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Eis a relação entre as bebidas alcoólicas e a Covid-19

A pandemia mudou a sua relação com as bebidas alcoólicas.

Costuma beber um copo de vinho todos os dias ao jantar? Ou já passaram mais de seis meses desde a última vez que bebeu algo mais forte que um copo de vinho tinto? A julgar pelos dados, as atitudes em relação ao álcool durante a pandemia são um tanto polarizadas.

De acordo com um inquérito nacional realizado pelo Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD), o confinamento e o distanciamento social tiveram um impacto considerável no consumo de álcool.

O estudo, que abrangeu 950 consumidores de álcool com 18 ou mais anos, revelou que, durante o período de confinamento, 21% das pessoas passaram a beber mais, enquanto 37% continuaram a beber o mesmo.

Num panorama europeu, estes números correspondem aos resultados encontrados noutros lugares: uma investigação realizada pela King’s College de Londres e pela empresa Ipsos MORI revelou que 29% dos britânicos tinham bebido mais do que o normal.

Uma outra pesquisa divulgada pela instituição de caridade Alcohol Change, no Reino Unido mostra, porém, que uma em cada três pessoas reduziu o consumo de bebidas pesadas quando o país inteiro estava em confinamento.

Já em Portugal, o estudo feito pelo SICAD revelou que o confinamento levou a que 42% das pessoas bebessem menos, por falta da habitual companhia ou por desejo de terem um estilo de vida mais saudável.

Coronavírus e álcool: o que está a acontecer

Quando se trata de quem está a beber mais do que o normal, por que razão isso está a acontecer? Segundo o SICAD, quem está a beber mais que o habitual trabalha a partir de casa, tem níveis de stress relacionados com a pandemia elevados e tem maiores preocupações com os efeitos económicos.

Ter álcool disponível em casa, para muitas pessoas, pode ser uma fonte de tentação“, diz Elaine Hindal, CEO da organização de caridade para consciencialização sobre o álcool, DrinkAware, à edição britânica da Women’s Health.

“Pequenas coisas podem rapidamente transformar-se em hábitos, como abrir uma garrafa de vinho à tarde, quando normalmente não faria isso”, acrescentou.

E quanto às implicações mentais? “Embora no momento o álcool possa fornecer alguma sensação de alívio de sentimentos vulneráveis, a longo prazo ele apenas vai amplificá-los“, diz Elena Touroni, psicóloga consultora e cofundadora da empresa My Online Therapy.

Qual é a linha que separa o álcool e o coronavírus?

A Organização Mundial da Saúde (OMS) aconselha as pessoas a monitorizar a quantidade de álcool que estão a consumir, tanto por motivos de saúde física como mental.

Sobre a última nota, um estudo levado a cabo pelo Instituto de Psicologia Clínica e Forense, em colaboração com a Universidade Autónoma de Lisboa e a Universidade de Aveiro revelou que quase metade dos portugueses consideram que o impacto psicológico da pandemia de Covid-19 está a ser moderado ou severo.

Já no Reino Unido, um estudo conduzido pela Universidade de Sheffield e pela Universidade de Ulster descobriu que houve um aumento no número de pessoas que relataram níveis significativos de depressão e ansiedade.

Aiysha Malik, técnica do departamento de saúde mental e abuso de substâncias da OMS, descreveu o uso do álcool para alívio dessas ansiedades como uma “estratégia inútil”. Em entrevista à WM do Reino Unido, a médica disse: “para pessoas sem vícios, o uso de substâncias não ajuda a controlar o stress”.

Esta opinião é partilhada por Elena Touroni: “obviamente que a intenção é dar-nos uma pausa temporária da realidade”, explicou à WH acrescentando que “é provável que o álcool leve a um humor mais baixo a longo prazo, porque se vai sentir significativamente mais vulnerável e menos capaz de lidar com uma situação desafiadora”.

Elaine Hindal faz questão de apontar o efeito do excesso de álcool no sistema imunitário: “o álcool pode suprimir uma série de respostas imunitárias. As defesas naturais do seu corpo contra infeções podem ser comprometidas pelo uso excessivo de álcool e isso pode torná-la mais suscetível a infeções como o Coronavírus”.

O álcool pode anular o novo coronavírus?

Um rumor que a Organização Mundial da Saúde foi obrigada a dissipar em fevereiro foi se beber álcool pode diminuir as suas probabilidades de contrair o vírus. Isto é totalmente fabricado. Na verdade, como mencionado anteriormente, a bebida pode suprimir o seu sistema imunitário.

O único sítio em que o licor é eficaz no combate ao vírus? Quando está incluído num desinfetante para as mãos com mais de 60% de álcool.

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