Menu
Inicio Living Porque é que as mulheres não se amam mais?

Porque é que as mulheres não se amam mais?

Passa o dia a falar mal ‘daquela’ pessoa? É certo: quanto mais se ‘bate’, menos gosta de si. Chegou a altura de acabar com tal atitude e apostar no amor.

Porque é que as mulheres não se amam mais?

Você sabe praticamente tudo o que precisa fazer para ficar com uma barriga sarada, braços torneados ou um rabo empinado. Parece que o mesmo conceito é aplicável a outras áreas quais também está insatisfeita com a sua imagem.

Acha que não se insere no grupo de mulheres que passam a vida a fazer auto-bullying? Segundo um estudo da Dove de 2016 que avaliou pela primeira vez a autoestima feminina portuguesa, 65% das mulheres sofre de falta de amor-próprio (se não é você, pode ser a sua mãe ou melhor amiga).

O que é?

A autoestima é a valorização que fazemos de nós próprios e que nos permite confiar nos nossos atos e pensamentos (o mundo como o conhecemos poderia não existir sem ela: acha que Joana D’arc, por exemplo, se teria tornado numa das maiores heroínas francesas se não tivesse uma autoestima aceitável?). “A autoestima ajuda a definir a identidade e o caráter e influencia a nossa maneira de ser, a qualidade do trabalho que se faz ou dos relacionamentos, o prazer que se pode obter da vida ou mesmo o arriscar novas atividades”, define o psicólogo clínico do Porto, Fernando Magalhães.

Então, quanto dá a si própria? Aparentemente não é só a sua ‘pontuação’ que conta. No mesmo estudo da Dove, 43% das participantes afirmou que são os elogios de terceiros aquilo que mais afeta a sua autoestima. Segue-se o sucesso profissional (24%) e o aspeto físico e boa forma (17%). “A opinião dos outros só nos afeta se acreditarmos que alguém é capaz de definir ou influenciar o nosso valor”, afirma o especialista.

“Na realidade, o nosso valor como pessoas é imutável (não somos ações da bolsa)”. Então o que nos pode realmente lesar? “O nosso julgamento, a nossa voz crítica”, responde o psicólogo. Queridas mulheres, oiçam com atenção: não há melhor altura para começar a gostar de si própria do que… agora!

Queixar-se e dizer “sinto-me velha” ou “gorda” é super normal. Mas zero inofensivo.

You’re toxic

Quem nunca apontou a sua ‘barriguinha’ em frente às amigas que atire o primeiro haltere. Queixar-se e dizer “sinto-me velha” ou “gorda” é super normal. Mas zero inofensivo. Este tipo de conversa pode ser tão prejudicial quanto chamar-se nomes, diz um estudo publicado no Journal of Eating Disorders, no qual 66% das mulheres admitiu participar em conversas tóxicas e as consequências podem ir de depressões a distúrbios alimentares.

Numa outra pesquisa, a antropóloga Mirna Nichter descobriu que as mulheres se sentem pressionadas a falar mal de si mesmas num grupo (se se mantiver em silêncio podem pensar que se acha perfeita). Expor as suas fraquezas e inseguranças quebra barreiras, mas enquanto nos tornamos mais agradáveis aos olhos dos outros, acabamos a gostar menos de nós próprias.

“A voz crítica cria um padrão de exigência impossível de alcançar e irrealista e um estado de insatisfação porque é feita uma comparação com um ideal absurdo, em vez da aceitação da imperfeição natural”, diz o psicólogo Fernando Magalhães. A Weight Watchers (o grande auxiliar de dieta americano) concluiu que as mulheres falam mal de si próprias em média 8 vezes ao dia. O problema é que segundo University College London, no Reino Unido, são precisas apenas 66 repetições para criar um novo hábito. Basta fazer as contas ao seu monólogo interior…

Dica: escreva as suas realizações pessoais e lembre-se delas frequentemente

“Devemos silenciá-la reconhecendo primeiro que temos pensamentos distorcidos sobre nós e desmascarar esta voz quando surgir, dizer frases afirmativas, escrever as suas realizações pessoais e lembrar-se delas frequentemente, ler um bom livro sobre autoestima para aprender a ter crenças adequadas, ridicularizar a voz e reduzir os imperativos ou exigências”, aconselha o psicólogo.

E não corremos o risco de ficar com autoestima a mais? Isso existe, sequer? “Não, a autoestima é um estado amigável e humilde de aceitação de nós e dos outros. É a crença que temos exatamente o mesmo valor que a outra pessoa”.

Você vs mundo

Não lhe vamos dar nenhuma novidade: vivemos inseridos numa cultura tradicionalmente machista e existe um tratamento desigual em função do género (basta decorar a letra de Flawless de Beyoncé para saber que as mulheres ouvem a vida toda que ‘têm de ser mais magras, pouco ambiciosas ou bem-sucedidas’).

E esse discurso pré-fabricado acaba por minar a autoestima feminina. “Não penso que seja nada que exista na natureza humana, mas nas sociedades em que vivemos”, explica Pedro Abrantes, sociólogo, professor da Universidade Aberta, em Lisboa, e investigador do CIES-ISCTE. “As mulheres enfrentam maiores preconceitos, exigências e pressões sociais. Para corresponder às expectativas da sociedade, elas têm de ser supermulheres.

Quando não conseguem alcançar esse ideal, sentem-se em falta e são socialmente sancionadas. Isso tem efeitos negativos na autoestima, claro”, conclui. No mercado de trabalho, e apesar de mais qualificadas, continuam a enfrentar maiores pressões e discriminações. Foi criado um plug-in no Gmail que previne as mulheres de estarem constantemente a pedir desculpa nos e-mails de trabalho.

Na maternidade, frisa a socióloga Inês Pereira, do Centro de Investigação e Estudos de Sociologia, em Lisboa, “a falta de autoestima conduz à falta de confiança e desconexão, tornando muito mais difícil resistir à pressão social para viver esse estado duma maneira específica socialmente aceite”.

Outra das formas mais claras de pressão? A comparação.

Todos tivemos ou conhecemos alguém que tem um irmão melhor que ele. E aquela rapariga que tem a vida perfeita e que seguimos no Instagram? Quando entramos no jogo das comparações, começamos a ver distorcido em relação a nós próprios e as redes sociais parecem ter vindo aumentar o nosso grau de cegueira (Mark Twain disse: “A comparação é o fim da alegria”, mas só porque não conhecia o Facebook).

“As redes sociais vieram apertar os mecanismos de controlo”, diz Pedro Abrantes. “E isso faz com que tais pressões se alarguem, intensifiquem e disseminem, assim como o medo de expor as possíveis falhas. Além disso, nas redes divulgam-se frequentemente imagens que não correspondem à realidade, mas que por vezes tendemos a tomá-las como padrão”. “Por outro lado, as redes sociais facilitam o contacto com pessoas distantes mas com as quais nos identificámos. Nesse sentido, podem reforçar a identidade e a autoestima”, enche o copo a socióloga Inês Pereira. De qualquer forma, se a comparação é a sua forma de se avaliar, a sua batalha já está perdida. Em vez de tentar ser melhor do que alguém, foque-se no maior cliché de todos (mas o mais eficaz). Seja a melhor versão de si própria!

Mais do que um reflexo

Espelho meu, espelho meu, há alguém mais bonito do que eu? Nesta fase já percebeu que a resposta correta é não. Se sabe a teoria mas é difícil passar à prática, existem soluções criadas para a ajudar. O curso de Motivação Pessoal da Blossom, uma empresa de consultoria de imagem em Lisboa, é uma delas. “A imagem pessoal, além de poderosa ferramenta de comunicação, reflete a nossa personalidade, bem-estar e autoestima”. Quem o aforma é Dora Dias, fundadora da Blossom.

“Vivemos numa época em que, dos media à indústria da cosmética, se apregoa um ideal de beleza desfasado da realidade. Essa pressão potencia o descontentamento e a insatisfação, fazendo com que muitas pessoas não se sintam bem na sua pele”, explica. E é também aqui que entra em ação, trabalhando num processo que facilite a aceitação do corpo e a valorização dos aspetos positivos. “Pensar o ato de vestir é por muitos considerado uma futilidade, mas a verdade é que todas as pessoas têm que se vestir e gostam de se sentir confortáveis e confiantes.

O medo de errar

Por menor importância que possam querer dar ao processo, é inevitável que tudo o que usem emita uma mensagem”. Além do medo do ridículo ou do erro, Dora realça uma vontade de ‘passar despercebido’. Por exemplo, quando alguém entra em depressão, um dos primeiros aspetos que descura é a imagem e até a higiene. “Há muitas pessoas que nos procuram e que aos olhos da maioria seriam consideradas muito bonitas. O problema é que não se sentem assim. Sentem-se desmotivadas e insatisfeitas”, afirma. Lembra-se do (infeliz) episódio de Jessica Athayde na ModaLisboa? À Women’s Health a atriz desvendou como lidou com a falta de amor-próprio (e aceitou ser nossa capa!). “Há que viver sem obsessões, encontrar o ponto de equilíbrio e encontrar estratégias no dia-a-dia que te façam mais feliz”. Dora concorda: “O autoconhecimento é o ponto de partida”. Ah e já agora, hoje está mesmo bonita!

Ainda sobre o estudo desenvolvido pela Dove, reconhemos 10 passos do livro EU. Cada um deles vai ajudá-la a trazer cá para fora a sua cheerleader interior.


Leia também:

Por vezes, para recarregar baterias, há que desligar a ficha!

Brand Story