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Estou com o período. Devo treinar?

Sim, estar menstruada afeta a sua performance de treino. Parar de treinar não é opção!

menstruação

Na semana passada, fez uma avaliação física no seu ginásio. Foi-lhe apresentado um novo plano de treinos. Sente-se motivada para dar ainda mais no treino, que começa a ser parte indispensável da sua rotina diária. Até tem roupa de treino por estrear; Está tudo alinhado para que aquele treino de segunda-feira de manhã lhe garanta um início de semana em grande. Até que… vem-lhe o período e com ele um abatimento descomunal que lhe faz trocar de imediato os halteres pelo sofá.

Revê-se neste cenário? Não está sozinha. Deixe de olhar para a menstruação como um problema e passe a encará-lo como algo inevitável a cada mês. Não deixe que isto controle a sua rotina. Esta será a melhor forma de garantir que tem a vida bem organizada e controlada unicamente por si – não pelos tampões.

É tudo uma questão de rotina

A Women’s Health falou com quatro mulheres de diferentes especializações que se relacionam com o tema aqui abordado e em qualquer uma das entrevistas a palavra ‘rotina’ foi a mais repetida.

Com a noção de que deve reduzir a intensidade do treino, se assim achar necessário, pode manter o seu plano de treino seguido em qualquer outra semana, pois não há exercícios proibidos para quando se está com o período. Samanta Priscila, personal trainer no Lemon Fit, em Lisboa, aconselha a que se ouça o corpo, sim, mas nunca como desculpa para pausar os treinos. Como argumento, alega a libertação de endorfinas durante o exercício, hormonas produzidas durante o exercício físico que “ajudam a aliviar o desconforto e a melhorar o humor”.

É normal que se sinta mais cansada

Mas se é para falar de questões hormonais, importa lembrar que os níveis de estrogénio e de progesterona diminuem durante o ciclo menstrual. É por isso que se sente mais cansada nestas alturas. Mas não é por negar os treinos que tais níveis se irão ajustar ao que o seu corpo precisa. Assim reconhece a personal trainer Inês Pessoa, do Holmes Place, que resume que o mais importante é evitar grandes intensidades e exercícios vigorosos.

“Incorporar exercícios leves de alongamentos ajuda a libertar os músculos que podem estar especialmente tensos nesta fase. Além disso, a natação tem sido apontada como atividade que atenua a dor menstrual, pela sensação de leveza transmitida pela água”. Sugestões à parte, a personal trainer deixa a nota: nenhum PT pode obrigar ninguém a treinar, caso não se sintam capazes. “O importante é transmitir os benefícios que advêm da prática durante a fase menstrual” e que estão provados cientificamente, seja em relação à melhoria de humor ou redução de dores.

Libertar endorfinas!

A comprovar que esta não é uma ideia apenas defendida por especialistas do exercício físico, Mafalda Martinho simões, ginecologista-obstetra no Hospital CUF Descobertas e na Clínica CUF Alvalade reconhece que o exercício físico é o responsável pela libertação de endorfinas e redução de dores. Todavia, esta última vantagem apontada aos treinos é só um lado da moeda. Falamos da dismenorreia – a “vasodilatação e consequente aumento da hemorragia menstrual” que advém da prática de exercícios.

Tal acontece principalmente em treinos de alta intensidade, daí que a moderação seja aconselhada por qualquer uma das especialistas. Caso contrário, o aumento de hemorragia pode, em último caso levar à anemia, como atenta Mafalda Martinho Simões.

Fadiga ou preguiça?

“Não concordo com o parar o treino um ou dois dias” diz Mafalda Martinho Simões, referindo-se aos casos de mulheres saudáveis. Elas devem, pelo contrário, apostar na rotina de treino. “É um fator determinante para o sucesso”, garante, sem esquecer os casos mais sensíveis. Os de quem está numa situação de hemorragia abundante ou dores intensas e deve procurar despistar alguma doença subjacente.

Após descartar tais hipóteses, resta-lhe ser sincera consigo mesma e não confundir preguiça com fadiga. “É comum uma pessoa não ter vontade de treinar porque chove ou estar frio. Nestas situações, há que contrariar este pensamento e realizar o exercício proposto. Quando terminar, sentir-se-á muito melhor”. Quem o garante é Ana Correia Oliveira, médica de Medicina Geral e Familiar no Hospital Lusíadas, no Porto. Manter a rotina! Lembramos-lhe nós.

E pausa na menstruação?

Provavelmente conhece mulheres que evitam a menstruação através da pílula contínua como pretexto para contornar a período em momentos específicos. Diz a ginecologista da CUF que “a pílula contínua é uma excelente opção nestas situações. Não está associada a qualquer risco para a saúde reprodutiva ou saúde em geral”.

O que acontece, explica a própria, é que quando paramos a toma da pílula, temos a chamada hemorragia de privação [de hormonas]. “Quando tomamos a pílula de forma contínua, a hemorragia não ocorre. Nada fica retido. A hemorragia não é mais do que uma descamação superficial do endométrio, que ocorre pela ausência de hormonas”.

Mas apesar de esta ser uma prática comum, Ana Correia Oliveira, também coordenadora da USF Cedofeita, alerta que tal prática não deve ser rotina. “A toma contínua pode alterar a espessura da parede do endométrio. Tal pode causar pequenas perdas hemáticas que se denominam ‘spotting’, são desconfortáveis e podem tornar-se regulares”. “Só em casos clínicos devidamente justificáveis é que esta técnica deve ser adotada”, conclui.

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