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E se pudesse levar o seu cão para o local de trabalho? Contamos-lhe tudo

Os portugueses acreditam que os animais podem ajudar a criar um ambiente de trabalho menos stressante.

Levar o cão para o local de trabalho pode ajudá-la a tornar-se mais produtiva? Ou talvez permitir que os funcionários tragam os seus animais de estimação poderia fomentar um local de trabalho mais feliz?

Um estudo recente publicado na revista académica Animals mostrou que os animais de estimação servem como uma forma de apoio social e ajudam a reduzir o stress no local de trabalho.

Neste estudo examina-se a presença de cães nas organizações e o impacto das políticas organizacionais que permitem animais de estimação, com múltiplos estudos de caso realizados através de entrevistas semiestruturadas.

Os dados qualitativos foram realizados por meio de entrevistas com donos de cães que costumam trazer os seus animais para o escritório e pessoas em cargos de gerência nas mesmas empresas. Finalmente, os resultados da análise de dados em evolução por meio de iterações sucessivas foram formados numa teoria fundamentada.

Com base numa abordagem indutiva para a análise de dados, descobriu-se que os membros da organização consideram que os cães podem diminuir o stress, melhorar a comunicação e promover a coesão social quando uma cultura organizacional flexível está em vigor.

Em entrevista à Women’s Health, Miguel Pina e Cunha, um dos autores do estudo, explicou que esta é uma ideia dupla: “para a pessoa, não ter a preocupação do animal ficar sozinho em casa, bem como a sua presença próxima. Para as empresas, informalizar o local de trabalho, responder às expectativas de alguns grupos de trabalhadores e projetar uma imagem de vanguardismo organizacional”.

Então, como pode uma empresa cultivar um local de trabalho mais amigo dos animais de estimação?

As políticas das empresas

“Desde logo há setores onde não é possível, simplesmente, adotar pet policies”, refere Miguel Pina e Cunha.

Para o autor, uma empresa deve garantir que “a presença dos animais não é um fator de perturbação. O que significa que nem todos os animais podem ser permitidos, nem todos os dias, nem em todos os lugares”.

De acordo com o estudo, “as empresas de tecnologia do Vale do Silício, incluindo Amazon, Google e Apple, têm políticas que permitem animais de estimação há anos. Na Amazon, cerca de dois mil cães são regularmente trazidos para trabalhar no campus principal. Em geral, as pessoas trazem cães com mais frequência quando trabalham em escritórios menores, em empresas menores e mais criativas e em instituições sem fins lucrativos”.

Para além disso, os cães teriam de ser treinados para poderem estar no seu local de trabalho. Ainda assim, Miguel Pina e Cunha acrescenta que “a presença de cães treinados é normal nos mais diversos contextos, desde a segurança policial até ao apoio a pessoas com deficiência. Nesses casos, já todos nos habituámos à presença de animais – nomeadamente cães. Trata-se de uma extensão”.

Ainda assim, levar um cão para o local de trabalho tem os seus riscos, sendo os mais óbvios as alergias (cerca de 10 a 20% das pessoas em todo o mundo são alérgicas a pelos de cães, de acordo com a Allergy Asthma Immunol Research), fobias (Segundo uma pesquisa da Gallup, 11% dos americanos têm medo de cães), aversões pessoais e o potencial de distração proveniente de cães.

Em Portugal

No nosso país, a presença de animais no emprego ainda não é uma prática comum, mas o incentivo a levar os cães para o trabalho tem aumentado.

De acordo com um estudo realizado pela Purina Nestlé, apenas 7% dos empregadores permitem que os funcionários levem os seus cães para o local de trabalho (nas empresas Time Out, a Com On e Nestlé já é possível) e 67% dos portugueses gostaria de poder levar o seu animal para o emprego.

Mesmo assim, no mundo dos negócios, este tipo de incentivo só leva ao sucesso se a estrutura e a cultura certa estiverem presentes, não podendo ser visto apenas como um instrumento para aumentar o bem-estar dos funcionários.

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