda a nossa aprendizagem. Importa não esquecer que a nossa classe está envelhecida. Muitos professores não trabalham com computadores, tiveram de se readaptar”, alega a professora do ensino básico. “É difícil, é muito difícil. Mas pensamos nos garotos, e é para lá que caminhamos. Eu dou aulas há 31 anos, sei bem o que estou a dizer. Para mim, é fundamental sentir que eles estão a gostar”.

 

Acompanhar os mais novos, por que não?

Por fim, questionamos os professores sobre se os alunos devem ter a independência de completar a aula de Educação Física sozinhos ou se os adultos os devem acompanhar. As aulas estão preparadas para que uma criança a consiga fazer sozinha, sem se colocar em perigo. Mas “se os pais conseguirem treinar com os filhos, ótimo. Seria ouro sobre azul”, diz-nos Anabela Ruivo, que vê aqui uma oportunidade para se trabalhar a interatividade entre família. Elisabete complementa esta ideia com uma sugestão. “Tentamos que eles arrastem para aqueles minutos movimento os irmãos, pais ou alguém que esteja lá em casa. É que qualquer movimento que façam é em casa, será benéfico para todos”, garante.

A segunda aula de Educação Física lecionada ao 7º e 8º ano

André Miranda toma uma postura semelhante. Se por um lado vê as suas aulas como uma oportunidade de os adultos tirarem ideias para brincar com os mais novos, desafiando-os a repetir os exercícios propostos em aula, importa também que os alunos consigam seguir a aula sem grande ajuda dos pais. “Se assim não for, estaremos a exigir uma grande pressão dos pais. No caso de pais que estão em teletrabalho, por exemplo, é importante que não os carreguemos ainda mais”.

 

Os horários das aulas de Educação Física:

Na terça-feira, às 11h, é dada a aula de educação física para o 3º e 4º ano e às 12h20, para o 5º e 6º ano. Às 17h20, é dada a aula de educação física para o 9º ano.

Já na 5ª feira, às 14h40, é dada a aula aos alunos do 7º e 8º ano; 6ª feira, há aula às 9h40, ao 1º e 2º ano.

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